Cientistas criam material a partir de resíduos de siderúrgicas que remove 75% de poluente da água

Cientistas da UFSCar e UFRN usaram resíduos siderúrgicos e conchas para criar material que removeu 75% de contaminante em teste com luz solar.
Material produzido com resíduos siderúrgicos e conchas marinhas usado em pesquisa para remoção de poluente da água.
Pesquisadores da UFSCar e da UFRN criaram um material a partir de resíduos de siderúrgicas e conchas marinhas que removeu cerca de 75% de um poluente da água em testes com luz solar. (Foto: Fapesp)

Pesquisadores brasileiros transformaram resíduos de siderúrgicas e conchas marinhas em um novo material capaz de remover cerca de 75% de um poluente da água com a ajuda da luz solar. O resultado foi obtido em testes experimentais com azul de metileno.

Apoio

O trabalho foi desenvolvido por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para produzir o composto, eles aproveitaram pó de alto-forno da indústria siderúrgica e conchas que também poderiam acabar descartadas.

Nos testes, o material limpa água por meio da fotocatálise, processo em que a luz desencadeia reações químicas capazes de degradar determinadas substâncias. Foram necessários 150 minutos de exposição à luz solar para alcançar a remoção de aproximadamente 75% do azul de metileno.

O composto ainda apresentou uma segunda função durante a pesquisa: produzir hidrogênio. Os resultados, publicados no International Journal of Hydrogen Energy, colocam dois resíduos de origens diferentes como matérias-primas de uma tecnologia que agora precisa avançar para condições mais próximas das encontradas fora do laboratório.

Material limpa água com ajuda da luz solar

O primeiro componente usado pelos pesquisadores veio do pó de alto-forno. A equipe conseguiu recuperar 1,02 grama de óxido de ferro a partir de 5 gramas desse resíduo siderúrgico.

Já as conchas marinhas serviram para obter hidroxiapatita. Os cientistas combinaram os dois componentes em diferentes proporções até encontrar a composição com melhor desempenho para a degradação do contaminante.

A luz solar tem papel essencial nesse funcionamento. Quando recebe a radiação, o material favorece reações que atuam sobre o azul de metileno, corante usado pelos pesquisadores como modelo de poluente.

Material pôde ser reutilizado cinco vezes

Outro resultado observado foi a capacidade de reaproveitamento do composto. Após cinco ciclos de uso, a atividade fotocatalítica apresentou queda de apenas 6%, enquanto análises mostraram que sua estrutura cristalina foi preservada.

Os cientistas também avaliaram seu funcionamento em água da chuva, de lago e da torneira. Segundo os pesquisadores, as diferentes condições provocaram poucas alterações na atividade do material.

Além da degradação do azul de metileno, o composto gerou mais de 25 micromols de hidrogênio por grama após quatro horas de exposição solar. A equipe ressalta, porém, que esse resultado ainda é uma estimativa experimental e pretende realizar medições mais precisas.

Testes com efluentes reais serão o próximo desafio

Apesar do resultado de 75%, o estudo ainda não demonstra o tratamento de água contaminada em condições reais. O azul de metileno serviu como substância-modelo para avaliar o desempenho do material em laboratório.

Entre os próximos passos estão os testes com efluentes reais, a avaliação do desempenho em escala maior e estudos mais longos sobre a estabilidade do composto. Os pesquisadores também pretendem aperfeiçoar a produção e a medição do hidrogênio.

É justamente essa etapa que deverá mostrar até onde a tecnologia pode chegar. Para o material que limpa água sair do ambiente experimental, será necessário comprovar que o desempenho observado com o azul de metileno se mantém diante de misturas mais complexas de contaminantes.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp