Freira de SC pode virar santa pelo Vaticano após décadas dedicadas à saúde comunitária

A possível beatificação da irmã Paulina Sens resgata a trajetória de uma freira catarinense que dedicou décadas ao atendimento hospitalar e marcou gerações de famílias em Ituporanga.
Irmã Paulina Sens, freira de SC que pode virar santa após trajetória dedicada à saúde comunitária
Irmã Paulina Sens dedicou décadas ao atendimento hospitalar em Ituporanga e pode ter processo de beatificação iniciado pela Igreja Católica. (Foto: Hospital Bom Jesus)

A possibilidade de a irmã Paulina Sens ser reconhecida como santa pelo Vaticano colocou em evidência uma trajetória marcada pelo atendimento de pacientes, pelo apoio a famílias e pela atuação em um período em que hospitais do interior dependiam fortemente do trabalho de religiosas. A freira de Santa Catarina (SC) pode virar santa após décadas de dedicação que transformaram a religiosa em referência de acolhimento e assistência hospitalar em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí.

Com autorização da Diocese de Rio do Sul para os primeiros encaminhamentos da causa de beatificação, a comunidade começou a reunir documentos, relatos e testemunhos ligados à trajetória da religiosa. Na tradição católica, esse reconhecimento costuma surgir espontaneamente entre os fiéis antes mesmo de qualquer validação oficial do Vaticano.

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A expectativa é que o início formal do processo ocorra em 22 de junho, data que marca os 24 anos da morte da religiosa.

A mobilização em torno da irmã Paulina Sens ganhou força entre pacientes, famílias e profissionais que conviveram com ela no Hospital Bom Jesus ao longo de décadas.

Quem foi a freira de SC que pode virar santa

Natural de Angelina, em Santa Catarina, irmã Paulina Sens integrou a Congregação das Irmãs Franciscanas de São José e dedicou praticamente toda a vida ao atendimento em saúde e ao trabalho comunitário.

A religiosa catarinense trabalhou em cidades como Blumenau, Witmarsum e Presidente Getúlio, mas foi em Ituporanga que consolidou o legado mais lembrado pela população. Formada em enfermagem no Paraná, a freira enfermeira atuou durante décadas no Hospital Bom Jesus, especialmente no setor de obstetrícia.

Segundo os registros apresentados pela Diocese de Rio do Sul, foram 58 anos de vida religiosa ligados ao atendimento de pacientes e ao apoio às famílias atendidas pela instituição hospitalar.

A história da freira de SC pode virar santa ganhou força justamente porque o reconhecimento popular não surgiu apenas da atuação religiosa, mas da convivência diária com pessoas atendidas por ela no hospital.

Em cidades pequenas, profissionais da saúde costumam criar vínculos diretos com diferentes gerações de uma mesma família, fator que ajuda a explicar a permanência da memória coletiva sobre irmã Paulina Sens mais de duas décadas após sua morte.

Moradores da região passaram a associar a imagem da religiosa ao acolhimento e ao atendimento dedicado aos pacientes, elementos considerados relevantes nos processos de investigação da Igreja Católica.

Como funciona a beatificação na Igreja Católica

A beatificação é a etapa em que a Igreja Católica reconhece oficialmente que uma pessoa viveu virtudes consideradas exemplares. Antes disso, a Igreja investiga documentos, testemunhos e possíveis milagres ligados ao candidato.

O reconhecimento oficial de santidade ocorre em diferentes etapas. A primeira delas é a abertura da investigação sobre a vida, as virtudes e a reputação pública da pessoa indicada.

Nesta fase, a Igreja reúne escritos, documentos, objetos pessoais e testemunhos de quem conviveu com o candidato à beatificação. O objetivo é analisar se existe uma reputação consistente de fé e exemplo cristão, conhecida como “fama de santidade”.

Se o Vaticano aceitar oficialmente a abertura da causa, irmã Paulina Sens poderá receber inicialmente o título de “Serva de Deus”, primeiro reconhecimento formal dentro do processo de santidade católico.

Depois da investigação local, o material pode ser encaminhado ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano.

Se houver reconhecimento das virtudes heroicas, o candidato passa a receber o título de venerável. Para a beatificação, ainda é necessária a comprovação de um milagre atribuído à intercessão da pessoa investigada.

Já a canonização é a etapa final que reconhece oficialmente um santo da Igreja Católica.

O Brasil possui poucos santos oficialmente canonizados pelo Vaticano, cenário que torna raros os processos de beatificação ligados a comunidades do interior do país.

No caso da religiosa de SC que pode virar santa, a Diocese de Rio do Sul já autorizou os primeiros encaminhamentos da causa.

Por que a freira ficou marcada em Ituporanga

A trajetória da irmã Paulina Sens permaneceu viva na memória da comunidade principalmente pela relação construída com pacientes e famílias atendidas no Hospital Bom Jesus.

Em muitas cidades do interior, hospitais filantrópicos ligados à Igreja Católica foram durante décadas a principal referência de atendimento médico para a população, especialmente antes da ampliação das redes públicas de saúde.

Nesse contexto, religiosas exerciam funções ligadas à enfermagem, acolhimento de pacientes, assistência social e administração hospitalar.

O caso da freira catarinense rumo à beatificação também resgata o papel histórico de mulheres religiosas que ajudaram a sustentar serviços hospitalares em regiões do interior brasileiro.

Mais do que um processo religioso, a possível beatificação da irmã Paulina Sens recoloca em evidência histórias de profissionais que permaneceram na memória coletiva por décadas após atuarem diretamente no cuidado de comunidades inteiras.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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