Pesquisa sobre câncer revela como a doença se espalha e abre caminho para futuras terapias

Estudo da Unifesp mostrou como células tumorais conseguem escapar de um mecanismo natural de defesa do organismo. A descoberta pode orientar futuras estratégias para impedir o avanço da doença.
Uma pesquisa sobre câncer da Unifesp identificou um mecanismo que ajuda células tumorais a sobreviver e se espalhar pelo organismo, descoberta que pode orientar futuras terapias contra a doença.
A pesquisa sobre câncer ajuda a explicar como algumas células conseguem escapar das defesas naturais do organismo e abre uma nova frente para o desenvolvimento de tratamentos mais específicos no futuro. (Foto: imagem gerada por IA)

Uma pesquisa sobre câncer realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou um mecanismo que pode orientar o desenvolvimento de futuras terapias para dificultar a disseminação da doença. Nos experimentos, os cientistas descobriram como algumas células tumorais conseguem escapar de uma defesa natural do organismo e mostraram que o bloqueio desse processo interrompe essa vantagem biológica.

O estudo revelou que esse comportamento está ligado à proteína SDC4, encontrada na superfície das células. Quando essa molécula foi bloqueada em laboratório, as células perderam a capacidade de sobreviver após se desprenderem do tecido de origem, condição associada à formação de metástases.

Publicados na revista científica Cytotechnology, os resultados ajudam a explicar um dos processos que permitem ao câncer se espalhar pelo organismo. Embora a pesquisa ainda precise ser validada em células humanas, ela abre uma nova linha de investigação para o desenvolvimento de tratamentos mais específicos.

Pesquisa sobre câncer explica como surgem as metástases

O organismo possui um sistema de proteção que elimina células quando elas se desprendem do tecido onde nasceram. Dessa forma, impede que elas sobrevivam e circulem livremente pelo corpo.

A pesquisa sobre câncer mostrou que algumas células tumorais conseguem contornar essa barreira natural. Segundo os pesquisadores, a proteína SDC4 funciona como uma espécie de proteção que permite a sobrevivência dessas células durante o deslocamento pelo organismo, aumentando a possibilidade de atingirem outros órgãos.

Ao bloquear a ação dessa proteína, os cientistas observaram que as células perderam a capacidade de permanecer vivas fora do tecido original e voltaram a depender da adesão ao tecido para sobreviver.

Proteína SDC4 também reduziu a multiplicação das células

Além de dificultar a sobrevivência das células tumorais, o bloqueio da SDC4 interrompeu parte do processo de multiplicação celular. Os pesquisadores verificaram a ativação de um mecanismo natural que freia a divisão das células e o reequilíbrio de proteínas responsáveis por controlar esse ciclo.

Segundo a professora Carla Cristina Lopes, autora correspondente do estudo, a proteína SDC4 pode se tornar um alvo para futuras terapias e servir como marcador para acompanhar a evolução de determinados tumores.

Apesar dos resultados promissores, a equipe ressalta que realizou os experimentos apenas em células de laboratório. Antes de qualquer aplicação clínica, será necessário confirmar os efeitos em células humanas e avançar para novas etapas de pesquisa.

Descoberta já inspira novas pesquisas

A pesquisa sobre câncer também abriu novas linhas de investigação na Unifesp. Uma delas investiga se o canabidiol (CBD) pode influenciar a atividade da proteína SDC4. A equipe também avalia se o composto interfere nos mecanismos biológicos relacionados ao crescimento das células tumorais. Essa linha de pesquisa ainda está em fase inicial.

Essa etapa ainda está no início e não permite concluir que o composto tenha efeito contra o câncer. O principal avanço do estudo foi identificar um mecanismo que ajuda a explicar como o câncer se espalha pelo organismo. A descoberta abre uma nova linha de investigação e poderá orientar, no futuro, o desenvolvimento de terapias mais específicas para dificultar a formação de metástases.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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