Casey Harrell, de 48 anos, voltou a se comunicar após perder a fala por causa da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Na segunda-feira (15/06), pesquisadores divulgaram na revista científica Nature Medicine os resultados do uso de um implante cerebral que passou a traduzir sua atividade neural em texto, permitindo conversas, trabalho e acesso a recursos digitais.
Durante quase dois anos, Harrell utilizou a tecnologia para produzir 183.060 frases e mais de 1,9 milhão de palavras. Segundo os pesquisadores, o equipamento alcançou uma média de 56 palavras por minuto em situações reais do cotidiano.
Além disso, o participante afirmou que a nova forma de comunicação permitiu continuar trabalhando, manter a renda da família e retomar contatos que haviam se tornado mais difíceis após a perda da fala.
Fora do laboratório, o estudo acompanhou a rotina doméstica do paciente por um período prolongado. Assim, a neuroprótese passou a integrar atividades pessoais e profissionais realizadas em casa.
Implante cerebral transforma atividade neural em texto
A tecnologia usada por Harrell interpreta sinais gerados pelos neurônios ligados à fala. Quando ele tenta pronunciar palavras, o equipamento converte a atividade cerebral em texto exibido em uma tela.
Para tornar esse processo possível, os pesquisadores implantaram 256 microeletrodos no córtex motor da fala, região associada à produção da linguagem. Em seguida, os sensores foram conectados a dispositivos capazes de registrar e processar os sinais neurais.
Após nove meses de treinamento, o paciente passou a operar o equipamento de forma autônoma. Além disso, a equipe da Universidade da Califórnia, Davis (UC Davis) informou que a neuroprótese pode permanecer ativa por até 19 horas consecutivas.
Tecnologia para ELA mantém precisão durante uso prolongado
Enquanto muitos estudos sobre interfaces cérebro-computador ocorrem em períodos mais curtos, os cientistas analisaram a neuroprótese durante mais de 3.800 horas de utilização independente.
Ao longo desse acompanhamento, 92% das frases decodificadas apresentaram correspondência parcial com a mensagem pretendida. Já nos testes supervisionados de leitura, a precisão ultrapassou 99%.
Os registros reuniram atividades realizadas dentro de casa e situações acompanhadas pela equipe de pesquisa. Com isso, os cientistas avaliaram o desempenho do equipamento em diferentes condições de uso.
Paciente com ELA utiliza equipamento sem apoio direto de pesquisadores
Além do desempenho registrado, a equipe adaptou o equipamento para facilitar o uso no ambiente doméstico. Os processos de inicialização e desligamento foram simplificados para que cuidadores treinados pudessem preparar a neuroprótese.
Dessa forma, Harrell conseguiu utilizar o recurso sem a presença constante dos pesquisadores. O estudo também registrou períodos contínuos de funcionamento durante a rotina diária.
Ao longo do acompanhamento, o participante utilizou a neuroprótese como principal forma de comunicação e acesso digital, substituindo alternativas que exigiam maior esforço físico para interação.
