A paixão pelos estudos começou ainda na primeira infância e acaba de levar um talento cearense ao reconhecimento internacional. Aos 7 anos, o estudante João Vitor Guedes, aluno do Colégio Farias Brito, conquistou duas medalhas de bronze na Singapore International Mathematics Olympiad Challenge (SIMOC) 2026, uma das mais prestigiadas competições internacionais para estudantes.
Realizada entre 17 e 21 de julho, em Singapura, a olimpíada reuniu participantes de diversos países. João Vitor foi premiado tanto na disputa individual quanto na competição por equipes, modalidade que reúne estudantes de diferentes nacionalidades para solucionar desafios matemáticos de forma colaborativa.
Interesse pelos estudos surgiu ainda na primeira infância
As medalhas conquistadas em Singapura coroam uma trajetória marcada pela curiosidade e pelo prazer em aprender. Segundo a mãe, a neuropsicóloga Malu Guedes, João demonstrava facilidade para reconhecer letras e números ainda nos primeiros meses de vida.
Aos 2 anos, realizou seu primeiro teste de QI e alcançou 130 pontos. Dois anos depois, uma nova avaliação registrou 141 pontos. Nesse período, também recebeu medalhas no Kumon, onde chamava atenção pelo entusiasmo com os estudos e pelo desejo constante de aprender mais.
“Quando recebi a notícia chorei demais, pois ele realmente ama estudar e é merecedor de tudo o que está sendo proporcionado”, contou Malu ao O Povo.
Antes de disputar a fase presencial da SIMOC, João superou duas etapas classificatórias on-line: uma entre estudantes brasileiros e outra com participantes de diferentes países. Todas as provas foram monitoradas em tempo real pela organização da olimpíada em Singapura.
Mudança para o Ceará impulsionou a trajetória
Na época, a família morava em Santos (SP), mas decidiu se mudar para o Ceará em busca de uma escola que oferecesse um atendimento compatível com as necessidades educacionais do menino.
Segundo Malu, o Colégio Farias Brito desenvolveu um planejamento pedagógico adaptado ao perfil de João, incentivando seu desenvolvimento e oferecendo espaço para que pudesse aprofundar os conhecimentos conforme seu próprio ritmo.
Apesar do desempenho acadêmico, João vive uma infância como a de muitas outras crianças. Estuda inglês, francês e italiano, gosta de jogar futebol, se diverte com videogames, faz passeios em família e dedica parte do tempo a montar seu álbum da Copa do Mundo.
Medalhas que vão além da matemática
A participação na olimpíada mundial de matemática reforça o potencial de estudantes brasileiros em competições internacionais e evidencia como o incentivo da família e da escola pode contribuir para o desenvolvimento de jovens talentos.
Para Malu, porém, o maior legado dessa trajetória não está apenas nas medalhas.
“O estudo muda a vida, muda histórias e afasta nossas crianças de muitas coisas ruins que a rua oferece.”
Com apenas 7 anos, João Vitor levou o Brasil ao pódio em uma das principais competições estudantis de matemática do mundo e mostra que a curiosidade, quando recebe apoio e oportunidades, pode transformar talento em conquistas que ultrapassam fronteiras.