Bateria de areia reduz emissões em 70% e comprova armazenamento limpo em escala real

Bateria de areia completa um ano de operação com 70% menos emissões, fim do uso de óleo e armazenamento eficiente de energia renovável.
Técnico observa estrutura da bateria de areia usada para armazenamento de energia renovável em Pornainen, na Finlândia.
Sistema de bateria de areia instalado em Pornainen, na Finlândia, completou um ano de operação com redução de 70% das emissões e armazenamento térmico de longa duração.

A bateria de areia instalada em Pornainen, na Finlândia, completou um ano de operação com resultados acima das metas previstas. Na segunda-feira (16/06), a Polar Night Energy divulgou o balanço do projeto, que registrou 70% menos emissões climáticas, eliminou o uso de óleo e passou a armazenar energia renovável em escala suficiente para atender parte relevante da demanda local por aquecimento.

A estrutura de 13 metros de altura e 15 metros de largura utiliza pedra-sabão triturada aquecida por eletricidade gerada em períodos de maior oferta energética. O sistema consegue guardar calor por longos períodos e liberá-lo quando a rede precisa, reduzindo desperdícios e aumentando a estabilidade do abastecimento.

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O desempenho chamou atenção por combinar dois resultados normalmente difíceis de alcançar simultaneamente: descarbonização e redução de custos operacionais. A energia utilizada para aquecer o material foi adquirida em momentos de preços reduzidos no mercado, aproveitando excedentes da geração renovável e fortalecendo um modelo de armazenamento de energia renovável.

Mais do que validar uma nova tecnologia, a experiência mostrou que materiais abundantes e de baixo custo podem desempenhar papel relevante na expansão de sistemas energéticos com menor dependência de combustíveis fósseis. O resultado ganha relevância porque o armazenamento de longa duração é apontado por organismos internacionais como uma das principais necessidades para ampliar a participação de fontes como solar e eólica nas redes elétricas. A Agência Internacional de Energia (IEA) inclui o armazenamento energético entre os elementos necessários para acelerar a integração de fontes renováveis aos sistemas elétricos. Quanto mais eficiente for essa capacidade de armazenamento, maior tende a ser o aproveitamento da energia renovável produzida em períodos de excesso de oferta.

Bateria de areia alcançou eficiência superior a 85%

Após doze meses de funcionamento contínuo, o sistema registrou eficiência térmica superior a 85%, recuperando a maior parte da energia utilizada no processo de aquecimento do material armazenado.

Outro diferencial está nos materiais utilizados. Enquanto baterias eletroquímicas dependem de minerais como lítio, níquel e cobalto, sistemas de armazenamento térmico podem utilizar areia, pedra-sabão triturada e outros materiais amplamente disponíveis, reduzindo a dependência de cadeias globais de suprimento mais complexas.

Esse resultado responde a uma das principais dúvidas sobre o armazenamento de energia renovável: a capacidade de conservar energia por períodos prolongados sem perdas excessivas. Enquanto baterias convencionais costumam ser associadas ao armazenamento elétrico, a bateria térmica atua diretamente na retenção de calor.

A operação contínua ao longo das quatro estações forneceu dados sobre desempenho, confiabilidade e custos em condições reais.

Redução de custos fortaleceu o modelo econômico

A eletricidade utilizada pelo sistema foi adquirida em períodos de baixa demanda, chegando a custar até 80% menos que a média do mercado e, em determinados meses, mais de 90% abaixo dos preços habituais.

Esse mecanismo transforma o armazenamento de energia renovável em um recurso estratégico para redes que dependem de fontes variáveis, como solar e eólica. Quando a produção supera o consumo, a energia pode ser convertida em calor e utilizada posteriormente.

Além da economia operacional, sistemas capazes de guardar energia para uso posterior são considerados ferramentas importantes para ampliar a segurança energética em períodos de maior demanda.

A combinação entre menor custo energético e menor dependência de combustíveis tradicionais contribuiu para aumentar a competitividade do sistema de aquecimento urbano mantido pela Loviisan Lämpö.

Bateria de areia: Tecnologia amplia possibilidades para cidades e indústrias

Os resultados operacionais permitiram ampliar a capacidade da rede local de aquecimento. O sistema passou a atender uma nova arena poliesportiva e uma escola reformada, além das conexões já existentes com biblioteca, prefeitura e unidades educacionais do município.

Outro resultado medido foi a redução de 60% no uso de biomassa, diminuindo a necessidade de insumos utilizados anteriormente na geração térmica local.

O caso de Pornainen também passou a ser observado por setores industriais que dependem de grandes volumes de calor. Nessas atividades, o consumo energético representa parcela relevante dos custos de produção, o que amplia o interesse por alternativas capazes de substituir combustíveis fósseis.

Segmentos como cimento, aço e alimentos estudam alternativas para substituir combustíveis fósseis por tecnologia de armazenamento de calor alimentada por eletricidade renovável.

O desempenho registrado na cidade finlandesa passou a atrair atenção de operadores de energia e grupos industriais interessados em produzir calor a partir de fontes renováveis, utilizando sistemas capazes de armazenar eletricidade excedente para uso posterior.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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