Tratamento de Alzheimer chega ao Brasil e pode retardar o avanço da doença

Tratamento Alzheimer passa a contar com o lecanemabe no Brasil. Entenda quem pode receber a terapia, como ela funciona e o que muda para pacientes.
Casal de idosos caminha de braços dados em uma rua arborizada, ilustrando reportagem sobre tratamento Alzheimer.
Novo tratamento Alzheimer chega ao Brasil para pacientes em estágio inicial da doença e amplia as opções terapêuticas disponíveis. (Foto: Pexels)

O tratamento Alzheimer ganhou uma nova alternativa no Brasil na quinta-feira (25/06), com o início da comercialização do lecanemabe, vendido como Leqembi. Indicado para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pela doença, o medicamento atua para reduzir a velocidade de progressão do quadro, inaugurando uma nova etapa terapêutica no país.

A terapia é destinada apenas a pacientes em estágio inicial da doença e depende de avaliação médica. O medicamento é administrado por infusão intravenosa a cada 15 dias em hospitais ou centros especializados, onde também ocorre o acompanhamento clínico durante o tratamento.

A chegada do lecanemabe coloca o Brasil entre os países que já disponibilizam essa tecnologia para uso clínico. Segundo as fabricantes Eisai e Biogen, o medicamento possui registro em mais de 53 países, incluindo Japão, Estados Unidos, China e Coreia do Sul.

Embora ainda não exista cura para o Alzheimer, especialistas consideram relevante a disponibilidade de terapias capazes de retardar a evolução da doença. O avanço amplia as possibilidades de cuidado em uma condição que representa cerca de 70% dos casos de demência no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tratamento Alzheimer atua diretamente no processo da doença

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para atuar sobre a proteína beta-amiloide, associada ao desenvolvimento do Alzheimer. O objetivo é remover placas já existentes e reduzir a formação de novos depósitos ligados à degeneração dos neurônios.

Esse mecanismo diferencia o medicamento das terapias tradicionais voltadas principalmente ao controle dos sintomas. A proposta é preservar por mais tempo funções cognitivas ao desacelerar a progressão da doença nas fases iniciais, sem reverter os danos já instalados.

Em estudo clínico de fase 3, pacientes tratados durante 18 meses apresentaram redução média de 27% na velocidade de progressão da doença em comparação com aqueles que receberam placebo. As fabricantes e especialistas ressaltam que o benefício consiste em retardar o avanço do quadro, e não em promover a cura ou recuperar funções perdidas.

Tratamento de Alzheimer: Quem pode receber o medicamento no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lecanemabe em dezembro de 2025. A comercialização começou após a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) estabelecer os preços oficiais da terapia em abril deste ano.

O tratamento não está disponível em farmácias nem pode ser realizado em casa. Após a prescrição, o paciente é encaminhado para unidades capacitadas para realizar as infusões e acompanhar possíveis reações durante o uso do medicamento.

Considerando um paciente com peso médio de 70 quilos, o custo mensal é de R$ 8.108,94 antes da incidência de tributos. Nos estados que aplicam alíquota de 18%, o valor chega a R$ 11.075,62.

Nova terapia amplia perspectivas para o cuidado da doença

Neste momento, o lecanemabe ainda não foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) nem integra o rol obrigatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As empresas responsáveis informaram que pretendem solicitar a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas o pedido ainda não foi apresentado.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico ou profissional habilitado

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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