Durante a Feira da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), realizada em 10 de março no Centro de Eventos do Ceará, especialistas discutiram como a certificação ambiental e as práticas ESG têm apoiado a transformação da indústria brasileira. O tema foi abordado na palestra “Cases ESG: Principais conceitos e ações relacionadas ao desenvolvimento industrial sustentável”, que reuniu líderes empresariais e especialistas para compartilhar experiências sobre o uso de indicadores ambientais na competitividade das empresas.
O programa de certificação ESG da entidade já reúne 33 empresas participantes, das quais 10 alcançaram nota A em sustentabilidade e desempenho ambiental. A adesão crescente indica que parte da indústria busca organizar suas estratégias ambientais com base em critérios mensuráveis. Ao mesmo tempo, o tema vem ampliando o diálogo sobre competitividade e responsabilidade ambiental no setor.
Certificação ambiental cria parâmetros objetivos para empresas
A certificação ambiental adotada pela FIEC avalia 74 indicadores distribuídos nos três pilares ESG: ambiental, social e governança. Assim, empresas que atingem mais de 80% dos critérios podem obter certificação de alto nível, sinalizando maturidade na implementação de práticas sustentáveis.
Segundo Joaquim Rolim, gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEC, a iniciativa incentiva uma gestão mais responsável dos recursos naturais.
“Importante sabermos utilizar os recursos naturais de forma a garantir que as futuras gerações também tenham acesso a eles”, afirmou.
Além disso, o modelo permite que empresas acompanhem de forma estruturada o próprio desempenho ambiental e social.
Auditorias independentes ampliam credibilidade das práticas ESG
Outro aspecto destacado no debate foi o papel da verificação externa no processo de certificação ambiental. A FIEC estruturou parceria com uma certificadora internacional para conduzir auditorias independentes.
De acordo com Alcileia Farias, gerente do Núcleo ESG da entidade, esse modelo fortalece a confiança nas informações apresentadas pelas empresas.
“O objetivo não é apenas afirmar que uma organização é sustentável, mas comprovar esse compromisso por meio de auditorias independentes”, explicou.
Na prática, a certificação exige que organizações apresentem dados verificáveis, indicando quem realizou a auditoria e quais indicadores foram avaliados.
Certificação ambiental se conecta à competitividade industrial
A discussão ocorreu durante a palestra “Cases ESG: Principais conceitos e ações relacionadas ao desenvolvimento industrial sustentável”, realizada no segundo dia da Feira da Indústria FIEC, no Centro de Eventos do Ceará.
Além disso, o encontro reuniu lideranças empresariais, entre elas o ex-presidente da FIEC Beto Studart, o presidente do NUTEC, Francisco Magalhães, e o empresário Aderito Sequeira Praça. As experiências apresentadas mostraram como a certificação ambiental pode ajudar empresas a estruturar políticas internas e dialogar com mercados que exigem critérios claros de sustentabilidade.
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Certificação ambiental e os próximos passos da agenda sustentável
À medida que mais empresas buscam comprovar práticas sustentáveis, a certificação ambiental tende a ganhar espaço como referência técnica para avaliar desempenho industrial. Assim, o uso de indicadores e auditorias externas também pode contribuir para ampliar transparência e orientar decisões de investimento e inovação no setor produtivo.
Tecnologia e conservação ambiental na Amazônia
Entre os cases apresentados, o COO da AmazonTree, Marco Chagas, mostrou como a tecnologia amplia a transparência em projetos de conservação florestal e geração de créditos ambientais, ligados à certificação ambiental e ao monitoramento sustentável. Assim, ele destacou a complexidade de medir e monitorar áreas florestais em grande escala. Como afirmou:
“quando falamos da Amazônia, estamos lidando com uma dimensão gigantesca, e isso exige tecnologia para garantir precisão e transparência”.
Além disso, o executivo explicou que a empresa utiliza soluções avançadas para medir biomassa e mapear áreas preservadas.
