Pesquisa da UFC descobre microalga que ajuda a medir os efeitos de obras no litoral

Pesquisa da UFC mostra que uma microalga pode ajudar a medir os efeitos de obras no litoral e ampliar o monitoramento ambiental de áreas costeiras.
Pesquisa mostra que microalga ajuda a acompanhar os efeitos de obras no litoral e pode ampliar o monitoramento ambiental de áreas costeiras.
Microalga reage às mudanças provocadas por obras no litoral e pode indicar por quanto tempo o ambiente marinho permanece afetado. (Foto: IA)

Uma microalga quase invisível pode ajudar cientistas a descobrir por quanto tempo o mar continua afetado após obras no litoral brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram que esse organismo microscópico reage rapidamente às mudanças provocadas por dragagens e engordas de praias. Publicado na sexta-feira (26/06) na revista Biota Neotropica, o estudo mostra que essa reação pode ampliar a forma de acompanhar os impactos dessas intervenções.

Para entender esse comportamento, a equipe analisou 130 amostras coletadas em diferentes pontos da costa do Ceará. Desse total, 69 foram obtidas entre 2018 e 2022, antes, durante e depois das obras. Os pesquisadores observaram que a quantidade da microalga aumentava sempre que obras no litoral deixavam a água mais turva ao levantar sedimentos do fundo do mar.

Até hoje, esse acompanhamento depende principalmente de medições feitas na água, como temperatura, salinidade e transparência. A pesquisa acrescenta uma nova informação: a resposta de um organismo vivo às mudanças no ambiente. Assim, além de identificar que houve alteração, também passa a ser possível acompanhar por quanto tempo ela permanece.

Na prática, essa descoberta pode ajudar órgãos ambientais a avaliar melhor obras no litoral e identificar quando uma área começa a recuperar suas condições naturais. Com informações mais completas, o monitoramento pode apoiar decisões sobre novas intervenções e a proteção de regiões mais sensíveis.

Como a microalga mostra o que acontece no mar

Quando obras no litoral, como dragagens e engordas de praias, levantam sedimentos do fundo, a água fica mais turva. Essas mudanças alteram as condições do ambiente e favorecem o crescimento da microalga estudada pelos pesquisadores.

A espécie, chamada Asterionellopsis tropicalis, faz parte do fitoplâncton, grupo de organismos microscópicos que vive na água e serve de alimento para diversos animais marinhos. Adaptada a ambientes naturalmente mais turvos, ela aumenta de quantidade sempre que encontra essas condições.

Por isso, o organismo funciona como um indicador natural das mudanças no mar. Ao acompanhar o aumento ou a redução deles, os pesquisadores conseguem observar como obras no litoral alteram o ambiente e quando esses efeitos começam a diminuir.

Próximos estudos podem ampliar o uso da descoberta

Segundo a pesquisadora Andréa de Oliveira da Rocha Franco, autora correspondente do estudo, esse método pode tornar mais eficiente o acompanhamento dos impactos provocados por obras costeiras e ajudar a identificar áreas que exigem maior atenção.

Antes que essa técnica possa ser aplicada em diferentes regiões do país, os pesquisadores ainda precisam mapear onde essa microalga ocorre naturalmente na costa brasileira. Esse levantamento permitirá diferenciar alterações causadas por obras das mudanças que fazem parte do funcionamento normal do ecossistema.

A equipe também vai investigar como esse organismo reage à presença de metais e outros contaminantes. Se os próximos estudos confirmarem os resultados em diferentes regiões, outras espécies do fitoplâncton também poderão integrar ferramentas usadas para acompanhar a recuperação de áreas costeiras após grandes obras.

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