Brasileiros criam IA que devolve autonomia profissional a pacientes com ELA

Um projeto brasileiro usa IA para ELA para manter carreiras e preservar conhecimento mesmo após a perda dos movimentos. Entenda como funciona a tecnologia.
Desenvolvida por brasileiros, a IA para ELA busca preservar carreiras e evitar a perda de conhecimento acumulado por profissionais com doenças neurodegenerativas.
Com apoio de recursos de comunicação por movimento ocular, Maria Inês voltou a lecionar e participar de atividades profissionais por meio da IA para ELA. (Foto: Canva)

Uma psiquiatra que perdeu completamente os movimentos do corpo voltou a lecionar, palestrar e exercer atividades profissionais com o apoio de uma IA para ELA criada no Brasil. A Fundação Unimed e a startup brasileira WorkAI desenvolveram a tecnologia para ajudar pacientes a manter carreiras ativas mesmo após o avanço da doença.

A Fundação Unimed e a startup brasileira WorkAI receberam cerca de R$ 5 milhões para desenvolver o projeto, que atende pessoas com capacidades cognitivas preservadas apesar das limitações motoras provocadas por doenças neurodegenerativas. As duas instituições criaram a tecnologia para que profissionais da educação, da pesquisa e da saúde continuem trabalhando mesmo após perderem movimentos causados pela progressão dessas condições.

O primeiro caso envolve Maria Inês Quintana, especialista em transtorno de personalidade borderline. Diagnosticada com ELA há quase três anos, ela retomou atividades acadêmicas e profissionais com apoio da tecnologia após perder completamente a mobilidade corporal.

Além de permitir comunicação, o sistema preserva décadas de experiência acumulada e permite que profissionais continuem ensinando, produzindo conhecimento e participando de atividades intelectuais mesmo com a progressão da doença.

IA para ELA preserva décadas de conhecimento especializado

A Esclerose Lateral Amiotrófica compromete gradualmente funções como fala, locomoção, deglutição e respiração. Em muitos casos, especialistas deixam de atuar profissionalmente apesar de manterem intacta a capacidade de raciocínio, análise e tomada de decisões.

Maria Inês atua como professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenadora de pesquisa do Ambulatório de Transtornos da Personalidade e coordenadora do curso de pós-graduação em Saúde Mental da Faculdade Unimed. Com a tecnologia para pacientes com ELA, voltou a participar de atividades educacionais e científicas.

O projeto também preserva um patrimônio intelectual construído ao longo de mais de 30 anos de atuação profissional. Esse conhecimento continua acessível para médicos, pesquisadores e estudantes mesmo após as limitações físicas impostas pela doença.

Avatar digital amplia a atuação profissional de pacientes

Uma das estruturas do sistema é o Agente Clínico Assistivo, treinado com o acervo intelectual produzido pela psiquiatra durante sua trajetória acadêmica e clínica. A ferramenta organiza conteúdos e informações relacionados à sua área de especialização.

O Avatar Digital Palestrante já está em funcionamento. Desenvolvido a partir da imagem e da voz originais da médica, ele realiza apresentações em português, inglês e espanhol, ampliando o alcance das atividades desenvolvidas pela especialista.

A inteligência artificial para ELA passa a atuar como instrumento de continuidade profissional. O modelo permite que conhecimento técnico e científico permaneça disponível mesmo quando a comunicação convencional se torna limitada.

Tecnologia criada para ELA amplia alcance da IA assistiva

A terceira frente do ExtensIA é o Sistema Multiagente Coordenador. A solução será integrada aos sistemas educacionais da Faculdade Unimed para apoiar tarefas como organização curricular, análise de ementas e suporte à gestão acadêmica.

A Fundação Unimed e a WorkAI desenvolveram a plataforma para atender pessoas que perderam movimentos, mas mantêm funções cognitivas preservadas. À medida que o projeto avançar além da fase beta, a tecnologia poderá alcançar pacientes com condições neurológicas semelhantes.

O modelo foi desenvolvido para que profissionais com cognição preservada continuem lecionando, orientando pesquisas e compartilhando conhecimento especializado mesmo após perderem os movimentos.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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