“Conseguimos medir a biomassa em áreas de 16 por 16 metros e projetar virtualmente uma árvore digital equivalente. Dessa forma, esse tipo de tecnologia permite criar inventários florestais confiáveis e dar rastreabilidade aos créditos ambientais”, afirmou.
Gestão ambiental impulsiona competitividade industrial
No campo industrial, a experiência das empresas também foi destacada no painel. O diretor da Durametal, Victor Praça, explicou que a agenda ESG da companhia começou antes mesmo da popularização do conceito. Segundo ele, o grupo implementou um sistema de gestão ambiental ainda em 2007, o que permitiu consolidar práticas que hoje dialogam com critérios de certificação ambiental e sustentabilidade corporativa.
Além disso, o executivo ressaltou iniciativas voltadas à redução de emissões.
“Atualmente, cerca de 85% do material utilizado na produção é proveniente de sucata reciclada, o que contribui para reduzir o impacto ambiental da operação. Ao mesmo tempo, a indústria passou a utilizar energia certificada com emissão zero, o que permitiu neutralizar o chamado escopo 2 do inventário de gases de efeito estufa”, detalhou.
Governança e sustentabilidade na estratégia empresarial
Já no setor da construção, a gerente de Processos e Qualidade da BSPAR, Geisia Vieira, destacou que a sustentabilidade na empresa está ligada à visão estratégica do empresário Beto Studart, presidente e fundador da companhia.
Segundo ela, a governança corporativa orienta a atuação em torno de objetivos socioambientais alinhados à agenda ESG e a padrões de certificação ambiental.
“Nossa governança possui estruturas bem definidas, alinhadas às atividades relacionadas ao ESG. Assim, cada área trabalha essas premissas dentro de seu escopo, o que faz da empresa uma organização cada vez mais comprometida com o desenvolvimento sustentável”, explicou.
A executiva acrescentou que aspectos como conforto urbano, qualidade de vida e integração com o ambiente fazem parte do planejamento desde o início dos projetos desenvolvidos pela empresa.
ESG como cultura organizacional
Outro exemplo apresentado foi o da B&Q Energia. O CEO da companhia e presidente do Sindienergia, Luis Carlos Queiroz, ressaltou que a confiança dos clientes e a segurança dos trabalhadores sempre estiveram no centro da estratégia empresarial.
Segundo ele, a empresa foi pioneira na adoção de certificações de segurança e gestão integrada no setor. “Há mais de quinze anos decidimos estruturar um sistema integrado de qualidade, segurança e gestão ambiental. Naquele momento, essa era uma necessidade para garantir confiança do cliente e segurança das equipes”, afirmou.
Atualmente, a empresa possui mais de cinco mil colaboradores espalhados pelo Brasil, o que torna a gestão ESG ainda mais desafiadora. Para o executivo, a comunicação interna e o alinhamento entre as equipes são fundamentais para garantir que as práticas sustentáveis, muitas vezes associadas a processos de certificação ambiental, sejam aplicadas de forma consistente em todas as operações.
Sustentabilidade como estratégia de negócio
Encerrando o painel, o diretor da Qair Brasil, Gustavo Silva, explicou que a agenda ESG da empresa ganhou força quando passou a integrar oficialmente a identidade organizacional. A partir dessa decisão, o tema passou a orientar de forma mais direta as estratégias corporativas e iniciativas alinhadas à certificação ambiental e aos compromissos climáticos.
“Quando a sustentabilidade passa a fazer parte da identidade da empresa, ela deixa de ser apenas um projeto e se transforma em um processo estratégico”, afirmou.
Nesse sentido, a companhia estruturou uma política de responsabilidade com nove princípios de desenvolvimento sustentável e 21 diretrizes operacionais, além de alinhar prioridades aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as iniciativas estão o inventário anual de carbono, o uso crescente de energia renovável nas operações e a criação de um instituto voltado à atuação social nas comunidades atendidas pela empresa.