A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (02/07), mostrou a primeira redução no percentual de crianças com celular desde o início da série histórica, em 2016. A mudança acompanha uma preocupação maior das famílias com privacidade e segurança.
Entre brasileiros de 10 a 13 anos, 55,2% possuíam aparelho em 2025, índice 1,5 ponto percentual menor que o registrado no ano anterior. O levantamento identificou que 32% dos responsáveis apontaram a proteção dos filhos como principal motivo para adiar a entrega do celular.
O resultado marca uma inversão em relação aos primeiros anos da pesquisa. Em 2022, o custo do aparelho liderava as justificativas para a ausência do dispositivo. Agora, questões relacionadas à exposição digital aparecem à frente dos fatores econômicos.
Outro dado acompanha esse movimento. O acesso à internet entre crianças dessa faixa etária passou de 84,9% para 84,4%, fazendo desse o único grupo etário a registrar redução tanto no uso do celular quanto na conexão à rede.
Crianças com celular refletem nova prioridade das famílias
A preocupação com privacidade e segurança cresceu 7,8 pontos percentuais em apenas um ano e praticamente dobrou desde 2022. Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, o avanço da discussão sobre exposição nas redes sociais ajuda a explicar essa mudança de comportamento.
Fontes também lembra que 2025 foi marcado pela restrição ao uso de celulares nas escolas, medida que passou a integrar o ambiente educacional e ampliou o debate sobre o contato de crianças com dispositivos móveis.
Enquanto a redução ocorreu apenas entre o público infantil, as demais faixas etárias continuaram registrando expansão na posse de celulares, levando o indicador nacional a atingir 89,8% da população.
Uso de celular por crianças contrasta com avanço entre idosos
A pesquisa mostra um movimento diferente entre brasileiros com mais de 60 anos. Em 2025, 74,5% utilizavam internet, crescimento de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior e superior a 29 pontos quando comparado a 2019.
A posse de celular nesse grupo também aumentou, passando de 78,3% para 80,3%. Entre aqueles que permanecem desconectados, o principal obstáculo deixou de ser financeiro e passou a ser a dificuldade de utilizar os recursos digitais.
De acordo com o IBGE, a ampliação dos serviços oferecidos pela internet ajuda a explicar essa evolução entre idosos, impulsionando o acesso a plataformas essenciais do cotidiano.
Pesquisa do IBGE mostra internet cada vez mais integrada aos serviços
Entre 2022 e 2025, o percentual de brasileiros que acessaram bancos ou instituições financeiras pela internet subiu de 59,8% para 74,2%. No mesmo período, o uso da rede para serviços públicos passou de 33,2% para 41,1%.
Outro marco identificado pela pesquisa foi o crescimento das compras online. Pela primeira vez, mais da metade da população conectada declarou adquirir ou encomendar bens e serviços pela internet, com avanço de 47,9% para 52,7%.
As atividades mais frequentes continuam sendo chamadas de voz ou vídeo, utilizadas por 95,3% dos internautas, seguidas pelo envio de mensagens por aplicativos, com 90,2%, e pelo consumo de vídeos, filmes e séries, citado por 89,3%.
