Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Fortaleza (Unifor) em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) identificou como diferentes tipos de células respondem à luz vermelha. A descoberta ajuda a explicar um mecanismo que ainda era pouco compreendido pela ciência e poderá orientar tratamentos de cicatrização mais precisos.
A terapia com luz vermelha já é utilizada em diferentes áreas da saúde para estimular a reparação de tecidos e auxiliar no tratamento de algumas condições clínicas. No entanto, os mecanismos responsáveis por seus efeitos sobre as células ainda não são totalmente conhecidos, o que dificulta a definição dos protocolos mais adequados para cada paciente.
Ao mostrar que cada tipo de célula reage de forma diferente ao estímulo luminoso, a pesquisa amplia a compreensão sobre essa terapia e fornece informações que poderão orientar ajustes na intensidade e no tempo de aplicação conforme o tecido tratado.
Na prática, esse conhecimento pode ajudar profissionais de saúde a definir protocolos mais adequados para cada situação clínica, aumentando a precisão dos tratamentos de cicatrização. A técnica também vem sendo estudada para aplicações como alívio da dor e reabilitação.
O que a pesquisa descobriu
Para investigar esse processo, os pesquisadores analisaram como diferentes células reagem à absorção da luz vermelha. Eles combinaram microscopia de força atômica, capaz de medir as propriedades mecânicas das células, com espectrometria de massas, técnica que identifica as proteínas produzidas após o estímulo luminoso.
Os resultados mostraram que a resposta depende do tipo de célula. Os fibroblastos, fundamentais para a cicatrização, ficaram mais fluidos e móveis após a exposição à luz. Já os queratinócitos, presentes na camada superficial da pele, responderam de acordo com a dose aplicada. Nos osteoblastos, responsáveis pela formação dos ossos, as alterações foram discretas.
Essas diferenças ajudam a explicar por que um mesmo protocolo pode produzir resultados distintos dependendo do tecido tratado. A investigação também identificou mudanças em proteínas ligadas à produção de energia e ao citoesqueleto, estrutura que dá sustentação às células. Essas descobertas esclarecem efeitos que antes eram observados principalmente na prática clínica, mas ainda não tinham uma explicação detalhada sobre o que acontecia dentro das células.
Como a descoberta pode beneficiar pacientes
Hoje, a terapia com luz vermelha já é utilizada para estimular a cicatrização, aliviar dores e auxiliar na reabilitação. Como cada tecido reage de forma diferente ao estímulo luminoso, definir a intensidade e o tempo de aplicação ainda representa um desafio para profissionais de saúde.
A nova pesquisa fornece informações que poderão orientar esses ajustes com mais precisão. Isso poderá ajudar médicos e outros profissionais a definir protocolos mais adequados para tratamentos de cicatrização, controle da inflamação, alívio da dor e reabilitação, respeitando as características de cada tecido e de cada situação clínica.
A equipe já iniciou uma nova etapa da pesquisa utilizando modelos tridimensionais de cultura celular, conhecidos como esferoides. Esses modelos reproduzem melhor as condições dos tecidos humanos e devem aproximar os resultados obtidos em laboratório da futura aplicação clínica.
Reconhecimento destaca parceria entre Unifor e UFC
A tese foi desenvolvida pelo pesquisador Antônio Vinnie dos Santos, sob orientação do professor Jeanlex Soares de Sousa, da UFC, e coorientação do pesquisador Felipe Domingos de Sousa, do Núcleo de Biologia Experimental (Nubex) da Unifor.
O trabalho foi selecionado para representar o Programa de Pós-Graduação em Física da UFC no Prêmio Capes de Tese 2026, um dos principais reconhecimentos da pós-graduação brasileira. A pesquisa também originou um artigo publicado na revista científica Small, referência internacional em nanociência, ciência dos materiais, física, química, biologia e medicina.
Embora novos estudos ainda sejam necessários antes da aplicação clínica em larga escala, a descoberta oferece uma base científica para que os tratamentos com luz vermelha deixem de seguir protocolos mais genéricos e possam ser ajustados de acordo com a resposta de cada tecido. Esse avanço pode tornar os tratamentos de cicatrização mais precisos e contribuir para novas aplicações da terapia em outras áreas da saúde.
