Primeira Escola de Cordel do Brasil é inaugurada no Cariri e fortalece a preservação da cultura popular

A primeira escola de Cordel do Brasil reúne ensino, pesquisa e preservação de acervos para fortalecer a literatura de cordel e a xilogravura.
Folhetos e xilogravuras passam a integrar as atividades da Primeira Escola de Cordel na Lira Nordestina.
O acervo da Primeira Escola de Cordel reúne folhetos, livros e xilogravuras que preservam a tradição da literatura popular. (Foto: Davi Moreira | Dcom/ UFCA.)

Cordelistas, xilógrafos e pesquisadores passam a contar a partir de agora com um espaço permanente de formação e preservação da memória cultural. A primeira escola de cordel do Brasil foi inaugurada na Lira Nordestina, em Juazeiro do Norte (CE), reunindo cursos, pesquisa, organização de acervos e atividades culturais.

O projeto iniciou as atividades nesta terça-feira (30/06) e ficará ativo até maio de 2027, sob tutela do Laboratório de Ciência da Informação e Memória (Lacim), da Universidade Federal do Cariri (UFCA). O trabalho reúne universidade, mestres da cultura popular, pesquisadores e novos artistas.

A escola atuará com tratamento técnico de acervos, capacitações, eventos, aulas-espetáculo, Café Cordel e o Projeto DáXilo, voltado à moda, inovação e identidade cultural. Essas atividades integram preservação do patrimônio cultural, formação e difusão artística em um mesmo projeto.

Pela primeira vez, uma instituição reunirá essas ações de forma permanente para fortalecer o cordel e a xilogravura. O projeto também reconhece a presença de mulheres cantadoras, repentistas, cordelistas e xilógrafas na produção cultural nordestina.

Primeira Escola de Cordel reúne formação e preservação

A escola nasce com quatro metas ligadas à preservação, à aprendizagem e à difusão cultural. O tratamento técnico dos acervos permitirá catalogar, conservar e tornar acessíveis documentos relacionados ao cordel, à cantoria e à xilogravura.

As formações previstas incluem seminários, colóquios, oficinas e capacitações. Essas atividades ajudam artistas, estudantes e pesquisadores a registrar, estudar e transmitir conhecimentos preservados ao longo de gerações.

Além da preservação dos acervos, a escola também funcionará como espaço de formação e intercâmbio entre artistas, pesquisadores e mestres da cultura popular.

Lira Nordestina abriga a Primeira Escola de Cordel do Brasil

A Lira Nordestina é um dos espaços mais antigos do Brasil dedicados à produção de folhetos e matrizes em madeira. O local surgiu em 1932, em Juazeiro do Norte, com o nome Folhetaria Silva.

A antiga tipografia passou a se chamar Tipografia São Francisco em 1939. Dez anos depois, José Bernardo da Silva adquiriu os direitos autorais dos folhetos de João Martins de Athayde e transformou o espaço em uma das principais editoras de cordel do país.

A tipografia também difundiu o uso da xilogravura nas capas dos folhetos. Essa tradição ajudou a consolidar uma identidade visual reconhecida na cultura popular brasileira e permanece associada ao trabalho de mestres gravadores.

Lira Nordestina amplia a atuação com a nova escola

Na década de 1970, Maria de Jesus da Silva Diniz assumiu a tipografia após a morte de José Bernardo. Em 1980, o espaço recebeu o nome atual por sugestão de Patativa do Assaré.

Dois anos depois, a Lira foi vendida ao Estado do Ceará durante uma crise econômica. Em 1988, tornou-se patrimônio da Universidade Regional do Cariri e continuou dedicada à preservação do cordel e da xilogravura.

Hoje, o espaço segue em atividade com nomes ligados à preservação dessa tradição, entre eles Mestre José Lourenço. A chegada da Primeira Escola de Cordel do Brasil acrescenta formação continuada, pesquisa e organização de acervos às atividades desenvolvidas na Lira Nordestina.

O Projeto DáXilo também incorpora ações ligadas ao design de moda, à economia criativa e à identidade cultural. Assim, matrizes, oficinas e pesquisas passam a integrar uma rede voltada à preservação e à renovação da literatura de cordel e da xilogravura.

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