Receber um golpe pelo Pix pode deixar de significar a perda definitiva do dinheiro. O Banco Central ampliou, nesta quarta-feira (05/0-) o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora passa a rastrear o caminho dos recursos entre diferentes contas usadas em fraudes. A mudança aumenta as chances de localizar valores, bloqueá-los e devolvê-los às vítimas antes que desapareçam do sistema financeiro.
Até então, o rastreamento normalmente terminava na primeira conta que recebia o dinheiro da fraude. Como os criminosos costumam transferir os valores para outras contas em poucos minutos, as chances de recuperação diminuíam rapidamente. Com a atualização, o sistema passa a acompanhar essas movimentações, ampliando a possibilidade de bloqueio e devolução dos recursos.
Segurança do Pix passa a acompanhar o caminho do dinheiro
Até então, o rastreamento normalmente ficava restrito à primeira conta que recebeu o valor da fraude. Os golpistas, porém, costumavam fazer novas transferências em poucos minutos para dificultar a recuperação.
Com a atualização, o sistema passa a acompanhar essas movimentações entre diferentes instituições financeiras. Assim, o sistema poderá identificar saldo disponível nas contas envolvidas na fraude, permitindo que as instituições financeiras bloqueiem os recursos e os devolvam ao verdadeiro dono.
A mudança faz parte de um pacote de medidas desenvolvido pelo Banco Central para reduzir os prejuízos causados por golpes eletrônicos.
Como funcionava o MED antes e o que muda agora
As novas regras representam uma evolução do Mecanismo Especial de Devolução, criado para facilitar a recuperação de valores transferidos por meio de fraudes.
Antes da atualização, o procedimento concentrava a análise principalmente na primeira conta que recebia o dinheiro. Como os criminosos costumam transferir rapidamente os recursos para outras contas, muitas tentativas de bloqueio chegavam tarde demais.
Com a mudança, o rastreamento passa a acompanhar o percurso do dinheiro entre diferentes instituições financeiras, aumentando as possibilidades de localizar valores que ainda permaneçam disponíveis.
| Antes | Agora |
|---|---|
| Rastreamento concentrado na primeira conta receptora | Rastreamento acompanha a movimentação entre diferentes contas |
| Menor possibilidade de localizar recursos | Maior chance de identificar valores ainda disponíveis |
| Compartilhamento mais limitado de informações | Cooperação ampliada entre as instituições financeiras durante a análise da fraude |
Como funciona o MED e por que ele nem sempre recupera todo o dinheiro
O MED foi criado para atender casos de fraude, golpe ou crime envolvendo o Pix. Ele não se aplica a situações como arrependimento de compra, desacordos comerciais ou erros em negociações entre as partes.
Mesmo com as novas ferramentas de rastreamento, a devolução dos recursos não é automática. A recuperação depende da confirmação da fraude e da existência de saldo nas contas envolvidas quando a análise é realizada.
O prazo para solicitar a abertura do mecanismo continua sendo de até 80 dias após a transferência.
Por que os criminosos espalham o dinheiro entre várias contas
Organizações criminosas transferem rapidamente o dinheiro para diversas contas bancárias. Essa estratégia dificulta o rastreamento e reduz as chances de bloqueio antes que os recursos sejam sacados ou convertidos em outros ativos.
A ampliação do MED foi desenvolvida justamente para enfrentar esse tipo de prática. Agora, o sistema consegue acompanhar o caminho percorrido pelos recursos entre diferentes instituições financeiras, ampliando as possibilidades de localizar parte do dinheiro antes que ele desapareça completamente.
Usuários podem solicitar o MED diretamente pelo aplicativo
Outra novidade é que os bancos passam a oferecer a solicitação do MED diretamente em seus aplicativos. Dessa forma, a vítima consegue comunicar a fraude com mais rapidez, sem depender do atendimento telefônico ou presencial.
Quanto antes o pedido for registrado, maiores são as chances de recuperar o dinheiro.
O Banco Central orienta que o usuário informe a fraude imediatamente após perceber a movimentação suspeita. O prazo máximo para solicitar a abertura do mecanismo continua sendo de 80 dias depois da transferência.
O que fazer imediatamente após perceber um golpe no Pix
Especialistas e o Banco Central recomendam agir rapidamente para aumentar as chances de recuperação dos recursos. As principais orientações são:
- comunicar imediatamente o banco ou instituição financeira;
- solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED);
- registrar boletim de ocorrência, quando cabível;
- guardar comprovantes, mensagens e demais evidências da fraude;
- evitar negociar diretamente com o golpista ou realizar novos pagamentos.
Linha do tempo da evolução da segurança do Pix
Desde o lançamento do sistema, o Banco Central vem ampliando os mecanismos de proteção contra fraudes.
2020 – Lançamento do Pix como sistema de pagamentos instantâneos.
2021 – Criação do Mecanismo Especial de Devolução (MED) para casos de fraude.
2022 – Implantação de medidas como limites noturnos e aperfeiçoamento dos mecanismos de prevenção a golpes.
2023 a 2025 – Ampliação das ferramentas de monitoramento de transações suspeitas e do compartilhamento de informações entre instituições financeiras.
2026 – O MED passa a rastrear o caminho do dinheiro entre diferentes contas utilizadas em fraudes, aumentando as possibilidades de bloqueio e devolução dos recursos.
Medidas acontecem sem mudar a rotina de quem usa o Pix
Embora a tecnologia tenha sido reforçada, a experiência de quem utiliza o Pix permanece a mesma. Não será necessário cadastrar novas chaves, instalar aplicativos ou alterar a forma de fazer transferências.
As mudanças ocorrem nos sistemas das instituições financeiras, que passam a compartilhar informações de maneira mais eficiente durante as investigações de fraudes.
Segundo o Banco Central, o objetivo é tornar a segurança do Pix mais eficiente sem comprometer a rapidez e a praticidade que fizeram do sistema um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros.
O Banco Central também reforça que o MED não garante automaticamente a devolução do dinheiro. A recuperação depende da confirmação da fraude e da existência de recursos disponíveis nas contas envolvidas quando o rastreamento é realizado.
Para os usuários, a principal recomendação continua sendo agir rapidamente ao identificar um golpe. Quanto mais cedo a fraude for comunicada ao banco, maiores serão as possibilidades de bloqueio e devolução dos recursos antes que eles sejam totalmente movimentados.