Ter uma conta de luz mais barata é um desejo de milhares de brasileiros e pode ganhar um novo caminho a partir de 2028. Com a abertura do mercado livre de energia para residências, brasileiros poderão comparar fornecedores e negociar condições da compra de eletricidade.
A mudança começa para consumidores residenciais em 25 de novembro de 2028. Já pequenos comércios e indústrias atendidos em baixa tensão poderão entrar nesse mercado um ano antes, em novembro de 2027.
No novo modelo, será possível negociar preço, quantidade de energia, prazo de fornecimento e forma de pagamento. Em alguns contratos, o cliente também poderá escolher a origem da eletricidade que pretende comprar.
Isso não significa, porém, que toda a conta ficará negociável ou que haverá desconto automático. O consumidor continuará pagando pelo uso da rede da distribuidora local. A possibilidade de economia estará principalmente na parcela referente à energia contratada.
Conta de luz mais barata dependerá da oferta escolhida
Hoje, consumidores residenciais recebem energia dentro do mercado regulado e não escolhem quem comercializa a eletricidade. A abertura muda justamente essa relação comercial.
Em vez de aceitar apenas as condições do mercado regulado, o consumidor poderá comparar propostas antes de contratar. Fornecedores poderão disputar esses clientes com preços e condições diferentes.
Essa concorrência cria espaço para buscar economia, mas o resultado dependerá do contrato, do perfil de consumo e das ofertas disponíveis. Por isso, a abertura não significa que todas as famílias necessariamente pagarão menos.
Consumidor poderá negociar preço, prazo e forma de pagamento
O mercado livre permite negociar elementos que hoje não ficam diretamente nas mãos do consumidor residencial. Entre eles estão preço da energia, quantidade contratada, prazo e forma de pagamento.
A mudança não altera a infraestrutura usada para levar eletricidade às casas. A distribuidora local continuará responsável pelos fios, pela entrega da energia e pela manutenção da rede.
O consumidor também continuará pagando pelo uso dessa estrutura. Portanto, buscar uma conta de luz mais barata exigirá comparar não apenas o valor oferecido pelo fornecedor, mas as condições completas do contrato.
Novo mercado deve chegar a 90 milhões de consumidores
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) estima que a abertura do mercado alcance cerca de 90 milhões de consumidores. A entidade já iniciou uma campanha nacional para explicar como funcionará a nova modalidade.
O mercado livre já tem peso relevante no sistema brasileiro. Em 2025, ele respondeu por 42% de toda a energia consumida no país, segundo estudo da CCEE.
Até agora, porém, esse ambiente esteve concentrado principalmente em consumidores enquadrados nas regras de média e alta tensão. A chegada às residências coloca milhões de famílias diante de uma escolha que hoje não existe.
Para quem pretende buscar uma conta de luz mais barata, o principal cuidado será comparar preço, duração do contrato e demais condições antes de migrar. A partir de 2028, escolher de quem comprar energia poderá fazer parte das decisões domésticas sobre como reduzir gastos mensais.