Governo mira aluguel de carros ao lançar linha de crédito para motoristas de aplicativo

Governo prepara linha de crédito para motoristas de aplicativo com juros menores e foco na compra do carro próprio.
Motorista de aplicativo usa celular dentro do carro em meio a debate sobre linha de crédito para compra de veículo próprio
Nova linha de crédito para motoristas de aplicativo tenta reduzir dependência de carros alugados e ampliar acesso ao veículo próprio. (Foto: Reprodução)

A nova linha de crédito para motoristas de aplicativo preparada pelo governo federal tenta atacar um dos maiores custos da categoria hoje: o aluguel de veículos. A proposta prevê financiamento com juros abaixo dos praticados no mercado para trabalhadores de plataformas como Uber e 99 comprarem o próprio carro.

Na prática, o programa busca reduzir a dependência de veículos alugados, que consomem parte relevante da renda de quem trabalha por aplicativo. Para muitos motoristas, combustível, taxas das plataformas e aluguel acabam comprometendo boa parte do faturamento mensal antes mesmo do lucro aparecer.

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O governo avalia que transformar o veículo em patrimônio próprio pode aumentar a renda líquida dos trabalhadores e reduzir a vulnerabilidade financeira de quem depende exclusivamente dos aplicativos para sobreviver.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem mais de 1,5 milhão de pessoas atuando em plataformas digitais de transporte e entrega. O crescimento do setor ampliou o número de profissionais sem vínculo formal e com dificuldade de acesso ao crédito tradicional.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), afirmou que os juros previstos para motoristas e taxistas devem ficar “menor que a metade” das taxas cobradas atualmente pelo mercado.

A proposta tenta criar uma alternativa ao modelo em que parte significativa da jornada de trabalho é usada apenas para cobrir o custo do aluguel do carro.

linha de crédito para motoristas de aplicativo: O que muda?

O principal impacto da medida está na possibilidade de transformar um custo recorrente em aquisição de patrimônio. Hoje, muitos motoristas trabalham exclusivamente com carros alugados e precisam manter longas jornadas para conseguir equilibrar combustível, diária do veículo e despesas pessoais.

Com um financiamento automotivo mais acessível, o governo acredita que parte desses profissionais poderá substituir o aluguel por parcelas com custo menor no longo prazo.

A avaliação dentro do governo é que a mudança pode aumentar a renda líquida dos motoristas e diminuir a dependência financeira das locadoras.

Outro ponto considerado estratégico envolve a renovação da frota. Veículos mais novos tendem a reduzir gastos com manutenção e diminuir períodos em que o motorista precisa interromper o trabalho por problemas mecânicos.

Especialistas também apontam que o acesso facilitado ao crédito pode ampliar o risco de endividamento caso as parcelas não acompanhem a renda variável típica dos aplicativos. Por isso, o governo ainda discute critérios de aprovação e modelo de financiamento.

Crédito para Uber e 99 amplia debate sobre trabalho por aplicativos

Além da compra do próprio veículo, o programa também reforça uma mudança no debate sobre trabalhadores de plataformas digitais.

Nos últimos anos, a discussão ficou concentrada em regulamentação, vínculo trabalhista e divisão dos ganhos entre empresas e profissionais. Agora, o foco começa a avançar para acesso a crédito, renovação de frota e condições financeiras da categoria.

Sem renda fixa formal, muitos motoristas enfrentam juros maiores e barreiras para conseguir financiamento automotivo tradicional.

O governo também discute a criação de 100 pontos de apoio em parceria com o Banco do Brasil e medidas para ampliar a transparência dos aplicativos. A proposta prevê que plataformas informem de forma mais clara quanto fica com a empresa e quanto é efetivamente repassado ao motorista ou entregador.

O modelo deve seguir lógica semelhante ao Move Brasil, programa criado recentemente para caminhoneiros e motoristas de ônibus.

Financiamento para motoboy ainda enfrenta resistência dos bancos

Apesar do avanço nas negociações para motoristas de aplicativo e taxistas, os entregadores ainda aguardam uma solução definitiva.

Segundo Guilherme Boulos, bancos continuam resistindo à redução dos juros para financiamento de motos. O ministro classificou as taxas atuais como “indecentes” e afirmou que o governo tenta construir alternativas principalmente por meio de bancos públicos.

O impasse expõe um problema estrutural da economia de delivery. Mesmo sendo parte importante da logística urbana, motoboys seguem enfrentando crédito caro, alto risco de endividamento e desgaste acelerado da moto usada no trabalho.

A expectativa do governo é anunciar nos próximos dias uma alternativa também voltada para entregadores de aplicativos.

Se avançar, a proposta pode permitir que parte dos trabalhadores deixe de atuar apenas para pagar aluguel ou financiamento caro e consiga transformar o veículo em patrimônio próprio dentro de um setor que movimenta milhões de brasileiros.

O que já se sabe sobre a linha de crédito para motoristas de aplicativo

Quem poderá acessar?

Motoristas de aplicativo e taxistas devem ser incluídos na primeira etapa do programa.

O programa já começou?

Ainda não. O governo federal deve anunciar os detalhes oficiais nos próximos dias.

Entregadores também serão incluídos?

O governo afirma que busca alternativas para incluir motoboys e entregadores no programa.

Os juros serão menores?

Segundo Guilherme Boulos, a taxa prevista deve ficar abaixo da metade da praticada atualmente pelo mercado.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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