Estudo brasileiro fortalece medicina de precisão no câncer de pulmão

Medicina de precisão ajuda a identificar alterações genéticas raras e direcionar tratamentos mais adequados no câncer de pulmão. Saiba o que muda.
Pesquisador analisa sequenciamento de DNA em laboratório para medicina de precisão aplicada ao câncer de pulmão
Estudo brasileiro apresentado na Asco 2026 mostrou que a combinação de DNA e RNA pode ampliar a identificação de pacientes com câncer de pulmão elegíveis para terapias-alvo. (Foto: Reprodução/ gerada por IA)

Durante a Asco 2026, na segunda-feira (22/06), pesquisadores brasileiros apresentaram resultados que podem ampliar as chances de pacientes com câncer de pulmão receberem tratamentos alinhados às características do próprio tumor. O estudo mostrou que a combinação de sequenciamento de DNA e RNA melhora a identificação de alterações genéticas raras associadas à escolha terapêutica fortalecendo a medicina de precisão.

A pesquisa avaliou mais de 1,5 mil pacientes e encontrou ganhos na detecção de fusões no gene NRG1, biomarcador ligado a tumores mais agressivos. A descoberta dessas alterações fornece informações que ajudam a direcionar tratamentos mais compatíveis com o perfil molecular de cada caso.

Pesquisas anteriores conduzidas pelo mesmo grupo mostraram que pacientes submetidos à testagem molecular câncer e tratados com terapias-alvo alcançaram sobrevida mediana superior a 30 meses, resultado mais que duas vezes maior que o observado com tratamentos tradicionais.

Nesse modelo de atendimento, tumores que surgem no mesmo órgão podem receber estratégias diferentes quando apresentam alterações genéticas distintas identificadas por exames moleculares.

Medicina de precisão amplia identificação de pacientes elegíveis

A pesquisa liderada pelo oncologista Breno Jeha, da Oncoclínicas&Co, investigou a utilização conjunta de análises genéticas e transcriptômicas para aumentar a detecção de alterações raras que podem passar despercebidas em avaliações convencionais.

Ao combinar informações obtidas pelo DNA e pelo RNA, os pesquisadores conseguiram localizar alterações associadas a tratamentos específicos. Estudos recentes mostram que análises baseadas em RNA podem identificar determinadas fusões gênicas não detectadas em exames centrados apenas no DNA, ampliando a identificação de pacientes potencialmente elegíveis para terapias direcionadas.

A apresentação na Asco 2026 ocorre em um período de expansão da oncologia de precisão, com centros especializados incorporando análises genômicas para identificar biomarcadores tumorais capazes de influenciar a resposta aos tratamentos.

Gene NRG1 ajuda a direcionar escolhas terapêuticas

Entre os achados apresentados no congresso, as fusões envolvendo o gene NRG1 receberam atenção especial por estarem associadas a formas mais agressivas da doença.

Os pesquisadores identificaram essa alteração em 0,8% dos 1.536 pacientes avaliados. O percentual supera estimativas históricas que costumam variar entre 0,2% e 0,3%, indicando que a combinação de DNA e RNA pode ampliar a detecção desses casos.

Quando esse biomarcador é identificado, a equipe médica passa a contar com informações adicionais para avaliar opções terapêuticas alinhadas às características biológicas do tumor e ao perfil molecular da doença.

Dados genômicos ampliam oportunidades de tratamento personalizado câncer

Segundo os dados apresentados pelos pesquisadores, a identificação mais precisa de alterações moleculares permite conectar pacientes a estratégias terapêuticas desenvolvidas para alvos genéticos específicos, ampliando as opções disponíveis para perfis menos frequentes da doença.

Rodrigo Dienstmann, diretor da OC Medicina de Precisão, afirmou que conduzir o tratamento com apoio de informações genômicas adiciona novos elementos ao processo de decisão clínica, permitindo selecionar estratégias terapêuticas com base nas características moleculares de cada caso.

A adoção de testes moleculares mais abrangentes acompanha recomendações internacionais recentes que orientam a investigação de biomarcadores antes da definição terapêutica em pacientes com câncer de pulmão avançado.

A identificação dessas alterações ganhou relevância com o desenvolvimento de terapias direcionadas para tumores que apresentam fusões NRG1, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes que historicamente possuíam menos opções de tratamento personalizado câncer.

A ampliação da testagem molecular câncer aumenta as chances de identificar pacientes com alterações genéticas raras, grupo que frequentemente depende desses resultados para acessar terapias desenvolvidas para características específicas do tumor.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico ou profissional habilitado.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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