O vídeo de Lito Sousa publicado nesta quarta-feira (26/08) trouxe um relato feito poucas horas depois de ele receber o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob. Entre lágrimas, o influenciador explicou por que decidiu registrar aquele momento enquanto ainda preservava a capacidade de se comunicar com os seguidores.
A gravação chega em meio a uma mobilização que ultrapassou as redes sociais. Seguidores, personalidades e empresários passaram a defender a busca por alternativas experimentais para Lito, enquanto instituições brasileiras tentam estabelecer contato com pesquisadores no exterior.
O movimento ganhou a participação dos presidentes de Azul, Gol e Latam, que gravaram uma mensagem conjunta em apoio ao criador do canal Aviões e Músicas. A iniciativa também contou com manifestações de empresas e entidades ligadas ao setor aéreo.
O apoio, porém, ainda não significa que Lito tenha conseguido acesso a algum medicamento. A doença é rara, progride rapidamente e atualmente não possui tratamento aprovado capaz de interromper sua evolução.
Lito Sousa: vídeo registra momento após diagnóstico
A equipe publicou nesta quarta o material gravado no próprio dia em que Lito recebeu a confirmação da doença. Ele aparece ao lado da esposa, Mila Seidl, e fala sobre família, trabalho e a necessidade de deixar uma mensagem enquanto ainda conseguia organizar seus pensamentos.
Antes disso, Lito já havia aparecido em outro vídeo pedindo, em inglês, ajuda para tentar participar de pesquisas experimentais contra doenças priônicas. O pedido foi compartilhado por seguidores e ganhou repercussão fora da comunidade de aviação.
A família busca possibilidades principalmente nos Estados Unidos. Uma delas envolve o Broad Institute, ligado ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à Universidade Harvard, que mantém pesquisas experimentais voltadas às doenças priônicas.
Empresários da aviação entram na mobilização
A ligação de Lito com a aviação levou executivos do setor a participar da campanha. John Rodgerson, da Azul, Celso Ferrer, da Gol, e Jerome Cadier, da Latam, gravaram mensagens divulgadas pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Os executivos destacaram a contribuição de Lito para aproximar o público da aviação e defenderam esforços para que ele possa ser avaliado para estudos experimentais. Outras empresas do setor também publicaram manifestações de apoio.
A mobilização se soma à reação de milhares de seguidores e de pessoas conhecidas publicamente, que vêm compartilhando pedidos de ajuda desde que Mila revelou o diagnóstico e as dificuldades para encontrar alternativas.
Governo também busca alternativas para Lito
A tentativa chegou ainda ao governo federal. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, Ministério da Saúde e Itamaraty mantêm contatos com pesquisadores e representações no exterior para verificar possibilidades relacionadas ao caso.
Uma das pesquisas procuradas pela família testa o ION717, medicamento experimental da Ionis Pharmaceuticals. A empresa informou que o estudo está em fase inicial, não aceita novos participantes neste momento e ainda não oferece o composto por programas de acesso expandido.
Por isso, a repercussão do vídeo do Lito Sousa produziu uma rede concreta de apoio, mas a principal incerteza permanece. Empresários, governo e pesquisadores podem ajudar a abrir contatos e analisar possibilidades; o acesso a uma terapia experimental continuará dependendo dos critérios científicos e regulatórios de cada pesquisa.