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Voluntariado inspira jovem a aperfeiçoar IA que busca sinais de autismo pela retina

O contato com crianças autistas levou Edward Kang, de 17 anos, a ampliar uma IA para autismo pela retina, projeto vencedor de uma das maiores competições científicas dos EUA.
Edward Kang desenvolveu uma IA que busca sinais de autismo pela retina e conquistou o segundo lugar em uma das principais competições científicas para estudantes dos Estados Unidos.
A IA que busca sinais de autismo analisa imagens da retina para identificar padrões que podem estar associados ao TEA e ao TDAH. (Foto: Society for Science / Chris Ayers Photography)

O contato com profissionais e famílias mudou a forma como Edward Kang, de 17 anos, enxergava o próprio projeto. Durante um trabalho voluntário em um centro especializado dos Estados Unidos, ele percebeu que não bastava criar uma IA que busca sinais de autismo pela retina. A experiência o levou a buscar formas de fazer com que futuras versões da tecnologia também consigam diferenciar perfis e necessidades dentro do espectro.

Batizada de RetinaMind, a ferramenta alcançou cerca de 89% de precisão nos testes iniciais. A inteligência artificial analisa imagens do fundo do olho em busca de padrões associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

O projeto conquistou o segundo lugar no Regeneron Science Talent Search 2026, uma das principais competições científicas para estudantes do ensino médio dos Estados Unidos. Edward recebeu um prêmio de US$ 175 mil, mas ressalta que a tecnologia continua em fase experimental e não substitui a avaliação realizada por profissionais de saúde.

Voluntariado mudou os rumos da IA que busca sinais de autismo

Edward já desenvolvia o RetinaMind quando começou a atuar como voluntário no Rutgers Center for Autism Research, Education and Services (RUCARES). No centro, ele acompanhou profissionais que atendem pessoas autistas e adaptam o cuidado às necessidades de cada paciente.

Até então, o estudante conhecia grande parte dessas abordagens apenas por meio de artigos científicos. Ao observar o atendimento de perto, percebeu que duas pessoas com autismo podem precisar de tipos e níveis de apoio bastante diferentes.

O contato com as famílias também ampliou sua visão sobre a pesquisa. Edward concluiu que uma ferramenta de triagem poderia oferecer informações além da indicação de possíveis sinais do transtorno e, no futuro, auxiliar pesquisadores a investigar diferenças entre perfis de pacientes.

IA que busca sinais de autismo aprende a reconhecer padrões na retina

Para treinar o sistema, Edward utilizou uma grande base pública de imagens da retina. A inteligência artificial recebeu exemplos de pessoas neurotípicas, autistas e com TDAH até aprender a reconhecer combinações de características que poderiam passar despercebidas na análise humana.

Quando recebe uma nova imagem, o RetinaMind compara os detalhes observados com os padrões aprendidos durante o treinamento. Em seguida, calcula a probabilidade de a retina apresentar características relacionadas a cada um dos três grupos analisados.

A ferramenta também gera um mapa que destaca as regiões da retina que mais influenciaram o resultado. Esse recurso ajuda os pesquisadores a entender por que o sistema chegou àquela conclusão. Além disso, Edward realizou experimentos com células da retina para investigar se as diferenças observadas nas imagens poderiam ter uma explicação biológica.

O que significa a precisão de 89%?

O índice de aproximadamente 89% de eficácia corresponde ao desempenho do RetinaMind durante os testes realizados na pesquisa. Isso significa que o sistema classificou corretamente a maior parte das imagens utilizadas no estudo.

Esse resultado, porém, não indica que a tecnologia já consiga manter o mesmo desempenho em hospitais ou consultórios. O comportamento do sistema ainda precisa ser avaliado em grupos maiores e mais diversos, com diferentes idades, características e condições de saúde.

Os pesquisadores também precisarão confirmar se os padrões encontrados na retina são realmente específicos do autismo e do TDAH ou se podem aparecer em outras condições neurológicas.

Ferramenta pode apoiar a triagem, mas não substituir especialistas

Atualmente, nenhum exame de sangue, imagem ou retina confirma sozinho o diagnóstico de autismo. A identificação considera o desenvolvimento, o comportamento, a comunicação, o histórico e as necessidades individuais de cada pessoa.

Se estudos futuros confirmarem sua eficácia, o RetinaMind poderá atuar como uma ferramenta de apoio à triagem. Na prática, o sistema ajudaria a indicar quais pessoas devem passar por uma avaliação especializada, sem substituir a decisão clínica.

Esse tipo de recurso pode beneficiar famílias que enfrentam longas filas para conseguir atendimento especializado. Embora ainda esteja distante da rotina médica, o projeto com IA mostra como a análise da retina pode contribuir para pesquisas voltadas ao desenvolvimento de formas mais rápidas e acessíveis de identificar possíveis sinais do autismo.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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