O Ministério das Mulheres informou na segunda-feira (22/06) que as denúncias de violência digital registradas pelo Ligue 180 cresceram 188,6% nos cinco primeiros meses de 2026 ampliando a proteção digital feminina. O avanço acompanha mudanças no atendimento, novas regras para plataformas digitais e maior visibilidade para crimes contra mulheres na internet.
Entre janeiro e maio, a Central de Atendimento à Mulher recebeu 16.725 denúncias desse tipo, ante 5.795 no mesmo período do ano anterior. A diferença mostra que mais casos estão chegando aos canais oficiais de acolhimento e encaminhamento, fortalecendo a proteção das mulheres na internet.
A própria pasta avalia que o aumento pode estar relacionado à redução das subnotificações. Com mais casos registrados, vítimas encontram canais formais de orientação e encaminhamento, enquanto o poder público passa a identificar com maior precisão os tipos de violência praticados no ambiente digital.
O crescimento das denúncias ocorre paralelamente à atualização do Ligue 180, à qualificação das equipes de atendimento e à entrada em vigor de novas regras para plataformas digitais.
Proteção digital feminina amplia a identificação dos casos
A expansão dos registros acompanha uma adaptação do Ligue 180 para identificar e encaminhar casos de violência digital com protocolos específicos.
Para essa atualização, cerca de 350 profissionais participaram de qualificação promovida pelo Ministério das Mulheres em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR). O treinamento incluiu identificação de diferentes formas de violência digital contra mulheres.
Além do atendimento, os formulários passaram a registrar modalidades específicas desses crimes, ampliando a produção de dados sobre violência digital contra mulheres e permitindo maior precisão no acompanhamento dos casos. Os canais da central registram cerca de 3 mil ocorrências por dia entre denúncias, pedidos de informação e orientações às vítimas.
Denúncias no Ligue 180 tornam o problema mais visível
O avanço das denúncias indica que mais casos estão chegando aos registros oficiais, reduzindo a invisibilidade da violência digital contra mulheres. A violência digital também avançou da sétima para a quinta posição entre os tipos de denúncias recebidas pelo Ligue 180 entre 2025 e 2026.
A dimensão do problema aparece em outros levantamentos nacionais. Dados do DataSenado apontam que cerca de 8,8 milhões de brasileiras com 16 anos ou mais relataram ter sofrido algum tipo de violência digital em um período de 12 meses.
Segundo a ministra Márcia Lopes, o crescimento dos registros pode refletir maior confiança das mulheres no canal de atendimento e uma percepção mais clara de que situações vividas na internet também configuram violência fatores que contribuem para a proteção digital feminina.
Os dados ajudam a identificar quem mais sofre essas agressões. Em 2025, quase metade das vítimas registradas era composta por mulheres negras. A faixa de 35 a 44 anos concentrou o maior número de ocorrências, enquanto o grupo entre 25 e 49 anos respondeu por 50,8% dos registros.
As informações também mostram uma dimensão econômica da violência digital. Quase metade das vítimas, equivalente a 45,9%, declarou não possuir renda ou receber até um salário mínimo.
Proteção digital feminina ganha respostas mais rápidas
O avanço institucional também inclui o Decreto nº 12.976/2026, que entrou em vigor na sexta-feira (19/06) e estabelece deveres para plataformas digitais em casos de violência contra mulheres na internet.
Entre as medidas previstas está o prazo de duas horas para remoção de imagens íntimas divulgadas sem consentimento, conforme regras já previstas no Marco Civil da Internet. A norma também equipara os chamados deep nudes produzidos por inteligência artificial às imagens reais para fins de proteção das vítimas. A regra reduz o tempo de exposição das vítimas e cria um procedimento mais rápido para situações que antes podiam permanecer circulando por longos períodos nas plataformas.
As medidas são acompanhadas pela campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar”, criada para ampliar a divulgação de direitos, orientar sobre mecanismos de proteção e fortalecer o conhecimento sobre os canais oficiais de denúncia.
A campanha passa a atuar de forma complementar às novas regras, ampliando a divulgação de direitos, canais de denúncia e mecanismos de proteção voltados às mulheres nos ambientes digitais.
