Depois de emocionar o país com um relato sobre o preconceito que enfrenta por fazer balé, Romeu, de apenas 6 anos, desembarcou em Joinville (SC) para acompanhar de perto o maior festival de dança do mundo. A viagem marca a primeira consequência concreta da repercussão da história do menino bailarino.
Morador de Campina Grande do Sul (PR), Romeu foi à cidade para assistir às apresentações, conhecer outros bailarinos e viver de perto o ambiente que sonha integrar no futuro.
A viagem aconteceu poucos dias depois de um vídeo gravado pelo menino ganhar repercussão nas redes sociais. Nas imagens, Romeu contou que alguns colegas o chamavam de “menininha” por praticar balé e usar o cabelo preso.
Mesmo diante das provocações, ele deixou claro que não pretende desistir da dança. “Se você é bailarino, nunca desista dos seus sonhos. Faça o que você gosta e não olhe para trás”, afirmou.
Menino bailarino transforma dor em incentivo para outras crianças
Romeu é aluno do Studio Bianca Lopes e demonstra sua paixão pelo balé nos vídeos publicados nas redes sociais. Em uma das gravações, ele relatou como reage quando ouve comentários preconceituosos na escola.
“Quando eu olho para trás, eu ouço: ‘O Romeu é uma menininha’. Eu abaixo a cabeça e tampo o meu ouvido”, contou. O desabafo chamou a atenção por mostrar como estereótipos de gênero ainda afetam crianças que escolhem atividades consideradas, de forma equivocada, exclusivas de meninas ou meninos.
No entanto, Romeu transformou uma experiência dolorosa em uma mensagem de coragem. Ao pedir que outros bailarinos não desistam dos próprios sonhos, ele passou a representar crianças que também enfrentam críticas por fazer aquilo de que gostam.
A sinceridade do garoto mobilizou milhares de pessoas. Artistas, profissionais da dança e internautas deixaram mensagens de carinho e reforçaram que o balé deve ser um espaço aberto a todos.
Escola Bolshoi deixa convite para o futuro de Romeu
O vídeo também chegou à Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, instituição onde Romeu sonha estudar. A escola respondeu ao menino com uma mensagem especial e o incentivou a continuar dançando.
“Romeu, nunca desista dos seus sonhos! A dança é para todos, seja menina ou menino. E, quando você fizer 9 anos, te esperamos aqui na seleção da Escola Bolshoi, Romeu!”, escreveu a instituição nos cometários do Instagram do menino.
Romeu ainda precisará esperar três anos para participar do processo seletivo, pois a escola exige a idade mínima de 9 anos. Ainda assim, a resposta representou o reconhecimento de uma instituição que ocupa um lugar importante nos planos do garoto.
Fundada em 2000, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil fica em Joinville e é a única filial do tradicional Teatro Bolshoi de Moscou fora da Rússia. A instituição recebe estudantes de diferentes estados brasileiros e também de outros países.
Viagem a Joinville marca primeira conquista
Antes de poder disputar uma vaga na escola, Romeu realizou outro desejo: conhecer Joinville durante o Festival de Dança. O evento reúne estudantes, profissionais, companhias e admiradores da dança de diferentes lugares.
Para o menino, acompanhar a programação significou entrar em contato com o ambiente que sonha frequentar no futuro. A viagem também mostrou que o apoio recebido na internet teve consequências concretas na vida da família.
“Hoje meu coração transborda de gratidão. Jamais imaginamos que a história do Romeu chegaria tão longe. Cada mensagem de carinho, cada oração e cada gesto de apoio têm feito toda a diferença para a nossa família”, declarou a mãe do garoto nas redes sociais.
Além da Escola Bolshoi, personalidades como a apresentadora Fátima Bernardes e o cantor e DJ Pedro Sampaio enviaram mensagens ao menino. O incentivo ajudou Romeu a perceber que não está sozinho e que o preconceito não precisa definir até onde ele pode chegar.
Escola Bolshoi incentiva novos talentos brasileiros
A seleção nacional acontece todos os anos e é aberta a crianças de 9 a 11 anos, inclusive para quem nunca fez aulas de balé. Na primeira etapa, os candidatos participam de uma pré-seleção presencial ou por vídeo. Os aprovados seguem para uma segunda fase em Joinville, onde passam cinco dias na escola participando de aulas práticas e avaliações conduzidas por professores e fisioterapeutas.
Diferentemente de muitos processos seletivos, a escola de Bolshoi não define um número fixo de vagas. A quantidade de aprovados varia de acordo com a capacidade da instituição e com o desempenho dos candidatos em cada edição. A seleção inclui avaliações conduzidas por professores e considera critérios físicos, artísticos e de aptidão para a dança.
Se for aprovado, Romeu passará a estudar gratuitamente na instituição. Os alunos recebem bolsa de estudos integral, com formação em dança, alimentação complementar, uniformes e transporte escolar. Como a escola funciona em Joinville (SC), estudantes de outros estados precisam se mudar para a cidade para acompanhar as aulas e também frequentar a rede regular de ensino.
Aos 6 anos, o pequeno bailarino ainda tem uma longa caminhada antes de participar da seleção da escola. Por enquanto, ele continua treinando, compartilhando sua rotina e lembrando outras crianças de que a dança pertence a todos. A experiência também representa um novo capítulo de uma história que começou com um relato de preconceito e passou a reunir manifestações de apoio de diferentes partes do país.
Assista ao depoimento de Romeu, o menino bailarino que emocionou o país: