A Copa do Mundo de 2026 reúne oito jogadores acima de 40 anos, o maior número já registrado em uma edição do Mundial. O recorde, divulgado na terça-feira (16/06), reflete uma mudança no futebol de elite. Desempenho e preparação passaram a prolongar carreiras antes consideradas próximas do encerramento.
Entre os participantes estão Cristiano Ronaldo, de 41 anos e quatro meses, e o goleiro cabo-verdiano Vozinha, de 40 anos, que ganhou projeção internacional após a atuação diante da Espanha. Além deles, o torneio reúne outros 18 jogadores acima dos 38 anos, sinal de que a longevidade no futebol passou a aparecer com maior frequência no esporte de elite.
Segundo Clayton Macedo, coordenador do Serviço de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esses atletas refletem uma transformação observada no esporte de alto rendimento. A idade cronológica passou a perder espaço para indicadores ligados à condição física e à recuperação.
Além disso, esses profissionais disputam uma competição que concentra alguns dos maiores níveis de exigência física e técnica do futebol mundial. Permanecer competitivo após quatro décadas de vida tornou-se uma possibilidade cada vez mais frequente para atletas de elite.
Jogadores acima dos 40 mostram transformação do futebol
Nas últimas décadas, clubes e seleções passaram a investir em métodos mais precisos de acompanhamento físico, controle de carga de treinamento e monitoramento da recuperação muscular, principalmente dos atletas com mais de 40 anos.
Nesse processo, profissionais da saúde utilizam dados sobre desgaste, sono, alimentação e composição corporal para ajustar rotinas individualmente. Como resultado, o impacto do avanço da idade sobre o rendimento esportivo passou a ser administrado de forma mais eficiente.
Clayton Macedo explica que a potência física tende a sofrer mais alterações ao longo dos anos. Por isso, treinamentos específicos passaram a buscar a preservação da explosão muscular necessária para partidas de alto nível.
Veteranos seguem competitivos graças à gestão de desempenho
Além da preparação física, outro fator associado à permanência desses atletas é o gerenciamento dos minutos em campo. Atualmente, equipes conseguem distribuir melhor esforços ao longo da temporada e reduzir situações de desgaste excessivo.
Essa estratégia permite que jogadores experientes mantenham participação decisiva mesmo sem permanecer em ação durante todo o tempo disponível. Dessa forma, a qualidade técnica acumulada ao longo da carreira continua disponível para clubes e seleções.
Longevidade no futebol amplia o valor da experiência dentro das seleções
Atletas veteranos continuam ocupando funções estratégicas dentro das seleções. A experiência acumulada influencia tomadas de decisão, organização tática e leitura das partidas.
No caso dos goleiros, maioria entre os jogadores com mais de quatro décadas de vida presentes na competição, a experiência costuma compensar parte das exigências físicas encontradas em outras posições. Isso ajuda a explicar a permanência de nomes históricos em atividade.
Além do português e de Vozinha, os “quarentões” que jogam a Copa do Mundo de 2026 são:
- Craig Gordon, goleiro da Escócia – 43 anos e cinco meses;
- Guillermo Ochoa, goleiro do México – 40 anos e 11 meses;
- Luka Modric, meio-campista da Croácia – 40 anos e nove meses;
- Edin Dzeko, centroavante da Bósnia – 40 anos e três meses;
- Manuel Neuer, goleiro da Alemanha – 40 anos e dois meses;
- Fernando Muslera, goleiro do Uruguai – 40 ano
Enquanto gerações anteriores encerravam suas trajetórias mais cedo, equipes e seleções passaram a incorporar rotinas de monitoramento contínuo para preservar rendimento ao longo das temporadas. Com rotinas de monitoramento e controle de carga, treinadores conseguem utilizar atletas experientes em momentos específicos das partidas. A estratégia amplia a contribuição técnica desses profissionais sem exigir a mesma carga física observada em fases anteriores da carreira.
