A bateria de areia instalada em Pornainen, na Finlândia, completou um ano de operação com resultados acima das metas previstas. Na segunda-feira (16/06), a Polar Night Energy divulgou o balanço do projeto, que registrou 70% menos emissões climáticas, eliminou o uso de óleo e passou a armazenar energia renovável em escala suficiente para atender parte relevante da demanda local por aquecimento.
A estrutura de 13 metros de altura e 15 metros de largura utiliza pedra-sabão triturada aquecida por eletricidade gerada em períodos de maior oferta energética. O sistema consegue guardar calor por longos períodos e liberá-lo quando a rede precisa, reduzindo desperdícios e aumentando a estabilidade do abastecimento.
O desempenho chamou atenção por combinar dois resultados normalmente difíceis de alcançar simultaneamente: descarbonização e redução de custos operacionais. A energia utilizada para aquecer o material foi adquirida em momentos de preços reduzidos no mercado, aproveitando excedentes da geração renovável e fortalecendo um modelo de armazenamento de energia renovável.
Mais do que validar uma nova tecnologia, a experiência mostrou que materiais abundantes e de baixo custo podem desempenhar papel relevante na expansão de sistemas energéticos com menor dependência de combustíveis fósseis. O resultado ganha relevância porque o armazenamento de longa duração é apontado por organismos internacionais como uma das principais necessidades para ampliar a participação de fontes como solar e eólica nas redes elétricas. A Agência Internacional de Energia (IEA) inclui o armazenamento energético entre os elementos necessários para acelerar a integração de fontes renováveis aos sistemas elétricos. Quanto mais eficiente for essa capacidade de armazenamento, maior tende a ser o aproveitamento da energia renovável produzida em períodos de excesso de oferta.
Bateria de areia alcançou eficiência superior a 85%
Após doze meses de funcionamento contínuo, o sistema registrou eficiência térmica superior a 85%, recuperando a maior parte da energia utilizada no processo de aquecimento do material armazenado.
Outro diferencial está nos materiais utilizados. Enquanto baterias eletroquímicas dependem de minerais como lítio, níquel e cobalto, sistemas de armazenamento térmico podem utilizar areia, pedra-sabão triturada e outros materiais amplamente disponíveis, reduzindo a dependência de cadeias globais de suprimento mais complexas.
Esse resultado responde a uma das principais dúvidas sobre o armazenamento de energia renovável: a capacidade de conservar energia por períodos prolongados sem perdas excessivas. Enquanto baterias convencionais costumam ser associadas ao armazenamento elétrico, a bateria térmica atua diretamente na retenção de calor.
A operação contínua ao longo das quatro estações forneceu dados sobre desempenho, confiabilidade e custos em condições reais.
Redução de custos fortaleceu o modelo econômico
A eletricidade utilizada pelo sistema foi adquirida em períodos de baixa demanda, chegando a custar até 80% menos que a média do mercado e, em determinados meses, mais de 90% abaixo dos preços habituais.
Esse mecanismo transforma o armazenamento de energia renovável em um recurso estratégico para redes que dependem de fontes variáveis, como solar e eólica. Quando a produção supera o consumo, a energia pode ser convertida em calor e utilizada posteriormente.
Além da economia operacional, sistemas capazes de guardar energia para uso posterior são considerados ferramentas importantes para ampliar a segurança energética em períodos de maior demanda.
A combinação entre menor custo energético e menor dependência de combustíveis tradicionais contribuiu para aumentar a competitividade do sistema de aquecimento urbano mantido pela Loviisan Lämpö.
Bateria de areia: Tecnologia amplia possibilidades para cidades e indústrias
Os resultados operacionais permitiram ampliar a capacidade da rede local de aquecimento. O sistema passou a atender uma nova arena poliesportiva e uma escola reformada, além das conexões já existentes com biblioteca, prefeitura e unidades educacionais do município.
Outro resultado medido foi a redução de 60% no uso de biomassa, diminuindo a necessidade de insumos utilizados anteriormente na geração térmica local.
O caso de Pornainen também passou a ser observado por setores industriais que dependem de grandes volumes de calor. Nessas atividades, o consumo energético representa parcela relevante dos custos de produção, o que amplia o interesse por alternativas capazes de substituir combustíveis fósseis.
Segmentos como cimento, aço e alimentos estudam alternativas para substituir combustíveis fósseis por tecnologia de armazenamento de calor alimentada por eletricidade renovável.
O desempenho registrado na cidade finlandesa passou a atrair atenção de operadores de energia e grupos industriais interessados em produzir calor a partir de fontes renováveis, utilizando sistemas capazes de armazenar eletricidade excedente para uso posterior.
