A produção de petróleo brasileira deverá ganhar espaço estratégico no abastecimento mundial nas próximas décadas, movimento que pode sustentar investimentos, ampliar a atividade da cadeia de óleo e gás e elevar receitas em estados produtores. A avaliação faz parte do relatório World Oil Outlook (WOO), divulgado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na quinta-feira (18/06).
O estudo posiciona o Brasil ao lado de Catar, Argentina e Canadá entre os principais responsáveis pela expansão da oferta fora da Declaração de Cooperação (DoC), grupo que reúne membros da Opep e países aliados. A projeção indica que a produção nacional de petróleo deverá subir de 3,7 milhões de barris por dia em 2025 para 4,4 milhões em 2030.
O reconhecimento internacional surge em um momento de revisão das perspectivas para os Estados Unidos. A Opep reduziu sua expectativa para o petróleo de xisto americano e passou a atribuir maior relevância a produtores com capacidade de ampliar o abastecimento mundial por períodos mais longos.
A avaliação coloca o Brasil entre os países com maior potencial de expansão da oferta global de petróleo nas próximas décadas, elevando sua participação em um mercado que movimenta investimentos bilionários, infraestrutura industrial e comércio internacional de energia.
Produção de petróleo brasileira ganha papel maior na segurança energética
A Opep estima que a oferta de líquidos dos produtores fora da DoC crescerá cerca de 4,1 milhões de barris por dia até 2030, alcançando 58,2 milhões de barris diários. Nesse movimento, o Brasil aparece entre os países com maior capacidade de acrescentar novos volumes ao mercado.
Entre dezenas de produtores mundiais, o país foi citado pela entidade ao lado de apenas três nações como um dos motores do crescimento da oferta fora da DoC. A indicação reforça a posição brasileira em uma atividade considerada estratégica para o abastecimento internacional.
Além das projeções futuras, o Brasil já figura entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo, resultado impulsionado pelo avanço tecnológico em operações offshore e pela expansão dos campos marítimos.
A revisão das projeções para os Estados Unidos ajuda a explicar essa mudança. Segundo o relatório, o petróleo de xisto americano pode ter atingido seu pico em 2025, reduzindo sua contribuição futura para o crescimento da oferta. Nesse ambiente, o crescimento do petróleo brasileiro passa a ampliar a participação do país em uma atividade ligada à segurança energética internacional.
Expansão do pré-sal brasileiro sustenta projeções de longo prazo
Segundo a entidade, a trajetória de crescimento da indústria petrolífera nacional continuará apoiada pelos projetos do pré-sal. Os empreendimentos em desenvolvimento nessa região sustentam a expectativa de aumento da capacidade produtiva brasileira ao longo das próximas décadas.
O peso dessa área ajuda a explicar a projeção da Opep. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o pré-sal responde por cerca de 80% da produção brasileira de petróleo, consolidando-se como o principal motor de crescimento do setor.
O crescimento projetado pela Opep está diretamente ligado a essa região, que concentra alguns dos campos mais produtivos do planeta e reúne parte relevante dos investimentos destinados à exploração em águas ultraprofundas.
O avanço da produção também tende a sustentar novos investimentos em plataformas, embarcações, equipamentos e serviços especializados, movimentando segmentos ligados à cadeia de óleo e gás. A expansão da atividade ainda amplia a demanda por profissionais de engenharia, tecnologia, logística e operações offshore.
As estimativas apontam que a produção de líquidos do país poderá atingir aproximadamente 5,8 milhões de barris por dia no início da década de 2040. Após esse período, a expectativa é de uma acomodação para 5,6 milhões de barris diários em 2050. Os números colocam o Brasil como o segundo maior contribuinte para o aumento da oferta entre os produtores fora da DoC entre 2025 e 2050.
América Latina concentra parte da expansão da oferta global
O relatório também projeta uma participação crescente da América Latina no abastecimento mundial. A região deverá responder por quase 75% do aumento líquido da oferta entre os produtores fora da DoC até 2050.
Brasil e Argentina aparecem como os principais responsáveis por esse avanço. A combinação entre reservas offshore e novos projetos de exploração sustenta a projeção apresentada pela organização.
O crescimento da produção também influencia a arrecadação de royalties e participações especiais distribuídas a estados e municípios produtores. Esses recursos integram o orçamento de diversas localidades ligadas à atividade petrolífera e ajudam a financiar investimentos públicos.
A relevância do setor também aparece no comércio exterior. O petróleo bruto está entre os principais produtos exportados pelo Brasil, ampliando a participação do país nas cadeias globais de energia e fortalecendo sua presença em mercados consumidores internacionais.
A expansão do pré-sal brasileiro, associada à evolução da capacidade de extração em águas ultraprofundas, coloca o país entre os protagonistas da oferta petrolífera mundial. Com projeção de alcançar 5,8 milhões de barris por dia no início da década de 2040, o Brasil aparece entre os principais vetores de crescimento da oferta global fora do grupo formado pela Opep e seus aliados.
