Nordeste inicia pesquisas para criar modelos de pele em 3D e reduzir testes em animais

O Cetene prepara uma estrutura de bioimpressão para desenvolver pele em 3D destinada a estudos de medicamentos, contaminantes e novos produtos.
A pesquisa com pele em 3D busca criar modelos biológicos para estudos de medicamentos, contaminantes e outros produtos, reduzindo a necessidade de testes em animais em parte das pesquisas.
Os modelos de pele em 3D poderão oferecer uma alternativa para parte dos testes laboratoriais antes das etapas que ainda exigem validação em animais. (Foto: Laureen Michelle Houllou/acervo pessoal)

O Nordeste começa a dar os primeiros passos na produção de pele em 3D, tecnologia que permite criar modelos de tecidos vivos em laboratório. O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), no Recife, prepara uma nova frente de pesquisa para testar biocompostos e estudar os efeitos de contaminantes sem expor animais vivos a essas substâncias.

A tecnologia organiza células vivas e biomateriais em camadas para formar modelos capazes de reproduzir características da pele humana e animal. Esses tecidos poderão ser utilizados para avaliar como diferentes substâncias interagem com as células em condições controladas.

A proposta aproxima uma das aplicações mais promissoras da bioimpressão da rotina dos laboratórios. Em vez de começar pela produção de órgãos completos, a pesquisa avança por um caminho já explorado internacionalmente e que pode contribuir para reduzir, de forma gradual, a necessidade de animais em determinadas etapas dos estudos.

Por que a pele foi escolhida para inaugurar a bioimpressão

Antes do início dos experimentos, o equipamento ainda passará pelas etapas de instalação e preparação para o uso de células e outros materiais biológicos. As pesquisas também dependerão do cumprimento das exigências sanitárias previstas para esse tipo de atividade.

A bioimpressora funciona de forma semelhante às impressoras tridimensionais convencionais, mas substitui a tinta por uma combinação de células e biomateriais conhecida como biotinta. Esse material permite construir estruturas que reproduzem características do tecido vivo.

O Cetene concentrará os primeiros projetos em modelos de pele humana e animal porque esse tecido reúne algumas das aplicações mais consolidadas da bioimpressão. Além disso, oferece uma plataforma segura para avaliar a interação de diferentes substâncias antes de estudos mais complexos.

Pele em 3D poderá ampliar alternativas aos testes laboratoriais

Antes de chegar aos pacientes ou ao mercado, medicamentos, bioinsumos e diversos outros produtos passam por uma série de avaliações de segurança. A pele em 3D poderá oferecer uma nova ferramenta para parte dessas análises.

Os modelos produzidos em laboratório permitem reproduzir características da pele de forma padronizada, o que facilita a comparação entre diferentes experimentos. Como o mesmo tecido pode ser utilizado em análises repetidas, os pesquisadores conseguem controlar melhor as condições de cada teste e comparar os resultados com maior precisão.

A substituição, porém, não será imediata. Pesquisadores precisam desenvolver, validar e aprovar cada método antes de incorporá-lo aos protocolos científicos utilizados por centros de pesquisa e órgãos reguladores.

Da pele de tilápia à pele em 3D

A chegada da bioimpressão amplia uma trajetória de pesquisas que já colocou o Nordeste em destaque na área de biomateriais. Um dos exemplos mais conhecidos surgiu na Universidade Federal do Ceará, com os estudos sobre o uso da pele de tilápia como curativo biológico para queimaduras.

Embora trabalhem com tecidos, as duas tecnologias têm objetivos diferentes. A pele de tilápia é preparada para auxiliar no tratamento de pacientes, enquanto a bioimpressão cria modelos destinados principalmente à pesquisa científica.

Com a nova estrutura, o Cetene amplia a capacidade regional de desenvolver soluções em biotecnologia e medicina regenerativa. Os pesquisadores ainda precisam instalar o equipamento, obter as autorizações necessárias e validar os métodos antes de ampliar o uso da pele em 3D.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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