O Brasil confirmou, na quinta-feira (02/07),o maior índice já registrado de acesso à creche para crianças de 0 a 3 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 43,3% dessa faixa etária frequentavam a educação infantil em 2025, o equivalente a cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças.
Ao todo, 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos estavam matriculadas em escolas ou creches no país. O levantamento também mostra que o atendimento na primeira infância cresceu 11 pontos percentuais desde 2016, quando o índice era de 31,8%, e avançou 2,2 pontos percentuais em relação a 2024.
O resultado representa a maior cobertura desde o início da série histórica construída pelo Todos Pela Educação com base na Pnad Contínua. Embora a antiga meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de atender 50% das crianças até 2024 não tenha sido alcançada, o crescimento contínuo demonstra ampliação do acesso à educação infantil.
A expansão também amplia oportunidades para o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida, etapa associada à aprendizagem, à socialização e ao fortalecimento das políticas públicas voltadas à primeira infância.
A expansão das creches ainda pode alcançar mais famílias
Segundo o Todos Pela Educação, mais de 1,7 milhão de crianças permanecem sem vaga, apesar do interesse das famílias. A organização defende que a abertura de novas creches seja planejada conforme a demanda de cada município e priorize territórios com maiores dificuldades de acesso.
A coordenadora de Políticas Educacionais da entidade, Natália Fregonesi, afirma que a ampliação deve vir acompanhada de infraestrutura adequada, profissionais qualificados e apoio técnico e financeiro aos municípios, responsáveis pela oferta da educação infantil.
O novo Plano Nacional de Educação ampliou a meta para que 60% das crianças de até 3 anos estejam atendidas até 2034, ampliando o horizonte para a expansão das vagas.
Desigualdades mostram onde o crescimento precisa avançar
Apesar do recorde nacional, os indicadores revelam diferenças entre regiões e grupos sociais. Santa Catarina apresenta o maior índice de atendimento, com 58,4% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches.
Na outra ponta aparecem estados da Região Norte. O Amapá registra 9,4%, seguido por Acre (19%), Amazonas (20,9%) e Roraima (22,8%), evidenciando a necessidade de ampliar a oferta nessas localidades.
As diferenças também aparecem entre faixas de renda. Entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças permanecem fora da escola por dificuldades de acesso. Entre os 20% mais ricos, esse percentual cai para 6,4%.
Acesso à creche pré-escola também alcança o maior índice da série
A pesquisa mostra outro resultado positivo. A taxa de atendimento das crianças de 4 e 5 anos chegou a 96,1%, o maior percentual registrado entre 2016 e 2025 e muito próximo da universalização prevista para essa etapa da educação básica.
Ainda assim, cerca de 219 mil crianças dessa faixa etária permanecem fora da pré-escola. Entre os fatores mais citados para a não frequência das crianças menores estão a decisão dos responsáveis e a falta de vagas ou de unidades próximas da residência.
Para ampliar o atendimento, o Ministério da Educação mantém o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei). A iniciativa prevê mais de R$ 406 milhões em investimentos durante 2026 e 2027 para apoiar estados e municípios na expansão das vagas, na melhoria da qualidade das creches e na permanência das crianças na educação infantil.
