Estudo usa IA para combinar exames e encontrar risco de pré-diabetes mais cedo

Pesquisa alemã encontrou 1.557 marcadores no sangue que, analisados por IA, separaram grupos com maior risco no pré-diabetes.
Modelo de IA alcançou cerca de 90% de precisão ao classificar participantes por risco no pré-diabetes.
Estudo usa inteligência artificial para identificar sinais ligados ao risco no pré-diabetes em amostras de sangue. (Foto: imagem gerada por IA)

Uma pesquisa alemã testou uma nova forma de avaliar o risco no pré-diabetes usando informações obtidas a partir do sangue e inteligência artificial. O modelo analisou alterações epigenéticas — marcas químicas que influenciam a atividade dos genes sem mudar a sequência do DNA — para distinguir pessoas com diferentes níveis de risco.

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Os pesquisadores identificaram 1.557 marcadores de metilação do DNA que, em conjunto, formaram uma assinatura biológica. Com essas informações, a inteligência artificial conseguiu classificar participantes em grupos de maior risco com cerca de 90% de precisão, inclusive em uma amostra independente usada para validação.

O estudo foi conduzido por pesquisadores ligados ao Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD) e publicado em janeiro de 2026 na revista Biomarker Research. A análise envolveu pessoas que já tinham pré-diabetes e buscou reconhecer grupos previamente associados a maior risco de diabetes tipo 2 e outras complicações.

Isso significa que a descoberta ainda não representa um novo exame disponível nos consultórios. A proposta dos pesquisadores é tentar tornar mais simples uma avaliação que atualmente pode exigir diferentes testes e medições para identificar os subgrupos de maior risco.

Risco no pré-diabetes apareceu em uma assinatura no sangue

A equipe estudou a metilação do DNA em amostras de sangue de participantes de diferentes grupos de pesquisa. Esse processo epigenético interfere na maneira como determinados genes são ativados ou desativados, sem alterar a sequência genética.

A inteligência artificial procurou padrões nessas alterações até chegar ao conjunto de 1.557 marcadores. Parte deles já havia sido relacionada em pesquisas anteriores ao diabetes tipo 2, à inflamação crônica e a doenças cardiovasculares e renais.

Segundo o DZD, a classificação alcançou aproximadamente 90% de precisão na identificação dos grupos considerados de alto risco. O desempenho também foi testado em uma coorte independente, uma etapa usada para verificar se o padrão encontrado se mantém fora da amostra inicial.

Pesquisadores querem transformar análise em teste mais simples

O próximo desafio é diminuir a quantidade de marcadores necessários. Os pesquisadores pretendem selecionar os sinais mais úteis e, depois, desenvolver um chip específico que permita realizar a análise de maneira mais simples e econômica.

Essa etapa ainda precisa acontecer antes de qualquer uso rotineiro. O próprio centro alemão apresenta o exame de sangue como uma possibilidade futura, e não como método já incorporado ao atendimento de pacientes.

No Brasil, o Ministério da Saúde define pré-diabetes como a condição em que a glicose está acima do normal, mas ainda abaixo dos níveis usados para caracterizar diabetes. Alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional continuam sendo medidas importantes para evitar a progressão da condição. Se a nova estratégia avançar nas próximas etapas de desenvolvimento e validação clínica, ela poderá ajudar a diferenciar melhor o risco no pré-diabetes e indicar quem necessita de acompanhamento mais intensivo.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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