Dois jovens inventores desenvolveram um tijolo sustentável capaz de transformar construções em ferramentas de resfriamento urbano. A criação combina água da chuva, energia solar e resfriamento evaporativo para reduzir em até 9°C a temperatura em áreas abertas.
Apresentado no James Dyson Award, o projeto reúne módulos de terracota porosa, ventilação automatizada e geração própria de energia. O sistema produz a própria eletricidade e utiliza recursos naturais para operar sem ampliar o consumo energético das cidades.
A solução cria microclimas mais agradáveis em praças e espaços públicos utilizando elementos disponíveis no próprio ambiente. Para isso, aproveita a água captada durante as chuvas e a energia gerada pelo sol para alimentar o processo de resfriamento.
Mais do que um novo material de construção, a tecnologia transforma estruturas urbanas em a gentes de resfriamento ambiental. Elementos que tradicionalmente acumulam energia térmica passam a colaborar para tornar os espaços urbanos mais confortáveis.
Tijolo sustentável usa evaporação para refrescar áreas urbanas
O funcionamento do tijolo sustentável depende do resfriamento evaporativo, fenômeno que ocorre quando a água absorve energia térmica durante a evaporação. Para alcançar esse efeito, os inventores utilizaram uma estrutura de terracota porosa capaz de liberar umidade gradualmente para o ambiente.
Durante esse processo, a evaporação da água absorve parte da energia térmica do ambiente. Como resultado, a instalação ajuda a criar condições mais amenas e melhora o conforto térmico nas áreas próximas.
Além disso, ventiladores integrados distribuem o ar resfriado para áreas próximas. O sistema é alimentado por um painel fotovoltaico capaz de gerar cerca de 200 Wh por dia.
Arquitetura sustentável aproveita recursos naturais
A tecnologia foi projetada para operar com elementos disponíveis no próprio ambiente. Um sistema instalado na parte superior da estrutura capta água da chuva e direciona o volume coletado para armazenamento interno.
Segundo os dados do projeto, o tijolo que resfria cidades pode recolher uma média de 24 litros diariamente. Já em períodos com temperaturas acima de 30°C, o consumo pode chegar a aproximadamente 56 litros por dia.
A combinação entre captação hídrica e geração solar permite criar espaços mais agradáveis sem ampliar a demanda por energia convencional. Dessa forma, o equipamento oferece uma alternativa complementar para áreas urbanas expostas ao aquecimento intenso.
Infraestrutura urbana ganha função climática
Durante décadas, grande parte das estruturas urbanas colaborou para a elevação das temperaturas nas cidades. Superfícies de concreto, asfalto e outros materiais impermeáveis absorvem energia solar ao longo do dia e liberam esse calor lentamente para o ambiente.
A proposta dos jovens inventores segue uma lógica diferente. Em vez de apenas compor ruas, praças e áreas de convivência, elementos da infraestrutura passam a participar ativamente do resfriamento dos espaços urbanos.
Essa mudança amplia o papel da arquitetura sustentável nas cidades. Praças, corredores urbanos e áreas públicas podem deixar de apenas absorver energia solar e passar a criar pontos de resfriamento distribuídos pelo espaço urbano, ampliando o conforto térmico em locais frequentemente expostos a temperaturas elevadas.
