Acesso à creche bate recorde e leva mais crianças à educação infantil

O acesso à creche atingiu o maior índice já registrado no Brasil. Entenda os números, os desafios e o que muda para a primeira infância.
Crianças participam de atividade em sala de aula durante atendimento em creche, refletindo o recorde de acesso à creche no Brasil.
Crianças participam de atividade em uma creche. O Brasil registrou o maior índice de acesso à creche da série histórica, com 43,3% das crianças de até 3 anos matriculadas.

O Brasil confirmou, na quinta-feira (02/07),o maior índice já registrado de acesso à creche para crianças de 0 a 3 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 43,3% dessa faixa etária frequentavam a educação infantil em 2025, o equivalente a cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças.

Ao todo, 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos estavam matriculadas em escolas ou creches no país. O levantamento também mostra que o atendimento na primeira infância cresceu 11 pontos percentuais desde 2016, quando o índice era de 31,8%, e avançou 2,2 pontos percentuais em relação a 2024.

O resultado representa a maior cobertura desde o início da série histórica construída pelo Todos Pela Educação com base na Pnad Contínua. Embora a antiga meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de atender 50% das crianças até 2024 não tenha sido alcançada, o crescimento contínuo demonstra ampliação do acesso à educação infantil.

A expansão também amplia oportunidades para o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida, etapa associada à aprendizagem, à socialização e ao fortalecimento das políticas públicas voltadas à primeira infância.

A expansão das creches ainda pode alcançar mais famílias

Segundo o Todos Pela Educação, mais de 1,7 milhão de crianças permanecem sem vaga, apesar do interesse das famílias. A organização defende que a abertura de novas creches seja planejada conforme a demanda de cada município e priorize territórios com maiores dificuldades de acesso.

A coordenadora de Políticas Educacionais da entidade, Natália Fregonesi, afirma que a ampliação deve vir acompanhada de infraestrutura adequada, profissionais qualificados e apoio técnico e financeiro aos municípios, responsáveis pela oferta da educação infantil.

O novo Plano Nacional de Educação ampliou a meta para que 60% das crianças de até 3 anos estejam atendidas até 2034, ampliando o horizonte para a expansão das vagas.

Desigualdades mostram onde o crescimento precisa avançar

Apesar do recorde nacional, os indicadores revelam diferenças entre regiões e grupos sociais. Santa Catarina apresenta o maior índice de atendimento, com 58,4% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches.

Na outra ponta aparecem estados da Região Norte. O Amapá registra 9,4%, seguido por Acre (19%), Amazonas (20,9%) e Roraima (22,8%), evidenciando a necessidade de ampliar a oferta nessas localidades.

As diferenças também aparecem entre faixas de renda. Entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças permanecem fora da escola por dificuldades de acesso. Entre os 20% mais ricos, esse percentual cai para 6,4%.

Acesso à creche pré-escola também alcança o maior índice da série

A pesquisa mostra outro resultado positivo. A taxa de atendimento das crianças de 4 e 5 anos chegou a 96,1%, o maior percentual registrado entre 2016 e 2025 e muito próximo da universalização prevista para essa etapa da educação básica.

Ainda assim, cerca de 219 mil crianças dessa faixa etária permanecem fora da pré-escola. Entre os fatores mais citados para a não frequência das crianças menores estão a decisão dos responsáveis e a falta de vagas ou de unidades próximas da residência.

Para ampliar o atendimento, o Ministério da Educação mantém o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei). A iniciativa prevê mais de R$ 406 milhões em investimentos durante 2026 e 2027 para apoiar estados e municípios na expansão das vagas, na melhoria da qualidade das creches e na permanência das crianças na educação infantil.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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