As novas bibliotecas em escolas públicas do Ceará que começam a ser entregues entre maio e agosto representam mais do que uma melhoria estrutural dentro da rede pública. Em um país onde 63,2% das escolas ainda não possuem biblioteca ou sala de leitura, segundo o Censo Escolar 2024, os novos espaços tentam mudar a relação de crianças e adolescentes com os livros dentro da escola pública.
O projeto Territórios da Leitura vai revitalizar sete bibliotecas escolares no Ceará e beneficiar cerca de 3,3 mil estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. A proposta combina reforma física, tecnologia, formação de educadores e ampliação do acervo literário para transformar os espaços de leitura em ambientes permanentes de convivência, aprendizagem e estímulo ao hábito de leitura.
Para muitos estudantes da rede pública, a biblioteca da escola funciona como o único espaço de acesso gratuito e contínuo a livros fora do material didático. Em famílias sem acesso frequente à literatura, esses ambientes acabam se tornando o principal ponto de contato das crianças com a leitura.
As intervenções chegam a unidades de Maracanaú, Maranguape, Quixadá, Russas e Pacajus por meio de uma iniciativa da Invento Produções Culturais em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), via Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet.
Bibliotecas em escolas públicas do Ceará ganham nova função pedagógica
O diferencial da iniciativa está no modelo adotado para manter os espaços funcionando depois da inauguração. Além da revitalização física, cada escola recebe consultoria em organização de bibliotecas e mediação de leitura voltada para professores e equipes pedagógicas.
A proposta tenta romper o modelo de bibliotecas usadas apenas como espaços de armazenamento ou consulta ocasional.
Os espaços revitalizados passam a contar com novos móveis, computadores, smart TVs, climatização e cerca de 200 livros de literatura infantojuvenil para ampliar o acesso dos estudantes à leitura.
O projeto também oferece formação para educadores sobre práticas leitoras e mediação literária, estratégia que busca incorporar o uso das bibliotecas da rede pública cearense à rotina escolar e não apenas a atividades pontuais.
Segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), estudantes com maior frequência de leitura tendem a apresentar melhor desempenho em interpretação de texto e aprendizagem escolar. O acesso mais frequente aos livros também influencia alfabetização, desenvolvimento da escrita e capacidade de compreensão, habilidades que impactam toda a trajetória educacional dos estudantes.
Além da estrutura física, a proposta tenta criar vínculo entre os alunos e o ambiente escolar por meio da leitura, da convivência e do acesso mais permanente à literatura.
Ceará tenta ampliar leitura enquanto maioria das escolas segue sem biblioteca
O impacto das bibliotecas em escolas públicas do Ceará ganha relevância diante do cenário nacional apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O Censo Escolar 2024 mostrou que quase dois terços das escolas brasileiras seguem sem biblioteca escolar pública ou sala de leitura.
Na prática, isso reduz o acesso à leitura nas escolas públicas, principalmente em municípios com menor estrutura cultural e menor oferta de equipamentos educacionais.
Em muitas cidades, a escola funciona como principal ponto de acesso regular a livros para crianças e adolescentes. Quando esse espaço não existe ou permanece desativado, o contato dos estudantes com a literatura depende da renda familiar ou da existência de bibliotecas públicas próximas.
O cenário ganha ainda mais relevância diante dos dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, que apontam queda no número de leitores no país nos últimos anos, especialmente entre crianças e jovens. O levantamento mostrou que o Brasil perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores em quatro anos.
É nesse vazio estrutural que projetos de leitura no Ceará, como o Territórios da Leitura, tentam atuar, principalmente em escolas localizadas em áreas de média ou alta vulnerabilidade social.
Por que bibliotecas escolares influenciam alfabetização e aprendizagem
Segundo especialistas em educação e estudos do Saeb, estudantes com acesso mais frequente à leitura tendem a apresentar melhor desempenho escolar, maior capacidade de interpretação de texto e avanço mais consistente na alfabetização.
Além do impacto acadêmico, bibliotecas escolares também funcionam como espaços de convivência, acesso cultural e fortalecimento do vínculo entre estudantes e ambiente escolar, especialmente em regiões com menor oferta de equipamentos culturais.
Projeto leva bibliotecas revitalizadas a cidades do interior do Ceará
Com a nova etapa, o Ceará deve alcançar 43 bibliotecas revitalizadas em 15 municípios até o fim deste ano. Criado em 2020, o projeto já passou por cidades como Fortaleza, Itapipoca, Aquiraz, Iguatu, Trairi, Icapuí e Santa Quitéria.
Segundo relatos de gestores escolares envolvidos nas edições anteriores, a revitalização das bibliotecas ajudou a aumentar o uso dos espaços de leitura e o interesse dos estudantes pelos livros.
As inaugurações também devem incluir atividades de contação de histórias e integração da comunidade escolar para aproximar os alunos das bibliotecas desde os primeiros anos da vida escolar.
O avanço das bibliotecas em escolas públicas do Ceará acontece em meio a discussões nacionais sobre alfabetização, interpretação de texto, formação leitora e recuperação da aprendizagem após os impactos educacionais dos últimos anos.
Onde as bibliotecas em escolas públicas do Ceará serão inauguradas
Maracanaú
- EMEIEF César Cals de Oliveira Filho — 14 de maio
Quixadá
- Escola E.E.F Raimundo Marques de Almeida — 2 de junho
Russas
- Escola Municipal Tia Benilce de Ensino Infantil e Ensino Fundamental — 2 de junho
Maranguape
- Escola Municipal Paulo Sarasate — 9 de junho
Pacajus
- EEF Araci Gonzaga da Silva — 10 de junho
- E.M.T.I Vereador Joaquim Nogueira Lopes — 10 de junho
- Escola Alba Laranjeira de Albuquerq — Agosto