Mulheres com câncer de mama atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passarão a ter acesso a um teste genético capaz de identificar mutações hereditárias associadas à doença. A medida, publicada pelo Ministério da Saúde no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (13/05), amplia o acesso à oncogenética e pode permitir que famílias descubram risco elevado para câncer antes mesmo do aparecimento dos tumores.
O exame utiliza sequenciamento de nova geração, conhecido como NGS, tecnologia usada para detectar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, mutações ligadas ao aumento do risco de câncer de mama e câncer de ovário.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais frequente entre mulheres no Brasil, excluindo tumores de pele não melanoma. O instituto estima mais de 73 mil novos casos da doença por ano no país, cenário que amplia a relevância da incorporação do exame ao SUS.
Na prática, o exame genético para câncer de mama pode mudar não apenas o tratamento das pacientes já diagnosticadas, mas também ajudar familiares a descobrirem predisposição genética antes do surgimento da doença.
Para mulheres atendidas exclusivamente pela rede pública, a medida abre acesso a uma tecnologia que, até agora, permanecia concentrada principalmente na medicina privada por causa do alto custo.
Em muitos casos, pacientes dependiam de planos de saúde, ações judiciais ou pesquisas clínicas para conseguir acesso ao exame genético, cujo valor na rede privada pode chegar a milhares de reais.
Como o teste BRCA pode mudar o tratamento no SUS
A identificação das mutações BRCA interfere diretamente nas decisões clínicas. Mulheres com alterações genéticas hereditárias podem se tornar elegíveis para terapias-alvo específicas, como os inibidores de PARP, medicamentos desenvolvidos para tumores com esse perfil molecular.
Sem o diagnóstico molecular, muitas pacientes deixam de acessar opções terapêuticas mais específicas.
O exame também pode evitar tratamentos menos eficazes ao permitir estratégias mais direcionadas para cada perfil genético.
A nova política do SUS amplia o uso da chamada medicina personalizada, modelo que utiliza informações genéticas para definir terapias mais precisas.
Além de orientar medicamentos, o rastreamento genético também pode influenciar decisões sobre cirurgias preventivas e protocolos de acompanhamento mais rigorosos.
Especialistas destacam que carregar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 não significa que a paciente necessariamente desenvolverá câncer, mas indica risco significativamente maior ao longo da vida.
Segundo a portaria publicada pelo Ministério da Saúde, o SUS terá até 180 dias para iniciar a oferta do exame.
Teste genético para câncer de mama no SUS pode revelar risco hereditário antes de aparecer
O impacto do teste hereditário para câncer de mama vai além da paciente diagnosticada.
Como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem ser herdadas, a descoberta em uma mulher pode levar filhos, irmãos e outros parentes a investigarem se também possuem predisposição genética ao câncer.
Para muitas famílias, a identificação da mutação pode representar a chance de descobrir um risco elevado antes mesmo do aparecimento da doença.
Essa identificação precoce permite acompanhamento especializado antes do surgimento de tumores. As mutações também elevam o risco de câncer de ovário, o que amplia o monitoramento preventivo das famílias.
Um estudo genômico citado pelo g1 mostrou que 1 em cada 10 pacientes analisados carregava mutações hereditárias ligadas ao câncer. Entre os familiares que aceitaram fazer a análise genética, quase 40% apresentaram a mesma alteração, mesmo sem diagnóstico da doença.
Na prática, o exame para detectar predisposição ao câncer pode levar médicos a recomendar rastreamento precoce, exames mais frequentes e estratégias preventivas para grupos de maior risco.
O teste genético câncer de mama SUS passa, portanto, a ter impacto que ultrapassa o tratamento individual e alcança famílias inteiras.
SUS reduz barreira de acesso à medicina genética
A incorporação do exame representa um passo importante para ampliar o acesso à oncogenética no Brasil.
Até então, muitas pacientes dependiam de ações judiciais, pesquisas clínicas ou atendimento privado para realizar avaliação genética do tumor.
Especialistas alertam que ainda existem desafios estruturais. O país possui poucos centros especializados e número limitado de geneticistas clínicos para atender a demanda nacional.
Pesquisa do Mapa Genoma Brasil apontou que o país possui menos de 500 geneticistas clínicos para uma população superior a 200 milhões de habitantes.
A identificação precoce de grupos de risco também pode ajudar a reduzir diagnósticos em estágios mais avançados da doença.
Mesmo com limitações estruturais, a entrada do exame BRCA no SUS marca uma mudança relevante no cuidado oncológico. O sistema público passa a incorporar ferramentas de alta precisão que ajudam tanto no tratamento personalizado quanto na prevenção familiar e no diagnóstico precoce.
Quem poderá fazer o teste genético para câncer de mama no SUS?
Segundo a portaria do Ministério da Saúde, o exame será destinado inicialmente a mulheres com câncer de mama atendidas pelo SUS para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
O que são os genes BRCA1 e BRCA2?
BRCA1 e BRCA2 são genes ligados à reparação do DNA. Alterações hereditárias nessas estruturas aumentam o risco de desenvolvimento de câncer de mama e câncer de ovário.
O exame significa que a pessoa terá câncer?
Não. Especialistas destacam que a presença das mutações indica risco aumentado, mas não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.
O teste genético para câncer de mama no SUS também detecta risco para câncer de ovário?
Sim. As mutações identificadas pelo exame também estão associadas ao aumento do risco de câncer de ovário.
Quando o SUS começará a oferecer o exame?
O Ministério da Saúde definiu prazo de até 180 dias para início da oferta do teste na rede pública.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico ou profissional habilitado.