O Ministério da Saúde apresentou, no sábado (21/03), o panorama nacional da circulação dos vírus respiratórios e reforçou a vacina contra VSR como uma das principais medidas para proteger recém-nascidos durante o período de maior transmissão viral. A estratégia prevê a imunização de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.
A medida busca reduzir casos graves provocados pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por aproximadamente 75% dos episódios de bronquiolite viral aguda e por cerca de 40% das pneumonias sazonais em crianças menores de dois anos.
O levantamento também mostrou que o Brasil registrou 23.615 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a Semana Epidemiológica 11 de 2026, com 1.001 óbitos. Entre os bebês, o VSR permanece como o vírus de maior circulação.
Além da vacinação materna, o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém outras medidas preventivas destinadas aos grupos mais vulneráveis, ampliando a proteção durante a temporada de maior circulação dos vírus respiratórios.
Vacina contra VSR transfere anticorpos ainda durante a gestação
Segundo o Ministério da Saúde, a imunização estimula a produção de anticorpos pela gestante, que atravessam a placenta e chegam ao bebê antes do nascimento. Essa proteção passiva cobre justamente os primeiros meses de vida, quando o risco de complicações é mais elevado.
Os estudos apresentados pelo órgão indicam eficácia de 81,8% na prevenção de doenças graves nos primeiros 90 dias de vida e de 69,4% até os 180 dias. A recomendação é de uma dose em cada gestação, independentemente da idade materna.
A expectativa oficial é vacinar aproximadamente 2,5 milhões de gestantes por ano, fortalecendo a prevenção antes do período de maior circulação do vírus sincicial respiratório.
Dados mostram por que a proteção começa antes do nascimento
Em 2024, o Brasil notificou mais de 27 mil casos de SRAG associados ao VSR, com maior incidência entre bebês menores de seis meses, faixa etária que ainda não desenvolveu plenamente suas defesas imunológicas.
No cenário mundial, o vírus está relacionado a cerca de 100 mil mortes anuais de crianças menores de cinco anos, dado utilizado pelo Ministério da Saúde para embasar a ampliação das estratégias preventivas.
A análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também identificou crescimento da circulação do VSR em estados das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, enquanto outras unidades da federação já apresentam estabilização ou redução dos registros.
SUS amplia proteção para crianças com maior risco de complicações
Além da vacina VSR gestantes, o SUS disponibiliza o anticorpo monoclonal Nirsevimabe para bebês prematuros e crianças com comorbidades, público com maior probabilidade de desenvolver infecções respiratórias graves.
A rede pública também oferece antivirais para pacientes com gripe e para pessoas com covid-19 pertencentes aos grupos prioritários, integrando as ações previstas na Nota Técnica Conjunta nº 70/2025 para o enfrentamento da temporada de vírus respiratórios.
O conjunto dessas medidas busca reduzir hospitalizações entre crianças pequenas e fortalecer a capacidade de resposta da Rede de Atenção à Saúde durante os períodos de maior circulação viral.
