Crianças com celular têm queda inédita após mudança e revela mudança nas famílias, aponta IBGE

Pesquisa do IBGE revela queda inédita de crianças com celular e mostra que segurança digital passou a pesar mais na decisão das famílias. Entenda os dados.
Crianças jogam xadrez enquanto pesquisa do IBGE mostra queda no número de crianças com celular devido à preocupação das famílias com segurança digital.
Pesquisa do IBGE mostra que a proporção de crianças com celular caiu pela primeira vez desde 2016, refletindo o aumento da preocupação das famílias com privacidade e segurança digital. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (02/07), mostrou a primeira redução no percentual de crianças com celular desde o início da série histórica, em 2016. A mudança acompanha uma preocupação maior das famílias com privacidade e segurança.

Entre brasileiros de 10 a 13 anos, 55,2% possuíam aparelho em 2025, índice 1,5 ponto percentual menor que o registrado no ano anterior. O levantamento identificou que 32% dos responsáveis apontaram a proteção dos filhos como principal motivo para adiar a entrega do celular.

O resultado marca uma inversão em relação aos primeiros anos da pesquisa. Em 2022, o custo do aparelho liderava as justificativas para a ausência do dispositivo. Agora, questões relacionadas à exposição digital aparecem à frente dos fatores econômicos.

Outro dado acompanha esse movimento. O acesso à internet entre crianças dessa faixa etária passou de 84,9% para 84,4%, fazendo desse o único grupo etário a registrar redução tanto no uso do celular quanto na conexão à rede.

Crianças com celular refletem nova prioridade das famílias

A preocupação com privacidade e segurança cresceu 7,8 pontos percentuais em apenas um ano e praticamente dobrou desde 2022. Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, o avanço da discussão sobre exposição nas redes sociais ajuda a explicar essa mudança de comportamento.

Fontes também lembra que 2025 foi marcado pela restrição ao uso de celulares nas escolas, medida que passou a integrar o ambiente educacional e ampliou o debate sobre o contato de crianças com dispositivos móveis.

Enquanto a redução ocorreu apenas entre o público infantil, as demais faixas etárias continuaram registrando expansão na posse de celulares, levando o indicador nacional a atingir 89,8% da população.

Uso de celular por crianças contrasta com avanço entre idosos

A pesquisa mostra um movimento diferente entre brasileiros com mais de 60 anos. Em 2025, 74,5% utilizavam internet, crescimento de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior e superior a 29 pontos quando comparado a 2019.

A posse de celular nesse grupo também aumentou, passando de 78,3% para 80,3%. Entre aqueles que permanecem desconectados, o principal obstáculo deixou de ser financeiro e passou a ser a dificuldade de utilizar os recursos digitais.

De acordo com o IBGE, a ampliação dos serviços oferecidos pela internet ajuda a explicar essa evolução entre idosos, impulsionando o acesso a plataformas essenciais do cotidiano.

Pesquisa do IBGE mostra internet cada vez mais integrada aos serviços

Entre 2022 e 2025, o percentual de brasileiros que acessaram bancos ou instituições financeiras pela internet subiu de 59,8% para 74,2%. No mesmo período, o uso da rede para serviços públicos passou de 33,2% para 41,1%.

Outro marco identificado pela pesquisa foi o crescimento das compras online. Pela primeira vez, mais da metade da população conectada declarou adquirir ou encomendar bens e serviços pela internet, com avanço de 47,9% para 52,7%.

As atividades mais frequentes continuam sendo chamadas de voz ou vídeo, utilizadas por 95,3% dos internautas, seguidas pelo envio de mensagens por aplicativos, com 90,2%, e pelo consumo de vídeos, filmes e séries, citado por 89,3%.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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