A compra e o delivery de um medicamento poderá ficar mais simples com a entrada de grandes aplicativos nesse tipo de operação. A Anvisa derrubou nesta segunda-feira (10/08) restrições que atingiam plataformas como iFood e Mercado Livre, abrindo caminho para que mais farmácias utilizem esses canais para chegar ao consumidor.
Na prática, a mudança pode aumentar as opções na hora de procurar um remédio pelo celular e escolher como recebê-lo. O consumidor poderá encontrar farmácias por meio de plataformas que já utiliza para outras compras, desde que o estabelecimento responsável pela venda esteja regularizado.
Isso não significa que iFood, Mercado Livre ou outros aplicativos tenham virado farmácias ou que qualquer medicamento possa ser comprado sem controle. Receitas, responsabilidade pela dispensação e demais exigências sanitárias continuam valendo.
A decisão da Anvisa alcança medidas que restringiam a comercialização, distribuição, delivery ou propaganda de medicamentos nesses canais digitais. Ela ocorre após uma mudança na legislação brasileira que passou a prever expressamente a participação de plataformas de comércio eletrônico na logística e na entrega de produtos vendidos por farmácias e drogarias licenciadas.
Mais opções para compra e delivery medicamentos pelo celular
Para quem já usa aplicativos para compras do dia a dia, a principal diferença poderá ser encontrar mais farmácias e opções de entrega dentro de plataformas conhecidas. Em vez de depender apenas dos canais próprios das redes, o consumidor poderá ter outros caminhos para localizar e receber o produto de que precisa.
A mudança também pode facilitar a comparação entre estabelecimentos disponíveis em uma mesma plataforma. A oferta efetiva, no entanto, dependerá das parcerias firmadas entre os aplicativos e as farmácias e da disponibilidade do serviço em cada região.
Por isso, a decisão da Anvisa não significa que todos os medicamentos aparecerão imediatamente no iFood ou no Mercado Livre em todo o Brasil. Ela retira restrições que impediam esse modelo e permite que as empresas organizem suas operações de acordo com as regras sanitárias.
Farmácia continua responsável pelo remédio vendido
Mesmo quando o pedido passa por um aplicativo, é a farmácia ou drogaria regularizada que permanece responsável pela venda e pela dispensação do medicamento.
Para o consumidor, essa diferença funciona também como uma proteção. A entrada de uma plataforma no caminho entre a farmácia e a casa do cliente não elimina exigências relacionadas à procedência do produto, às condições adequadas de transporte e à necessidade de receita quando ela for obrigatória.
Antes de fazer o pedido, vale observar qual estabelecimento aparece como responsável pela venda. O aplicativo funciona como canal para conectar as partes e participar da operação, mas não substitui a farmácia nas obrigações sanitárias.
Medicamentos com receita continuam exigindo controle
A facilidade de receber um remédio em casa também não elimina a necessidade de apresentar receita nos casos previstos pela legislação. O consumidor continua sujeito às mesmas exigências que teria ao procurar o produto diretamente em uma farmácia.
Medicamentos sujeitos a controle especial merecem atenção adicional. A Anvisa permite desde 2023 a entrega remota desses produtos, mas manteve os procedimentos de conferência da prescrição, retenção de documentos e registros exigidos para cada categoria.
Isso significa que receber em casa e comprar livremente pela internet são situações diferentes. A conveniência da entrega não afasta os controles aplicáveis ao medicamento.
O que mudou para iFood, Mercado Livre e outros apps
A mudança que tornou esse cenário possível começou em março, com a Lei 15.357/2026. A legislação passou a permitir expressamente que farmácias e drogarias licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para participar da logística e da entrega de medicamentos.
Nesta segunda-feira, a Anvisa avançou na adequação desse cenário ao revogar medidas anteriores que atingiam plataformas digitais. Entre as empresas alcançadas estão iFood, Mercado Livre, Rappi, Americanas e Submarino. Uma restrição relacionada à Shopee já havia sido revogada na semana anterior.
Para quem compra, o resultado mais importante não está na mudança jurídica em si, mas no que ela permite daqui para frente: mais canais podem conectar consumidores a farmácias regularizadas e levar o medicamento até a casa do cliente, sem retirar as proteções sanitárias que acompanham esse tipo de produto.