Quatro gerações da família Moreira decidiram manter a propriedade, em Tabuleiro do Norte, no Ceará, mesmo após a confirmação de petróleo cru no subsolo do sítio. Na última quinta-feira (11/06), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu a análise da substância encontrada no local. Desde então, compradores passaram a procurar os proprietários, mas todas as propostas foram recusadas.
A área atravessou gerações da família Moreira até chegar ao agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos. Após a divulgação do resultado, pelo menos quatro propostas de compra foram apresentadas aos proprietários. Nenhuma delas avançou.
Para Sidnei Moreira, filho do agricultor, a decisão não está ligada apenas ao aspecto financeiro. Segundo ele, sempre que surge alguém interessado em adquirir o terreno, o pai evita dar continuidade à conversa.
Ainda assim, a valorização repentina da área não alterou os planos da família. Enquanto potenciais compradores passaram a enxergar uma oportunidade de negócio, os moradores decidiram permanecer no local.
Quatro gerações preservam o sítio da família
A ligação dos Moreira com a propriedade começou muito antes da descoberta que ganhou repercussão estadual. De acordo com Sidnei, a posse da terra remonta ao bisavô de seu pai, formando uma sucessão familiar ligada à atividade agrícola da região.
Ao longo desse período, diferentes gerações utilizaram a área para cultivo e criação de animais. A permanência dos mesmos proprietários transformou o sítio em um ponto de referência para a história da família.
O valor atribuído ao imóvel está relacionado à trajetória construída no local. Para os moradores, a área representa uma herança familiar construída ao longo de décadas de trabalho e convivência.
Agricultor encontrou petróleo em sítio ao procurar água
A origem dessa história començou em novembro de 2024, quando Sidrônio buscava água para irrigação e abastecimento dos animais. Para isso, contratou a perfuração de dois poços artesianos.
Em vez da água esperada, surgiu um líquido escuro com odor semelhante ao de óleo e asfalto fresco. A ocorrência levou à coleta de amostras e ao encaminhamento do material para análise técnica.
Meses depois, a ANP confirmou que a substância encontrada era petróleo cru. A conclusão ampliou a visibilidade do caso e despertou interesse pela propriedade.
O que acontece após a confirmação da ANP
Após confirmar a natureza da substância encontrada, a ANP abriu um processo administrativo para avaliar os próximos passos relacionados à área. Entre as possibilidades em estudo está a análise da inclusão do terreno em futuras etapas ligadas à exploração petrolífera.
Até o momento, o órgão não definiu prazo para concluir essa avaliação nem informou se a área será incorporada a um bloco exploratório. O processo segue em fase técnica.
Enquanto os estudos avançam, o Sítio Santo Estevão permanece sob controle da família Moreira e continua sendo utilizado nas atividades rurais desenvolvidas pelos proprietários.
