Nova lei reforça proteção de crianças na internet com penas maiores e novas investigações

Projeto aprovado pelo Senado endurece punições para crimes praticados no ambiente digital, amplia instrumentos de investigação e fortalece a proteção às vítimas.
Projeto aprovado pelo Senado fortalece o combate aos crimes sexuais contra crianças praticados no ambiente digital e amplia a proteção às vítimas.
A nova lei amplia a proteção contra crimes sexuais contra crianças na internet, endurece as penas e reforça as formas de investigação. (Foto: Canva)

A proteção da infância e da adolescência no ambiente digital pode ganhar um novo reforço no Brasil. O Senado aprovou o Projeto de Lei 3.066/2025, que amplia as punições para crimes sexuais contra crianças praticados pela internet e fortalece a resposta do poder público diante desse tipo de violência. O texto segue para sanção presidencial.

Além de endurecer as penas, a proposta amplia os mecanismos de investigação e garante atendimento psicológico e psicossocial especializado às vítimas. As mudanças acompanham a evolução das estratégias usadas por criminosos. Hoje, eles utilizam recursos digitais para aliciar menores, compartilhar conteúdos ilícitos e esconder a própria identidade.

Outro avanço envolve os crimes praticados com o uso de inteligência artificial, deepfakes, perfis falsos e outras ferramentas digitais. A proposta endurece as punições quando esses recursos servirem para esconder a identidade dos criminosos ou manipular imagens de crianças e adolescentes.

Vítimas passam a ter atendimento especializado

A proposta estabelece que crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas desses crimes tenham direito a atendimento psicológico e psicossocial individual, especializado, contínuo e integral.

A proposta busca reduzir os impactos da circulação permanente de imagens e vídeos na internet, que pode prolongar o sofrimento das vítimas mesmo após o fim da violência.

O texto também determina que o responsável pelo crime pague todos os custos do tratamento da vítima. Isso inclui o ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) sempre que houver despesas com o atendimento.

Crimes sexuais contra crianças terão investigação ampliada

A proposta também autoriza órgãos de investigação a realizar a chamada ronda virtual. Eles poderão identificar e coletar arquivos relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes em ambientes digitais públicos. A medida abrange redes sociais, fóruns, canais e redes de compartilhamento de arquivos.

Em situações de flagrante ou quando houver risco à vida ou à integridade física de uma criança ou adolescente identificado durante essas ações, as autoridades poderão requisitar dados cadastrais diretamente aos provedores de conexão e de aplicações. A autoridade judicial deverá ser comunicada em até 48 horas.

Segundo dados citados pelo relator da proposta no Senado, Fabiano Contarato (PT-ES), a SaferNet Brasil registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil entre janeiro e julho de 2025. O número representa um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024.

Inteligência artificial agrava as punições

A proposta também aumenta as penas para criminosos que usarem inteligência artificial, deepfakes, filtros, perfis falsos, técnicas de anonimização, aplicativos de mensagens, jogos on-line ou outros recursos para ocultar a própria identidade ou facilitar o aliciamento de vítimas.

Além disso, diversos crimes relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes passam a integrar o rol dos crimes hediondos, o que torna mais rígidas as regras para o cumprimento das penas e reduz a possibilidade de benefícios previstos na legislação.

Se receber a sanção presidencial, a nova lei reunirá punições mais severas, novas possibilidades de investigação e medidas permanentes de proteção às vítimas, ampliando a segurança de crianças e adolescentes diante dos crimes praticados no ambiente digital.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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