Veículos produzidos no Brasil poderão contar, nos próximos anos, com uma tecnologia nacional voltada à frenagem automática e à assistência de permanência em faixa. Apresentado em junho de 2026, o projeto prevê a criação de um sensor brasileiro para sistemas avançados de assistência ao motorista.
Para isso, a iniciativa reúne o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai PE), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB), a Volkswagen, a Stellantis e outras instituições ligadas à pesquisa e ao setor automotivo.
Além disso, o investimento soma R$ 44 milhões e concentra as atividades no Senai Park, em Suape, estrutura dedicada à criação e validação de soluções industriais.
Mais do que a aplicação em recursos de segurança veicular, o projeto amplia a participação brasileira em uma área tecnológica que hoje depende fortemente de componentes desenvolvidos fora do país.
Como funciona a tecnologia desenvolvida em Pernambuco
O radar criado pelos pesquisadores identifica obstáculos, mede distâncias e calcula velocidades de objetos localizados à frente do veículo.
Quando integrado a câmeras, o equipamento fornece informações que permitem ao sistema avaliar situações de risco com maior precisão. Dessa forma, a combinação dos dois recursos apoia funções associadas à frenagem automática e ao monitoramento da faixa de circulação.
Enquanto isso, a proposta que prevê a adoção obrigatória desses sistemas em veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2029 segue em análise no Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Pesquisa feita no Brasil chega aos veículos da próxima geração
O projeto conecta pesquisadores acadêmicos e fabricantes em uma mesma estrutura de desenvolvimento tecnológico.
Nesse trabalho conjunto, equipes da UFPE e da UnB atuam ao lado de profissionais da Volkswagen, da Stellantis e de instituições voltadas à inovação industrial. A cooperação transforma pesquisas desenvolvidas nas universidades em aplicações voltadas à indústria automotiva.
Além disso, os pesquisadores utilizam inteligência artificial e gêmeos digitais, réplicas virtuais capazes de reproduzir situações reais para acelerar etapas de testes e validações.
Brasil desenvolve sensor para veículos e reduz dependência tecnológica
Grande parte dos componentes utilizados em sistemas avançados de condução é desenvolvida fora do Brasil.
Com a criação local do radar, empresas e centros de pesquisa passam a acumular conhecimento em uma área ligada aos veículos inteligentes. Como resultado, o avanço fortalece a engenharia nacional e amplia a formação de profissionais especializados.
Ao mesmo tempo, montadoras e fornecedores instalados no país ganham acesso a uma base tecnológica desenvolvida localmente, ampliando a participação brasileira em etapas de maior valor agregado da cadeia automotiva.
Por fim, o desenvolvimento ocorre no mesmo complexo que abriga pesquisas voltadas a baterias de lítio para veículos híbridos e elétricos. A concentração dessas iniciativas amplia a presença de Pernambuco em projetos ligados à mobilidade avançada.
