Quando completou 15 anos, Miriam Adrielly Silva de Brito fez um pedido diferente aos pais. Em vez da tradicional festa de debutante ou de uma viagem, a estudante de Conceição, no sertão da Paraíba, escolheu ganhar um notebook e um curso preparatório para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
A escolha transformou o aniversário em um investimento nos estudos. Com acesso a ferramentas que ampliaram sua preparação, ela iniciou uma trajetória de crescimento na competição. Primeiro conquistou uma medalha de bronze. Em seguida, recebeu duas medalhas de prata. A caminhada terminou com o ouro na OBMEP, uma das principais competições estudantis do país.
O computador não substituiu a dedicação. Mas permitiu que Adrielly acompanhasse aulas online, resolvesse simulados e estudasse por provas de edições anteriores, materiais que passaram a integrar sua preparação para a olimpíada.
Uma escolha que abriu novas oportunidades
A mudança aconteceu em setembro de 2022, quando Adrielly completou 15 anos. Os pais ofereceram uma festa ou uma viagem para celebrar a data, mas a estudante preferiu investir em recursos que a ajudassem a evoluir na matemática.
Mesmo sem a comemoração tradicional, a família organizou uma celebração simples em casa. O bolo teve como tema a própria OBMEP, em referência ao objetivo que a adolescente perseguia desde que recebeu uma menção honrosa na edição anterior da competição.
Com o notebook, Adrielly passou a acompanhar aulas online, resolver provas antigas e utilizar o banco de questões da olimpíada. A rotina de estudos ficou mais estruturada e ampliou o contato com conteúdos específicos da competição.
Ouro na OBMEP coroou anos de evolução
Segundo as listas oficiais de premiados divulgadas pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), organizador da OBMEP, Adrielly conquistou a medalha de bronze na 17ª edição da olimpíada, que reuniu mais de 18 milhões de estudantes de cerca de 54 mil escolas brasileiras.
Ela voltou a ser premiada nas duas edições seguintes, conquistando medalhas de prata na 18ª e na 19ª OBMEP. A sequência confirmou uma evolução constante entre os melhores estudantes da competição.
A medalha de ouro na OBMEP chegou agora em 2026 na 20ª edição, encerrando uma caminhada construída ao longo de vários anos de preparação. Antes do resultado mais importante, a estudante acumulou uma menção honrosa, uma medalha de bronze e duas de prata, mostrando um crescimento contínuo a cada nova participação.
A trajetória da jovem paraibana evidencia como acesso a ferramentas de estudo, apoio da família e dedicação podem ampliar oportunidades para estudantes da rede pública. O notebook e o curso preparatório não garantiram a medalha por si só, mas marcaram o início de uma escolha que mudou sua forma de estudar e culminou em uma das maiores conquistas da matemática escolar brasileira.
