Petróleo em sítio no CE leva propriedade de quatro gerações ao mapa nacional sem tirar família da terra

Uma busca por água revelou petróleo em sítio no interior do Ceará. Conheça a história da família que recusou vender a propriedade após a confirmação da ANP.
O agricultor encontrou petróleo no sítio que é da família há quatro décadas. Ele perfurava o terreno em busca de água.
O agriccultor Sidrônio Moreira encontrou petróleo no sítio onde mora com a família. Ele perfurava o terreno e busca de água. (Foto: Marcelo Andrade/IFCE)

Quatro gerações da família Moreira decidiram manter a propriedade, em Tabuleiro do Norte, no Ceará, mesmo após a confirmação de petróleo cru no subsolo do sítio. Na última quinta-feira (11/06), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu a análise da substância encontrada no local. Desde então, compradores passaram a procurar os proprietários, mas todas as propostas foram recusadas.

A área atravessou gerações da família Moreira até chegar ao agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos. Após a divulgação do resultado, pelo menos quatro propostas de compra foram apresentadas aos proprietários. Nenhuma delas avançou.

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Para Sidnei Moreira, filho do agricultor, a decisão não está ligada apenas ao aspecto financeiro. Segundo ele, sempre que surge alguém interessado em adquirir o terreno, o pai evita dar continuidade à conversa.

Ainda assim, a valorização repentina da área não alterou os planos da família. Enquanto potenciais compradores passaram a enxergar uma oportunidade de negócio, os moradores decidiram permanecer no local.

Quatro gerações preservam o sítio da família

A ligação dos Moreira com a propriedade começou muito antes da descoberta que ganhou repercussão estadual. De acordo com Sidnei, a posse da terra remonta ao bisavô de seu pai, formando uma sucessão familiar ligada à atividade agrícola da região.

Ao longo desse período, diferentes gerações utilizaram a área para cultivo e criação de animais. A permanência dos mesmos proprietários transformou o sítio em um ponto de referência para a história da família.

O valor atribuído ao imóvel está relacionado à trajetória construída no local. Para os moradores, a área representa uma herança familiar construída ao longo de décadas de trabalho e convivência.

Agricultor encontrou petróleo em sítio ao procurar água

A origem dessa história començou em novembro de 2024, quando Sidrônio buscava água para irrigação e abastecimento dos animais. Para isso, contratou a perfuração de dois poços artesianos.

Em vez da água esperada, surgiu um líquido escuro com odor semelhante ao de óleo e asfalto fresco. A ocorrência levou à coleta de amostras e ao encaminhamento do material para análise técnica.

Meses depois, a ANP confirmou que a substância encontrada era petróleo cru. A conclusão ampliou a visibilidade do caso e despertou interesse pela propriedade.

O que acontece após a confirmação da ANP

Após confirmar a natureza da substância encontrada, a ANP abriu um processo administrativo para avaliar os próximos passos relacionados à área. Entre as possibilidades em estudo está a análise da inclusão do terreno em futuras etapas ligadas à exploração petrolífera.

Até o momento, o órgão não definiu prazo para concluir essa avaliação nem informou se a área será incorporada a um bloco exploratório. O processo segue em fase técnica.

Enquanto os estudos avançam, o Sítio Santo Estevão permanece sob controle da família Moreira e continua sendo utilizado nas atividades rurais desenvolvidas pelos proprietários.

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