O avanço do cinema nordestino no circuito internacional será celebrado mais uma vez na próxima quarta-feira (22/04), com o curta “Ressonância”, da diretora potiguar Anna Zêpa, chegando a festivais na Europa e nos Estados Unidos. A produção, filmada em Caicó no Rio Grande do Norte, coloca o sertão brasileiro no circuito global e amplia a visibilidade de histórias, territórios e protagonistas que historicamente ficaram fora do eixo central do audiovisual.
Mais do que exibições internacionais, a presença do filme em eventos como o Porto Femme, em Portugal, e o Festival de Cinema Latino de Chicago, nos Estados Unidos, revela uma mudança concreta: produções independentes do Nordeste estão conquistando espaço fora do país e com reconhecimento. Terá ainda exibição no Copaoba – Festival de Cinema de Serra da Raiz, que acontece no berço da Paraíba.
“Ressonância” não chega ao exterior como exceção isolada. O curta acumula passagens por festivais nacionais e internacionais e prêmios importantes, consolidando uma trajetória que reforça a capacidade competitiva do cinema produzido fora dos grandes centros.
Inspirado em um sonho da avó da diretora, “Ressonância” acompanha Margarida (Soia Lira), uma mulher que enfrenta a pressão da própria família para abandonar o trabalho e se encaixar em uma rotina que não deseja. Determinada a seguir ativa e dona das próprias escolhas, ela desafia esse conflito cotidiano e se torna referência para a neta Ana (Amora Maux). Ao longo de seus 20 minutos, o curta mistura essa jornada íntima com elementos da vida em Caicó, revelando paisagens urbanas e costumes locais.
Como o cinema nordestino rompe barreiras geográficas
Durante décadas, o cinema brasileiro ficou concentrado principalmente no eixo Rio-São Paulo. O avanço de produções como “Ressonância” mostra uma descentralização em curso, tanto na produção quanto na circulação.
Filmado em Caicó, no interior do Rio Grande do Norte, o curta leva para o mundo não apenas uma história, mas elementos concretos da cultura local: paisagens urbanas, costumes e referências do cotidiano sertanejo. Esse movimento amplia o repertório do cinema brasileiro no exterior e cria identificação com públicos diversos.
Essa circulação internacional abre portas para novos projetos, fortalece produtoras regionais e aumenta o interesse por narrativas que fogem dos padrões tradicionais.
Assista ao trailer:
Protagonismo feminino dentro e fora da tela
Outro ponto central do impacto do filme está na presença feminina em múltiplas frentes. Dirigido por Anna Zêpa, o curta traz Soia Lira como protagonista e constrói uma narrativa centrada em autonomia, decisão e conflito geracional.
A personagem Margarida, que resiste à pressão familiar para deixar de trabalhar, representa um tipo de protagonismo ainda pouco explorado: o de mulheres mais velhas que seguem ativas, independentes e conscientes de suas escolhas.
Esse recorte ganha ainda mais relevância quando combinado com a atuação de Amora Maux, em sua estreia no audiovisual potiguar, criando uma ponte entre gerações e ampliando o alcance da mensagem.
Nos bastidores, a presença de uma diretora nordestina à frente do projeto evidencia uma transformação no setor: mais mulheres assumindo funções criativas e de decisão no cinema.
Anna Zêpa é diretora, roteirista, produtora, atriz, e sócia da Rabo de Olho Filmes (RN). Seus filmes são: Ressonância (2025); Gargalo (2025); Quando o Amor não Respira (2024); Adelaide, aqui não há segunda vez para o erro (2021) e Desacuendando o Acuenda (2021). Na área da pesquisa é mestranda em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico, integra ainda a coletiva Arenga Filmes (SP).
O impacto de levar o sertão brasileiro para o mundo
Ao chegar a festivais internacionais, “Ressonância” projeta Caicó e o interior do Nordeste como territórios culturais relevantes. Esse tipo de visibilidade gera efeito direto na valorização da identidade local.
O público internacional passa a ter contato com realidades pouco representadas, enquanto a produção local ganha reconhecimento e legitimidade. Esse movimento ajuda a reposicionar a imagem do Nordeste, ampliando sua presença no cenário cultural global.
Festivais como o Porto Femme, que valoriza produções dirigidas por mulheres, e o Chicago Latino Film Festival ampliam o alcance do filme ao conectá-lo a debates globais sobre diversidade, gênero e identidade cultural.
Uma trajetória que consolida o reconhecimento
Antes de chegar ao circuito internacional deste mês, o curta já havia participado de festivais importantes como o Kinoforum, em São Paulo, e o San Francisco Latino Film Festival, além de conquistar prêmios de melhor filme, melhor atriz e melhor roteiro em diferentes mostras.
Esse histórico mostra que o reconhecimento não é pontual, mas resultado de consistência artística e narrativa.
Cronograma das Exibições
- 22/04/26 – 9º Porto Femme, no Batalha Centro de Cinema
- 24 e 25/04/26 – 42º Festival de Cinema Latino de Chicago, Landmark’s Century Centre Cinema
- 25/04/26 – 3º Copaoba – Festival de Cinema de Serra da Raiz, ao ar livre na Praça Iniguaçu
O que muda a partir daqui
A circulação internacional de “Ressonância” indica um cenário mais amplo: o cinema nordestino ganha força não apenas pela produção, mas pela capacidade de alcançar o mundo.
Na prática, isso amplia oportunidades fora dos grandes centros, diversifica o audiovisual brasileiro e atrai um público global mais aberto.
O resultado é direto: o sertão deixa de ser margem e passa a ocupar espaço em festivais, telas e discussões culturais internacionais.
Festivais e Premiações Anteriores
- 36º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Kinoforum
- 17º San Francisco Latino Film Festival
- 12ª Mostra de Cinema de Gostoso – Prêmio DOT de Finalização
- 20º Comunicurtas
- 3º Festival de Cinema de São Bernardo do Campo
- 2º Curta Catolé – Melhor Filme Júri Popular e Menção Honrosa Atuação para Soia Lira
- 16º Festival de Cinema de Triunfo
- SAGA WIFF – Gawler: Women’s International Film Festival
- V Lusomovies – Melhor Curta-metragem -19º CineTaquary – Melhor Atriz para Soia Lira
- 7º Curta na Serra – Melhor Roteiro
- 12° Santa Cruz International Film Festival – Melhor Curta de Ficção