20 anos depois, Lei Maria da Penha faz Justiça responder no mesmo dia em 85% dos casos

Aos 20 anos, a Lei Maria da Penha chega à data com 85% dos pedidos de proteção recebendo primeira decisão judicial em até 24 horas.
Imagem ilustrativa sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção às mulheres.
Lei Maria da Penha completa 20 anos com 85% dos pedidos de medidas protetivas analisados em até 24 horas.(Foto: imagem gerada por IA)

A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (07/08) com um resultado que ajuda a dimensionar como a proteção às mulheres avançou desde 2006. Hoje, 85% dos pedidos de medidas protetivas recebem a primeira resposta judicial em até 24 horas.

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O percentual considera os 12 meses encerrados em maio de 2026 e representa o melhor resultado de celeridade da série histórica acompanhada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao todo, o Judiciário proferiu 675.969 decisões sobre esses pedidos no período.

Isso significa que aproximadamente 1,8 mil medidas foram analisadas por dia, segundo o CNJ. A rapidez é especialmente relevante porque esses pedidos são usados em situações nas quais uma mulher busca proteção diante de violência doméstica e familiar.

A marca chega justamente quando a Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, completa duas décadas. Nesse período, a legislação ganhou novos mecanismos e passou por mudanças que alcançam desde a proteção imediata até formas de acompanhar agressores.

Lei Maria da Penha chega aos 20 anos com resposta mais rápida

A própria legislação estabelece prazo para a análise judicial. Depois que o pedido de medida protetiva chega ao Judiciário, a autoridade judicial deve decidir sobre ele em até 48 horas.

Os dados mais recentes mostram que a maioria das primeiras decisões está acontecendo antes desse limite. Mais de oito em cada dez pedidos tiveram resposta em até 24 horas no período analisado pelo CNJ.

A medida protetiva pode impor restrições ao agressor para proteger a mulher. Dependendo do caso e da decisão judicial, as providências previstas na legislação incluem afastamento do lar e proibição de aproximação ou contato.

O resultado não significa, porém, que o enfrentamento à violência doméstica esteja concluído. Ele mede especificamente a velocidade da primeira resposta judicial aos pedidos de proteção, e não o desfecho dos processos nem a eficácia de cada medida depois de concedida.

Proteção ganhou novos mecanismos em 2026

No ano em que completa duas décadas, a Lei Maria da Penha também recebeu mudanças em seus mecanismos de proteção.

Em abril, uma nova lei estabeleceu a monitoração eletrônica de agressores como medida protetiva autônoma e definiu critérios de prioridade para o acompanhamento. A legislação também prevê unidade portátil de rastreamento para a mulher em situações abrangidas pela norma.

Outra mudança entrou em vigor em maio. Medidas protetivas de natureza civil passaram a constituir título executivo judicial de pleno direito, dispensando a necessidade de propor uma ação principal para sua execução.

Também em maio, a legislação passou a prever expressamente riscos à integridade sexual, moral ou patrimonial da mulher ou de seus dependentes entre as situações que podem fundamentar o afastamento imediato do agressor.

O que mudou na proteção às mulheres ao longo dos anos

Um levantamento do Boa Notícia Brasil sobre alterações feitas na Lei Maria da Penha mostra que a proteção criada em 2006 recebeu novos instrumentos ao longo das duas décadas seguintes.

Em 2018, por exemplo, o descumprimento de medidas protetivas passou a constituir crime específico. A mudança criou uma consequência penal própria para quem desobedece uma decisão judicial destinada a proteger a mulher.

Em 2022, outra alteração determinou o registro imediato das medidas protetivas concedidas em banco de dados mantido pelo CNJ. As informações passaram a ficar disponíveis para órgãos como Ministério Público, Defensoria Pública e forças de segurança.

A legislação avançou novamente em 2023. Desde então, as medidas protetivas podem ser concedidas independentemente da existência de inquérito policial, ação judicial ou boletim de ocorrência, desde que a autoridade identifique uma situação de risco.

Cinco mudanças ajudam a mostrar a evolução da lei

A análise das alterações feitas ao longo dos anos revela que a evolução da Lei Maria da Penha não ocorreu por uma única reforma. As mudanças atingiram diferentes etapas da proteção oferecida às mulheres.

Entre os marcos identificados pelo levantamento estão a criação do crime de descumprimento da medida protetiva, o registro nacional das decisões, a possibilidade de concessão da proteção independentemente de outros procedimentos e o uso de monitoramento eletrônico.

As alterações de 2026 acrescentaram novos mecanismos a esse conjunto. A monitoração eletrônica ganhou regras próprias, enquanto medidas de natureza civil passaram a ter execução direta como título judicial.

O levantamento mostra, portanto, uma mudança progressiva na estrutura criada em 2006. Ao longo de 20 anos, novas regras alteraram a forma de conceder, registrar, fiscalizar e executar as medidas de proteção.

Por que decidir rápido faz diferença na proteção

O prazo da primeira resposta judicial é um dos pontos mais sensíveis do funcionamento das medidas protetivas. O pedido costuma chegar ao Judiciário quando já existe uma situação de risco relatada pela mulher.

Uma decisão rápida pode determinar, por exemplo, o afastamento do agressor da residência ou impedir que ele se aproxime da vítima. Por isso, reduzir o tempo entre o pedido e a análise judicial é uma parte concreta do sistema de proteção.

Ao mesmo tempo, a velocidade da decisão representa apenas uma etapa. Depois da concessão, o cumprimento e a fiscalização das medidas continuam sendo fundamentais para que a proteção determinada pela Justiça funcione na prática.

Duas décadas de uma lei criada para proteger mulheres

A Lei nº 11.340 recebeu o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, cuja história de violência doméstica e busca por responsabilização tornou-se referência na luta pelos direitos das mulheres no Brasil.

Desde 2006, a legislação estabeleceu mecanismos específicos para prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao longo dos anos, novas leis acrescentaram instrumentos a essa estrutura.

Aos 20 anos, o indicador do CNJ oferece uma medida concreta de parte desse sistema em funcionamento: de 675.969 primeiras decisões registradas em 12 meses, 85% ocorreram em até um dia.

Para uma mulher que precisa recorrer à Lei Maria da Penha, esse é o efeito prático do avanço registrado: na grande maioria dos pedidos analisados pelo levantamento, a primeira decisão sobre a proteção chega antes das 48 horas previstas na legislação.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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