A maior nota do mundo na Olimpíada de Economia não veio, segundo o próprio campeão, de fórmulas complexas nem de estratégias mirabolantes. Para Arthur Alencar Spuri, de 16 anos, o resultado começou com o “feijão com arroz”: dominar os conceitos básicos antes de avançar para conteúdos mais difíceis. Foi essa estratégia que levou o estudante ao primeiro lugar mundial na competição realizada na China.
Aluno do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Farias Brito, em Fortaleza, Arthur somou 199,469 pontos, a maior pontuação entre mais de 260 participantes de diversos países. Além do ouro individual, integrou a equipe vencedora da prova Business Case, em que os participantes apresentam soluções para um problema econômico ou empresarial.
A conquista coroou uma trajetória construída ao longo de vários anos em olimpíadas científicas e consolidou o brasileiro entre os principais talentos da competição internacional.
Por que o campeão começou pelos conceitos básicos
Mesmo depois de conquistar o topo da Olimpíada de Economia, Arthur afirma que nunca deixou de priorizar os fundamentos durante a preparação. Segundo ele, muitos estudantes direcionam quase todo o tempo aos temas mais complexos, quando boa parte das questões avalia justamente o domínio dos conteúdos essenciais.
Por isso, o principal conselho para quem pretende disputar futuras edições é fortalecer a base antes de buscar assuntos mais avançados.
“As Olimpíadas, no geral, cobram os conceitos mais avançados, claro. Mas a grande maioria das questões é de conceitos básicos. Só o fato de você ter isso garantido ajuda muito”, diz ao DN. É essa preparação que ele costuma resumir como um “arroz com feijão bem feito”.
As provas antigas fizeram parte da preparação desde criança
Arthur começou a participar de olimpíadas estudantis ainda no 3º ano do Ensino Fundamental, logo após a mudança da família de São Paulo para o Ceará. O incentivo veio do pai, Osvaldo, que trabalhava no mercado financeiro e costumava resolver provas antigas ao lado do filho.
Antes de cada competição, Arthur acrescentava cerca de uma hora de estudos depois das atividades da escola. Como treinava junto com o pai, conta que enxergava as provas como um desafio divertido, e não como uma obrigação.
Ao longo da trajetória, participou de olimpíadas de Matemática, Física, Astronomia, Informática e Economia. Na competição internacional de Economia, a evolução foi constante: conquistou bronze em 2024, prata em 2025 e, neste ano, alcançou o ouro com a maior nota da edição. Poucos dias antes, também havia conquistado a medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física, realizada na Colômbia.
Agora, Arthur pretende concentrar os estudos para o vestibular. O objetivo é cursar Engenharia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e, futuramente, atuar no mercado financeiro. Acima da carreira, porém, diz que deseja deixar um impacto positivo no mundo.