Brasileiro ídolo no Marrocos deixou legado que ainda impulsiona a seleção africana

José Faria ajudou a mudar a história do futebol marroquino e participou da construção da seleção africana mais bem colocada da história da FIFA. Conheça essa trajetória.
José Faria, brasileiro ídolo no Marrocos, treinador que liderou a seleção marroquina na histórica campanha da Copa do Mundo de 1986.
José Faria tornou-se um brasileiro ídolo no Marrocos após comandar a seleção africana na histórica campanha da Copa do Mundo de 1986. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O confronto entre Brasil e Marrocos neste sábado (13/6), pela Copa do Mundo de 2026, reúne duas seleções que compartilham um personagem decisivo em sua história. O brasileiro ídolo no Marrocos, José Faria, conduziu a seleção africana à sua primeira classificação para o mata-mata de um Mundial e participou da construção esportiva que ajudou o país a alcançar reconhecimento internacional.

Nascido no Brasil, o treinador passou por Fluminense, Bangu e Bonsucesso como jogador antes de iniciar a carreira técnica. A trajetória do brasileiro que fez história no Marrocos começou nas categorias de base do clube carioca, onde permaneceu por quase 11 anos antes de seguir para o futebol internacional.

Apoio

A passagem pelo Al-Saad, do Catar, abriu caminho para o convite recebido em 1983 para assumir a seleção marroquina. A partir daquele momento, José Faria iniciou um trabalho que o transformaria em um dos treinadores estrangeiros mais respeitados da história do país.

A história também ajuda a explicar como profissionais formados no futebol brasileiro contribuíram para a evolução de seleções em diferentes partes do mundo. Décadas antes da internacionalização acelerada do esporte, treinadores brasileiros já participavam da formação de projetos que ampliaram a competitividade de equipes nacionais fora dos centros tradicionais do futebol.

Brasileiro ídolo no Marrocos liderou campanha histórica em 1986

José Faria assumiu a seleção marroquina em um período de crescimento esportivo. Três anos depois, conduziu a equipe ao maior resultado do país em Copas do Mundo até então.

Na edição de 1986, Marrocos terminou na liderança de um grupo formado por Portugal, Inglaterra e Polônia. A campanha levou a seleção africana à fase eliminatória pela primeira vez.

O feito ganhou dimensão histórica porque foi a primeira vez que uma seleção africana encerrou a fase de grupos de uma Copa do Mundo na primeira colocação de sua chave. O resultado ampliou o reconhecimento internacional do futebol marroquino e colocou o treinador brasileiro entre os nomes mais admirados do esporte local.

O trabalho também elevou o futebol de clubes no país

A contribuição do técnico brasileiro em Marrocos não ficou restrita à seleção nacional. No comando do clube das Forças Armadas Reais de Rabat, acumulou títulos nacionais e conquistou a Liga dos Campeões da África em 1985.

A conquista continental ampliou a visibilidade dos clubes marroquinos e fortaleceu a presença do país nas principais competições do continente. O período marcou uma fase de crescimento que ajudou a consolidar estruturas esportivas mais competitivas.

A ligação construída com a sociedade local foi além do futebol. Com o passar dos anos, o treinador adotou a religião islâmica e passou a utilizar o nome Mehdi Faria, tornando-se uma figura reconhecida nacionalmente.

Brasileiro ídolo no Marrocos: O legado ajuda a entender a força atual de Marrocos

A evolução observada nas últimas décadas colocou Marrocos entre as principais seleções do futebol mundial. Atualmente, o país ocupa a sétima colocação no ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA), a posição mais alta já alcançada por uma seleção africana.

A campanha mais marcante da era recente aconteceu na Copa do Mundo de 2022, quando os marroquinos se tornaram a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal do torneio.

Até aquele resultado no Catar, nenhuma geração do país havia superado o desempenho obtido pela equipe comandada por José Faria em 1986. Quando Brasil e Marrocos entram em campo na Copa de 2026, o encontro também recorda a trajetória de um brasileiro reverenciado no Marrocos que ajudou a construir uma das histórias de crescimento mais consistentes do futebol internacional.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp