A passarela da Feira da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) ganhou destaque na quarta-feira (11/03), ao reunir 25 desfiles na arena do Centro de Eventos do Ceará. No espaço, estilistas autorais, marcas consolidadas e projetos formativos apresentaram coleções que evidenciam a força criativa da moda cearense e o potencial da cadeia produtiva regional.
Mais do que uma apresentação estética, os desfiles mostraram como criação, indústria e formação profissional podem caminhar juntas. Nesse contexto, o primeiro desfile, organizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Ceará), reuniu criações de alunos de cursos técnicos, mostrando como novos profissionais já chegam ao setor com linguagem contemporânea. Assim, o encontro entre educação e mercado aponta para renovação constante do segmento.
Moda cearense revela novos talentos da indústria criativa
Entre as propostas autorais, o estilista Lindebergue Fernandes explorou a aproximação entre moda e indústria ao incorporar materiais inusitados nas peças. Mini tijolos e embalagens reaproveitadas apareceram em looks que combinam técnicas artesanais e processos industriais.
Segundo o estilista, participar da feira permitiu observar todas as etapas de produção e aproximar seu trabalho criativo da dinâmica industrial. Dessa forma, a experiência também evidencia como a moda cearense consegue integrar diferentes áreas produtivas dentro da cadeia da indústria criativa.
Além disso, novas marcas também estrearam na passarela. A Revid, por exemplo, apresentou sua primeira coleção em desfile, preparada especialmente para o evento.
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Sustentabilidade entra na passarela da indústria
A pauta ambiental também apareceu nas coleções. A marca Texugo levou à passarela peças inspiradas na Praia da Sabiaguaba, com estampas digitais baseadas em ilustrações da fauna e flora locais.
Parte dos tecidos utilizados foi produzida a partir de garrafas PET recicladas, mostrando como a moda cearense também pode incorporar práticas mais responsáveis em seus processos criativos. Assim, a proposta amplia o debate sobre reaproveitamento de materiais e inovação no setor têxtil.
Outro exemplo veio da marca autoral BrunoOlly, que transformou pneus reaproveitados em bolsas e acessórios, aproximando diferentes cadeias industriais da criação de moda.
Marcas tradicionais celebram história e evolução
A passarela também abriu espaço para marcas com trajetória consolidada. A Chica Fulô apresentou um desfile comemorativo pelos 20 anos de atuação, reunindo peças que refletem diferentes fases da marca.
Já a grife Pena, com 40 anos de história, levou à passarela uma coleção com 30 looks que revisitavam suas origens no interior do Ceará e sua consolidação em Fortaleza. Dessa forma, as peças combinaram moda casual, referências ao surfe e materiais sustentáveis.
Além disso, a estilista Silvania de Deus apresentou a coleção Paratodes, com 30 looks que valorizam técnicas artesanais, modelagem inclusiva e referências à cultura popular cearense.
A presença de diversas marcas e propostas criativas reforça o potencial da moda cearense como parte da economia criativa do estado. Ao integrar formação profissional, inovação de materiais e identidade cultural, eventos industriais ampliam oportunidades para novos talentos e fortalecem o setor têxtil regional.
No cenário atual, iniciativas que conectam indústria e criação também indicam caminhos para o futuro da moda cearense, com impacto direto na geração de negócios, inovação e valorização da cultura local.