Novo remédio para ELA no SUS pode ajudar pacientes a manter os movimentos por mais tempo

A edaravona passa a integrar o tratamento oferecido pelo SUS para pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágio inicial e pode desacelerar a evolução da perda de funções motoras.
A incorporação do remédio para ELA prevê oferta da nova terapia na rede pública em até 180 dias.
Remédio para ELA passa a integrar o SUS e amplia as opções de tratamento para pacientes em estágio inicial. (Foto: Getty Images)

Pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágio inicial passarão a contar com uma nova opção de tratamento na rede pública. O Ministério da Saúde incorporou, nesta terça-feira (21/07), a edaravona ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo as evidências analisadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o novo remédio para ELA pode desacelerar o declínio funcional provocado pela doença.

Após a publicação da portaria, o Ministério da Saúde terá até 180 dias para disponibilizar a nova terapia na rede pública. Nesse período, o SUS deverá atualizar os protocolos e organizar a oferta do medicamento aos pacientes que se enquadrarem nos critérios definidos para o tratamento.

A incorporação amplia as opções de tratamento para uma doença rara e progressiva que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários.

Como o remédio para ELA age no organismo

A edaravona atua reduzindo o estresse oxidativo, um dos mecanismos envolvidos na degeneração dos neurônios motores. De acordo com a Conitec, as evidências científicas indicam que o medicamento desacelera o declínio funcional dos pacientes e apresenta um perfil de segurança considerado satisfatório.

O tratamento poderá ser utilizado de forma isolada ou em associação ao riluzol, medicamento que já integra o protocolo do SUS para pessoas com ELA.

Além da terapia medicamentosa, o acompanhamento continua baseado em uma equipe multiprofissional, com fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, assistência nutricional e cuidados respiratórios.

Quem poderá receber o novo tratamento pelo SUS

A esclerose lateral amiotrófica provoca perda progressiva da força muscular e pode comprometer atividades como caminhar, segurar objetos, falar, engolir e respirar.

Por esse motivo, a incorporação da edaravona foi indicada para pacientes em estágios iniciais da doença, seguindo os critérios definidos pelo Ministério da Saúde. A indicação contempla adultos com ELA nos graus 1 ou 2 e com sintomas há, no máximo, dois anos.

O que é a esclerose lateral amiotrófica

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurológica rara e progressiva que afeta os neurônios motores, responsáveis por enviar os comandos do cérebro para os músculos. Com a perda gradual dessas células, os músculos deixam de responder aos estímulos, provocando redução da força e dificuldades para realizar movimentos voluntários.

Embora comprometa a capacidade de movimentação, a doença geralmente não afeta a sensibilidade. Em muitos casos, a capacidade intelectual também permanece preservada durante boa parte da evolução da enfermidade.

As causas da ELA ainda não são totalmente conhecidas. A maior parte dos casos ocorre de forma esporádica, sem histórico familiar, enquanto uma parcela menor está relacionada a alterações genéticas hereditárias.

Quais são os principais sintomas da ELA

Os primeiros sinais costumam aparecer de forma gradual e variam de uma pessoa para outra. Entre os sintomas mais frequentes estão fraqueza muscular, dificuldade para caminhar, quedas frequentes, perda de força nas mãos e dificuldade para realizar tarefas simples, como segurar objetos ou abotoar roupas.

Com a progressão da doença, também podem surgir alterações na fala, dificuldade para engolir alimentos e comprometimento da musculatura responsável pela respiração. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são importantes para iniciar o tratamento e planejar os cuidados necessários.

Como ainda não existe cura, o objetivo do remédio para ELA é retardar a progressão da doença, aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida pelo maior tempo possível.

Quais tratamentos para ELA já são oferecidos pelo SUS

Antes da incorporação da edaravona, o riluzol era o principal remédio disponibilizado pelo SUS para pessoas com ELA. O fármaco continua fazendo parte do tratamento e pode ser utilizado em conjunto com a nova terapia, conforme indicação médica.

O atendimento na rede pública também inclui acompanhamento com neurologistas e uma equipe multiprofissional. Dependendo das necessidades de cada paciente, podem ser indicadas sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, suporte nutricional, assistência respiratória e fornecimento de equipamentos que auxiliam na mobilidade e na comunicação.

Essa combinação de cuidados busca reduzir o impacto dos sintomas, prevenir complicações e manter a autonomia do paciente pelo maior tempo possível.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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