Cacique Raoni se recupera após uma cirurgia para desobstrução intestinal e deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na terça-feira (23/06). Segundo boletim do Hospital São Paulo, o líder indígena apresenta evolução clínica estável, permanece internado em um quarto e ainda não há previsão de alta.
A equipe médica informou que Raoni Metuktire, de 93 anos, líder do povo Mẽbêngôkre-Kayapó, está sem febre, respira sem auxílio de aparelhos, mantém função renal normal e iniciou uma dieta oral pastosa, aceita sem intercorrências. O procedimento transcorreu sem complicações.
A recuperação de Raoni Metuktire vai além do boletim médico. Ao longo de décadas, o cacique tornou-se uma das principais vozes na defesa dos povos indígenas e da Amazônia, levando essas pautas a espaços de diálogo no Brasil e no exterior.
Mesmo enfrentando limitações de saúde nos últimos meses, Raoni manteve participação em atividades públicas. Em abril, esteve no Acampamento Terra Livre, em Brasília, principal mobilização indígena do país.
Saúde do cacique Raoni preserva uma liderança de alcance internacional
Cacique Raoni se recupera e a melhora clínica mantém ativa uma liderança que participa de debates sobre proteção da Amazônia, biodiversidade e direitos dos povos indígenas. Por esse histórico, sua recuperação desperta atenção muito além do ambiente hospitalar.
Em 2021, Raoni recebeu o título de Membro Honorário da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), concedido a personalidades com contribuição para a conservação da natureza.
No ano anterior, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Sua projeção internacional começou a ganhar força no fim da década de 1970, quando passou a participar de campanhas em diferentes países em defesa dos territórios indígenas e da Amazônia, trajetória que o transformou em uma referência mundial nessa pauta.
Raoni deixa a UTI após evolução positiva no pós-operatório
Antes da transferência para São Paulo, o cacique permaneceu seis dias internado no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no norte de Mato Grosso. Ele apresentou episódios de vômito, tosse intensa e dores abdominais antes de ser encaminhado para a capital paulista.
Segundo o Hospital São Paulo, Raoni deu entrada na unidade em 19 de junho com obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. A cirurgia para restabelecer o trânsito intestinal foi realizada no dia seguinte, seguida de monitoramento intensivo até a saída da UTI.
Os médicos informaram que a transição para a alimentação por via oral foi bem aceita. O acompanhamento continua enquanto não há previsão de alta hospitalar.
Cacique Raoni se recupera e acompanha décadas de dedicação aos povos indígenas
Em maio deste ano, Raoni passou por tratamento de uma hérnia e recebeu diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva e problemas cardíacos. Ainda assim, continuou participando de compromissos ligados ao movimento indígena.
Sua atuação também contribuiu para ampliar o reconhecimento internacional da demarcação de terras indígenas e da conservação da Amazônia. Ao longo de décadas, participou de iniciativas que deram maior visibilidade às reivindicações dos povos originários em diferentes espaços de diálogo.
O boletim mais recente confirma que Raoni evolui após cirurgia e segue sob acompanhamento médico. A melhora preserva a atuação de uma liderança cuja trajetória ajudou a ampliar a presença dos povos indígenas nas discussões sobre proteção ambiental e direitos territoriais, motivo pelo qual sua recuperação mobiliza atenção no Brasil e em outros países.
