Fazer o teste para câncer de intestino pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ficará mais simples com a adoção do Teste Imunoquímico Fecal (FIT). O exame utiliza uma única amostra de fezes e não exige dieta especial nem preparo intestinal antes da coleta.
O novo método será usado no rastreamento de homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas. O objetivo é procurar pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, invisíveis a olho nu, que podem estar relacionadas a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer.
A mudança é especialmente prática porque o paciente recebe um kit e pode fazer a coleta em casa. Depois, a amostra segue para análise em laboratório. O FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, diferentemente de métodos mais antigos.
O Ministério da Saúde anunciou o novo protocolo em maio, com implementação prevista para o segundo semestre de 2026. A etapa operacional avança agora, nesta segunda-feira (10/08), com o procedimento previsto para começar a ser registrado nos sistemas do SUS a partir de setembro.
Teste para câncer de intestino dispensa preparo
Para quem participa do rastreamento, uma das principais diferenças está no que não será necessário fazer. O FIT dispensa preparo intestinal e restrições alimentares antes da coleta.
Também basta uma única amostra. Essas características tornam o procedimento menos invasivo e reduzem etapas que poderiam dificultar a participação no rastreamento.
Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade de 85% a 92% para identificar possíveis alterações. Isso não significa, porém, que um resultado positivo seja um diagnóstico de câncer.
Resultado positivo precisa de investigação
Quando o FIT encontra sangue oculto, o paciente deve seguir para exames complementares. Entre eles está a colonoscopia, que permite visualizar o cólon e o reto e investigar a origem da alteração.
A colonoscopia também possibilita retirar pólipos durante o procedimento. Algumas dessas lesões podem evoluir para câncer, por isso identificá-las e removê-las faz parte da estratégia de prevenção e diagnóstico precoce.
O novo protocolo pretende alcançar uma população potencial de mais de 40 milhões de brasileiros entre 50 e 75 anos. O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no país, e o INCA estima 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.
A entrada do FIT no rastreamento do SUS cria, assim, uma porta de entrada mais simples para procurar alterações antes do aparecimento de sintomas. A disponibilidade efetiva dependerá da organização da oferta pelos serviços de saúde à medida que o novo protocolo for implementado.