O Brasil atingiu o maior IDH da história e entrou pela primeira vez na faixa de desenvolvimento humano “muito alto”, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26/05) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) chegou a 0,805 em 2024, acima da linha de 0,800 usada pela ONU para classificar países com desenvolvimento humano muito alto.
Educação, Bolsa Família e avanço do Nordeste ajudaram o Brasil a entrar pela primeira vez na faixa de desenvolvimento humano muito alto.
O resultado marca o maior nível de desenvolvimento humano já registrado no Brasil e mostra uma mudança estrutural no país, que há 30 anos estava na faixa de baixo desenvolvimento humano. O avanço até o atual patamar revela uma transformação gradual nas condições de vida da população brasileira ao longo de uma geração.
Os dados mostram que educação, inclusão social e expansão regional passaram a produzir efeitos concretos na qualidade de vida da população. Na prática, o indicador mede fatores que afetam diretamente a vida dos brasileiros, como acesso à escola, renda, expectativa de vida e condições básicas de bem-estar.
O levantamento aponta que o principal motor do avanço do IDH brasileiro foi a educação, sobretudo entre famílias negras e de baixa renda. Outro dado que altera a dinâmica histórica do país é o crescimento das regiões metropolitanas do Nordeste, que passaram a contribuir diretamente para elevar a média nacional.
Segundo o Pnud, sete regiões metropolitanas nordestinas já atingiram nível muito alto de desenvolvimento humano, algo considerado inédito pela entidade.
Há três décadas, o Brasil estava na faixa de baixo desenvolvimento humano. Hoje, entra no grupo de países com índice muito alto, em um movimento impulsionado por políticas públicas de educação, saúde e inclusão social.
O recorde histórico foi alcançado mesmo após os impactos sociais e sanitários provocados pela pandemia de covid-19, que reduziu temporariamente indicadores ligados à expectativa de vida no país.
Como educação e inclusão ajudaram o Brasil a atingir maior IDH
A educação foi o indicador que mais cresceu entre 2012 e 2024. O índice saiu de 0,679 para 0,798 no período, aproximando-se da faixa de desenvolvimento humano muito alto.
Para a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, políticas públicas de longo prazo ajudaram a transformar os indicadores sociais do país, especialmente o Bolsa Família.
Segundo ela, o programa contribuiu para retirar crianças do trabalho precoce e ampliar a permanência escolar, criando efeitos acumulados que começaram a aparecer cerca de uma década depois.
O relatório aponta uma transformação geracional no Brasil. Famílias que antes enfrentavam dificuldade para manter crianças na escola passaram a registrar melhora educacional consistente, refletindo diretamente no avanço social do país.
O avanço da educação influencia desde oportunidades de emprego até renda familiar e acesso a melhores condições de vida ao longo do tempo.
O impacto foi mais intenso justamente entre famílias negras e de menor renda, grupo que passou a apresentar melhora mais acelerada nos resultados educacionais.
A análise do Pnud reforça que o Brasil começou a alcançar o maior patamar social da história quando políticas públicas passaram a incluir populações antes afastadas do acesso à educação e oportunidades.
Nordeste passa a impulsionar desenvolvimento humano do Brasil
Um dos movimentos mais relevantes do levantamento é a mudança no papel do Nordeste dentro do desenvolvimento humano brasileiro.
Pela primeira vez, regiões metropolitanas nordestinas deixaram de atuar como freio estatístico do desenvolvimento nacional e passaram a contribuir diretamente para elevar a média brasileira do IDHM.
Regiões que historicamente apresentavam indicadores abaixo da média nacional agora ajudam a elevar o desenvolvimento humano do país.
Natal lidera entre as regiões metropolitanas nordestinas citadas no estudo, com índice de 0,822. Também aparecem:
- Aracaju: 0,809
- Grande Teresina: 0,809
- Recife: 0,806
- São Luís: 0,806
- Salvador: 0,803
- João Pessoa: 0,803
O dado mostra uma descentralização gradual do crescimento brasileiro, antes concentrado principalmente em áreas do Sul e Sudeste.
O movimento consolida uma mudança regional inédita no desenvolvimento brasileiro. Isso significa que cidades historicamente marcadas por desigualdade passaram a registrar melhora mais consistente em educação, renda e acesso a serviços públicos.
Brasil atinge maior IDH: SUS mantém saúde brasileira em nível elevado
O levantamento também mostra que a saúde continua sendo um dos pilares mais sólidos do desenvolvimento humano brasileiro.
O índice ligado à longevidade já estava na faixa de muito alto desenvolvimento desde 2012, quando atingiu 0,829. Em 2024, chegou a 0,860.
Segundo o Pnud, a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo das últimas décadas ajudou a sustentar os números brasileiros mesmo após o impacto severo da pandemia, especialmente em áreas ligadas à vacinação, atenção básica e aumento da expectativa de vida da população.
Apesar disso, a entidade alerta que os efeitos da covid-19 ainda afetam indicadores ligados à expectativa de vida e mortalidade infantil.
Desigualdade ainda limita crescimento social do país
Embora o Brasil tenha alcançado o maior índice de desenvolvimento humano da história, o relatório mostra que desigualdades de renda, raça e gênero ainda limitam o crescimento do país.
O IDHM entre pessoas brancas chegou a 0,851, enquanto entre pessoas negras ficou em 0,774.
Entre homens, o índice alcançou 0,802. Entre mulheres, 0,798. Segundo o Pnud, a principal diferença está na renda do trabalho.
Diferentemente da educação e da longevidade, a renda avançou em ritmo mais lento entre 2012 e 2024. O índice passou de 0,732 para 0,760 no período, indicando que o crescimento econômico ainda não acompanha a velocidade dos avanços sociais registrados no país.
O relatório aponta que o Brasil dificilmente avançará para níveis ainda mais altos de desenvolvimento humano sem ampliar políticas de inclusão econômica e social.
Na avaliação do Pnud, o país começou a melhorar de forma mais consistente justamente quando educação, acesso à escola e inclusão social passaram a alcançar grupos historicamente marginalizados.
O avanço mostra que políticas de educação, saúde e inclusão social passaram a produzir efeitos concretos na vida da população, embora desigualdades de renda ainda limitem uma melhora mais acelerada no país.