Pesquisa da Unifor explica como a luz vermelha pode aprimorar tratamentos de cicatrização

Estudo da Unifor e da UFC explica como a luz vermelha atua em diferentes células e pode orientar tratamentos de cicatrização mais precisos. A pesquisa agora disputa o Prêmio Capes de Tese 2026.
Descoberta de pesquisadores da Unifor e da UFC pode orientar tratamentos de cicatrização mais precisos ao explicar a ação da luz vermelha nas células.
Pesquisa da Unifor e da UFC mostra como a luz vermelha pode aprimorar tratamentos de cicatrização ao revelar como diferentes tipos de células respondem ao estímulo. (Foto: Dikushin Dmitry/Shutterstock)

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Fortaleza (Unifor) em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) identificou como diferentes tipos de células respondem à luz vermelha. A descoberta ajuda a explicar um mecanismo que ainda era pouco compreendido pela ciência e poderá orientar tratamentos de cicatrização mais precisos.

A terapia com luz vermelha já é utilizada em diferentes áreas da saúde para estimular a reparação de tecidos e auxiliar no tratamento de algumas condições clínicas. No entanto, os mecanismos responsáveis por seus efeitos sobre as células ainda não são totalmente conhecidos, o que dificulta a definição dos protocolos mais adequados para cada paciente.

Ao mostrar que cada tipo de célula reage de forma diferente ao estímulo luminoso, a pesquisa amplia a compreensão sobre essa terapia e fornece informações que poderão orientar ajustes na intensidade e no tempo de aplicação conforme o tecido tratado.

Na prática, esse conhecimento pode ajudar profissionais de saúde a definir protocolos mais adequados para cada situação clínica, aumentando a precisão dos tratamentos de cicatrização. A técnica também vem sendo estudada para aplicações como alívio da dor e reabilitação.

O que a pesquisa descobriu

Para investigar esse processo, os pesquisadores analisaram como diferentes células reagem à absorção da luz vermelha. Eles combinaram microscopia de força atômica, capaz de medir as propriedades mecânicas das células, com espectrometria de massas, técnica que identifica as proteínas produzidas após o estímulo luminoso.

Os resultados mostraram que a resposta depende do tipo de célula. Os fibroblastos, fundamentais para a cicatrização, ficaram mais fluidos e móveis após a exposição à luz. Já os queratinócitos, presentes na camada superficial da pele, responderam de acordo com a dose aplicada. Nos osteoblastos, responsáveis pela formação dos ossos, as alterações foram discretas.

Essas diferenças ajudam a explicar por que um mesmo protocolo pode produzir resultados distintos dependendo do tecido tratado. A investigação também identificou mudanças em proteínas ligadas à produção de energia e ao citoesqueleto, estrutura que dá sustentação às células. Essas descobertas esclarecem efeitos que antes eram observados principalmente na prática clínica, mas ainda não tinham uma explicação detalhada sobre o que acontecia dentro das células.

Como a descoberta pode beneficiar pacientes

Hoje, a terapia com luz vermelha já é utilizada para estimular a cicatrização, aliviar dores e auxiliar na reabilitação. Como cada tecido reage de forma diferente ao estímulo luminoso, definir a intensidade e o tempo de aplicação ainda representa um desafio para profissionais de saúde.

A nova pesquisa fornece informações que poderão orientar esses ajustes com mais precisão. Isso poderá ajudar médicos e outros profissionais a definir protocolos mais adequados para tratamentos de cicatrização, controle da inflamação, alívio da dor e reabilitação, respeitando as características de cada tecido e de cada situação clínica.

A equipe já iniciou uma nova etapa da pesquisa utilizando modelos tridimensionais de cultura celular, conhecidos como esferoides. Esses modelos reproduzem melhor as condições dos tecidos humanos e devem aproximar os resultados obtidos em laboratório da futura aplicação clínica.

Reconhecimento destaca parceria entre Unifor e UFC

A tese foi desenvolvida pelo pesquisador Antônio Vinnie dos Santos, sob orientação do professor Jeanlex Soares de Sousa, da UFC, e coorientação do pesquisador Felipe Domingos de Sousa, do Núcleo de Biologia Experimental (Nubex) da Unifor.

O trabalho foi selecionado para representar o Programa de Pós-Graduação em Física da UFC no Prêmio Capes de Tese 2026, um dos principais reconhecimentos da pós-graduação brasileira. A pesquisa também originou um artigo publicado na revista científica Small, referência internacional em nanociência, ciência dos materiais, física, química, biologia e medicina.

Embora novos estudos ainda sejam necessários antes da aplicação clínica em larga escala, a descoberta oferece uma base científica para que os tratamentos com luz vermelha deixem de seguir protocolos mais genéricos e possam ser ajustados de acordo com a resposta de cada tecido. Esse avanço pode tornar os tratamentos de cicatrização mais precisos e contribuir para novas aplicações da terapia em outras áreas da saúde.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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