Drone térmico ajuda localizar uma das aves mais raras da Mata Atlântica e facilita monitoramento da espécie

Drone térmico localizou um crejoá na Mata Atlântica e pode melhorar o monitoramento de aves ameaçadas, fornecendo dados para ações de conservação.
Crejoá de plumagem azul e vinho pousado sobre cachos de frutos em área de Mata Atlântica.
Drone térmico localizou um crejoá durante testes na Mata Atlântica e pode ajudar pesquisadores a obter informações mais precisas sobre a espécie ameaçada. (Foto: ninawenoli / iNaturalist)

Um drone térmico localizou um crejoá durante uma expedição realizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, no sul da Bahia. O teste mostrou que o equipamento pode facilitar a localização de uma das aves mais ameaçadas da Mata Atlântica e contribuir para estimativas mais confiáveis sobre sua população.

Ao longo de cinco dias, a equipe realizou 19 voos experimentais e registrou um indivíduo da espécie, além de outras aves que vivem nas copas da floresta. A iniciativa reuniu a SAVE Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a RPPN Estação Veracel.

O crejoá (Cotinga maculata) ocorre exclusivamente na Mata Atlântica e está classificado como Criticamente em Perigo de Extinção em nível global. As listas vermelhas estimam uma população entre 50 e 249 indivíduos maduros, embora esse número não tenha origem em uma contagem direta.

Além disso, os pesquisadores afirmam que o método poderá complementar o trabalho de campo, mas ainda depende de novas validações científicas antes de ser adotado em outras pesquisas.

Drone térmico identifica aves escondidas entre as copas

O equipamento combina câmera térmica e imagens em alta resolução para detectar diferenças de temperatura entre os animais e a vegetação. Assim, consegue localizar indivíduos que passam despercebidos pelos métodos convencionais de observação.

Durante os testes, a equipe também registrou um anambé-de-asa-branca e um chauá. Segundo os pesquisadores, as aves praticamente não demonstraram sinais de incômodo durante a aproximação do equipamento.

Além disso, o sistema identificou árvores em fase de frutificação. Esse recurso ajuda a localizar áreas utilizadas por espécies que se alimentam de frutos e torna as expedições mais eficientes.

Tecnologia busca responder quantos crejoás ainda existem

Encontrar o crejoá sempre foi uma tarefa difícil porque a espécie permanece nas copas mais altas da floresta, desloca-se de forma discreta e quase não emite vocalizações. Por isso, os levantamentos convencionais encontram mais obstáculos para localizar a ave.

Segundo a SAVE Brasil, a estimativa populacional disponível foi construída com base nas avaliações de risco das listas vermelhas, e não em um censo da espécie. Com isso, uma das metas da nova metodologia é produzir informações mais confiáveis sobre a distribuição e o número de indivíduos.

Para Ben Phalan, coordenador de Ciência da SAVE Brasil, o método pode complementar as técnicas convencionais e ajudar a compreender melhor a situação do crejoá, símbolo do Plano de Ação Nacional das Aves da Mata Atlântica.

Testes serão levados para novas áreas

Após os resultados obtidos na Bahia, a equipe pretende aplicar a metodologia em outras áreas da Mata Atlântica. Os próximos levantamentos continuarão combinando a câmera térmica com as técnicas já empregadas pelos pesquisadores.

Com isso, a equipe espera reunir informações mais consistentes sobre a distribuição e o tamanho da população do crejoá, contribuindo para futuras ações de conservação da espécie.

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