O curta brasileiro de animação Planeta Fome ultrapassou a marca de 100 seleções em festivais e mostras de cinema e já chegou a mais de 20 países. Dirigida por Édier Wiliam, a produção realizada em Porto Velho (RO) passou por eventos no México, Espanha, Índia, Marrocos, França e outras nações, levando uma obra criada na Amazônia ao circuito internacional de festivais.
Ao longo dessa trajetória, o filme conquistou o prêmio de melhor curta-metragem de animação no Festival Internacional de Cine de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, e o de melhor filme de animação no Festiver, na Colômbia.
O calendário de exibições segue até março de 2027. Depois dessa etapa, a equipe pretende disponibilizar o curta em plataformas de streaming.
A produção recebeu R$ 81.666,66 por meio de edital da Lei Paulo Gustavo (LPG), executado pela Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural), na categoria destinada a curtas-metragens com duração de até 15 minutos.
Planeta Fome transforma um episódio real em uma distopia amazônica
A animação nasceu de um episódio registrado durante a pandemia de Covid-19, quando famílias disputavam restos de ossos em filas de açougues. Inspirado por essa cena, Édier Wiliam desenvolveu uma história ambientada em 2125, em uma Porto Velho sem árvores.
A narrativa acompanha uma mulher negra, mãe solo, e seu filho de oito anos enquanto tentam sobreviver em meio à escassez de alimentos. Embora situada no futuro, a história aborda a fome, a pobreza e a desigualdade presentes na realidade brasileira.
Segundo o diretor, um tema universal e uma narrativa que incorpora referências brasileiras e amazônicas despertaram o interesse de públicos em diferentes países. Além disso, a ausência de diálogos permite que públicos de diferentes idiomas acompanhem a história sem barreiras linguísticas.
Lei Paulo Gustavo financiou a produção da animação
Édier Wiliam afirma que cada seleção representa uma oportunidade para apresentar o filme a novos públicos. Para o cineasta, esse percurso também valoriza o trabalho da equipe que desenvolveu uma animação autoral em Porto Velho, fora dos principais polos do audiovisual brasileiro.
Por sua vez, a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, afirma que Planeta Fome comprova a capacidade do cinema produzido no Norte do país de conquistar espaço em festivais internacionais. Segundo ela, a Lei Paulo Gustavo também financiou investimentos que contribuíram para esse resultado.
De acordo com o diretor, o investimento permitiu contratar profissionais especializados, executar todas as etapas da animação e movimentar a cadeia audiovisual local durante a produção.
