Crédito para entregadores de aplicativo beneficia quem depende da moto para gerar renda

Entregadores de aplicativo com bicicletas elétricas e mochilas de entrega durante atividade urbana após anúncio de crédito para entregadores de aplicativo
Entregadores utilizam bicicletas elétricas em área urbana. Nova linha de crédito para entregadores de aplicativo permitirá financiar veículos usados na geração de renda. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Crédito para entregadores de aplicativo passa a integrar a política federal voltada aos profissionais que geram renda por plataformas digitais. O programa Move Brasil foi lançado pelo governo federal nesta sexta-feira (12/06) e permitirá financiar motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas. As contratações começam no sábado (13/06).

Motoristas e entregadores cadastrados em aplicativos há pelo menos seis meses e com cem corridas realizadas poderão solicitar o financiamento. Trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que utilizam esses veículos na atividade profissional também estão entre os beneficiários.

Apoio

A iniciativa alcança uma atividade que se tornou fonte de renda para milhões de brasileiros e cria uma alternativa de acesso a veículos utilizados diariamente no transporte de passageiros e nas entregas urbanas. O programa estabelece critérios específicos para quem trabalha por aplicativos e utiliza o veículo como principal ferramenta de trabalho.

O uso de informações fornecidas pelas plataformas digitais permite comprovar a atividade profissional dos participantes. Na prática, o programa amplia as possibilidades de aquisição de um veículo próprio para quem depende diariamente de motos ou bicicletas para gerar renda, realizar mais entregas e reduzir a dependência de equipamentos antigos ou alugados.

Porta de entrada para o sistema financeiro

O Move Brasil utiliza dados compartilhados por empresas como Uber, 99 e iFood para validar a atividade dos trabalhadores interessados. Após essa etapa, a contratação ainda dependerá da análise realizada pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil.

A estrutura aproxima profissionais da economia digital de mecanismos de crédito tradicionalmente disponíveis para outras categorias produtivas. O financiamento deixa de considerar apenas vínculos formais convencionais e passa a incorporar a atividade registrada nas plataformas.

O alcance da medida acompanha a expansão do trabalho por plataformas digitais no país. Levantamentos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que esse mercado reúne milhões de brasileiros em atividades ligadas ao transporte de passageiros e às entregas urbanas, ampliando sua participação na geração de renda nas cidades.

Como o financiamento para entregadores de aplicativo pode reduzir custos de trabalho

Os recursos, com o crédito para entregadores de aplicativo, poderão ser usados na compra de veículos produzidos no país ou vinculados a projetos de investimento para produção nacional. O objetivo inclui renovar a frota utilizada pelos profissionais e estimular a indústria instalada no Brasil.

Entre os equipamentos financiáveis estão bicicletas elétricas e motocicletas utilizadas em jornadas intensivas de transporte e entrega. A inclusão das bicicletas elétricas acompanha a expansão desse mercado. Dados da Aliança Bike mostram crescimento contínuo da adoção desses veículos no país, impulsionado por deslocamentos urbanos e serviços de entrega.

Cada trabalhador terá direito ao financiamento de apenas um veículo. Para os profissionais, a renovação da frota pode representar menor frequência de manutenção corretiva, mais previsibilidade nos gastos e maior disponibilidade do veículo para o trabalho diário, fatores diretamente ligados à capacidade de geração de renda.

Quem pode solicitar a linha de crédito para entregadores

Podem participar profissionais cadastrados em aplicativos há pelo menos seis meses e que tenham realizado no mínimo cem corridas pela plataforma. Trabalhadores contratados pelo regime CLT que exercem atividade semelhante também poderão acessar a modalidade.

Além da linha destinada às pessoas físicas, o governo lançou uma modalidade voltada a empresas e sindicatos. Os recursos poderão financiar baterias, estações de troca de baterias, sistemas de recarga e capital de giro associado aos investimentos.

As condições incluem juros anuais de 12,5% para homens e 11,5% para mulheres, prazo de até 48 meses e carência de dois meses antes do início dos pagamentos. Os recursos serão operados por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS). A medida também fortalece a logística de última milha, etapa responsável pela conexão entre empresas, comércios e consumidores nas entregas urbanas.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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