Pedro Ivo Moura decidiu tirar R$ 1,5 milhão do próprio patrimônio para reforçar um projeto que acompanha mães, gestantes, cuidadores e crianças em situação de vulnerabilidade social no Nordeste. O empresário, herdeiro da Baterias Moura, destinou o recurso ao Programa PIPA, criado pelo Instituto Primeira Infância Plantar Amor.
Na prática, o dinheiro deverá ajudar uma rede que tenta diminuir uma dificuldade comum principalmente entre famílias com menos recursos: cuidar de uma criança pequena sem ter por perto orientação profissional ou uma estrutura de apoio. O PIPA conecta as participantes a profissionais e oferece acompanhamento também pelo WhatsApp e por videochamadas.
A decisão do empresário veio depois de o projeto pernambucano receber reconhecimento internacional. O PIPA ficou entre os seis vencedores do Good Start Challenge, competição que buscou soluções para melhorar o bem-estar de mães, pais e cuidadores em comunidades vulneráveis.
Com o novo aporte, o instituto pretende preparar a metodologia para chegar a mais lugares. Atualmente presente em 24 municípios de cinco estados do Nordeste, o PIPA estabeleceu como meta alcançar 1 milhão de famílias até 2035. Esse número ainda é um objetivo e dependerá da capacidade de governos e outras instituições adotarem o modelo.
Herdeiro Baterias Moura reforça rede que começa pela mãe
O atendimento não olha apenas para as necessidades da criança. A proposta parte da ideia de que mães e outros cuidadores também precisam de suporte emocional e orientação para enfrentar situações como sobrecarga, dificuldades na criação dos filhos e falta de uma rede próxima.
As famílias são acompanhadas por profissionais chamados de Estrelas-Guia, que identificam necessidades e fazem a ponte com especialistas, entre eles psicólogos, pedagogos e terapeutas. Parte desse contato acontece de forma digital, o que permite manter o acompanhamento mesmo quando a família está longe de um serviço presencial.
Durante os testes realizados no Good Start Challenge, mudanças nessa abordagem fizeram a adesão ao primeiro atendimento subir de 20% para 79%, segundo os dados apresentados pelo programa. Uma das alterações foi tornar o primeiro contato mais pessoal, com apresentação da profissional responsável pelo acompanhamento.
Projeto brasileiro venceu disputa com mais de mil inscritos
O reconhecimento internacional também trouxe dinheiro para o PIPA. O Good Start Challenge recebeu mais de mil inscrições e selecionou 22 finalistas de nove países antes de escolher seis vencedores. O projeto brasileiro dividiu a lista final com iniciativas da Colômbia, Indonésia e países africanos.
Cada um dos 22 finalistas havia recebido € 50 mil para desenvolver e testar melhorias. Depois, os seis vencedores receberam mais € 200 mil cada. Assim, o PIPA acumulou € 250 mil durante as etapas do desafio, além dos R$ 1,5 milhão colocados por Pedro Ivo Moura.
O próximo passo será descobrir se uma experiência já aplicada em municípios nordestinos consegue manter o atendimento próximo das famílias à medida que cresce. A meta de 1 milhão de famílias está prevista para 2035; até lá, a expansão dependerá da formação de profissionais e da adoção da metodologia por parceiros públicos e privados.