Acessibilidade no cinema avança e muda experiência de pessoas com deficiência

Novas iniciativas da Ancine e do MDHC ampliam a acessibilidade no cinema e tornam a experiência mais simples e completa para pessoas com deficiência em todo o Brasil.
Público em sala de cinema durante evento no Brasil, representando avanço da acessibilidade no cinema
Novas iniciativas buscam tornar a experiência nas salas de cinema mais acessível para pessoas com deficiência. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Ir ao cinema no Brasil deve se tornar mais simples e acessível para pessoas com deficiência. Novas iniciativas lançadas na quarta-feira (15/04) ampliam a acessibilidade no cinema e orientam o setor a melhorar, na prática, a experiência do público — desde a escolha do filme até a permanência na sala.

Na prática, a mudança não se limita a cumprir uma regra. As novas orientações ajudam cinemas e produtoras a resolver problemas reais enfrentados pelo público, como dificuldade para acessar informações, usar recursos de acessibilidade ou até circular com autonomia no espaço.

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Mesmo com a obrigatoriedade em vigor desde 2023, muitos desses obstáculos ainda persistiam. As novas medidas surgem justamente para organizar o que já existe e garantir que funcione de verdade para quem precisa.

O que muda na prática para o público?

A principal mudança está na forma como os recursos de acessibilidade passam a ser oferecidos. Audiodescrição, legendas descritivas e tradução em Libras deixam de ser apenas uma exigência técnica e passam a fazer parte de toda a experiência do espectador.

Na prática, o acesso funciona de forma simples: o espectador pode baixar aplicativos gratuitos no celular, selecionar o filme em cartaz e ativar recursos como audiodescrição, legendas descritivas ou tradução em Libras durante a sessão. Em alguns casos, o próprio cinema também oferece equipamentos para uso individual.

Isso impacta diretamente a autonomia. Pessoas com deficiência passam a ter mais facilidade para escolher filmes, entender a programação, comprar ingressos e acompanhar a sessão com mais conforto.

Hoje, uma das soluções mais usadas permite acessar esses recursos pelo celular, por meio de aplicativos gratuitos. Também existem opções com exibição aberta na tela ou com equipamentos individuais fornecidos pelos cinemas.

Com as novas orientações, a tendência é que esses recursos funcionem melhor e de forma mais previsível, reduzindo falhas e ampliando o acesso real.

Da lei à experiência real nas salas

A oferta de acessibilidade nas sessões comerciais é obrigatória desde janeiro de 2023, com base na Lei nº 13.146/2015 e na Instrução Normativa nº 165/2022. Ainda assim, a aplicação prática gerava dúvidas e inconsistências.

Para entender esses desafios, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) reuniu contribuições de pessoas com deficiência, profissionais do setor e empresas que desenvolvem tecnologias acessíveis. Também realizou sessões adaptadas em cidades como Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, reunindo cerca de 400 participantes em sessões com audiodescrição, legendas descritivas e tradução em Libras, usadas para testar na prática como esses recursos funcionam dentro das salas.

Essas experiências mostraram dois pontos principais: era preciso explicar melhor as regras e orientar o setor a ir além do mínimo exigido.

Guia orienta cinemas a eliminar barreiras

Uma das iniciativas é o Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema, desenvolvido pela Ancine em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD).

O material orienta produtoras, distribuidoras, exibidores e até plataformas de venda de ingressos sobre como tornar o cinema mais acessível.

Na prática, o guia mostra como eliminar barreiras físicas, de comunicação, tecnológicas e até de atendimento, pontos que ainda dificultam a experiência de muitas pessoas.

Ele também amplia o olhar sobre o problema. Não se trata apenas do filme, mas de toda a jornada: desde a escolha do título até a permanência na sala.

Na prática, isso significa que a responsabilidade pela acessibilidade não fica apenas na exibição do filme, mas envolve toda a experiência — desde a divulgação até o atendimento no local, o que tende a reduzir falhas comuns relatadas pelo público.

Mais clareza nas regras e menos erros

Outra novidade é a criação de uma seção de Perguntas Frequentes sobre a Instrução Normativa nº 165/2022.

O material esclarece dúvidas comuns, como quais recursos devem ser oferecidos, quem é responsável por cada etapa e em quais situações a regra pode ser flexibilizada.

Com isso, a tendência é reduzir erros e aumentar a oferta de sessões acessíveis com mais qualidade.

A seção também está disponível em Libras, o que amplia o acesso à informação.

Como o público pode acessar esses recursos

Para utilizar os recursos de acessibilidade, o espectador deve verificar se a sessão oferece suporte e, quando necessário, baixar aplicativos compatíveis antes de ir ao cinema.

A orientação também é consultar a programação com antecedência, já que nem todas as sessões contam com os recursos ativados.

Um passo concreto para inclusão no cinema

Com essas medidas, o cinema brasileiro dá um passo mais consistente para se tornar acessível de verdade.

Mais do que garantir presença, a proposta é permitir que pessoas com deficiência vivam toda a experiência do cinema, com autonomia, compreensão e conforto.

Ao transformar regras em orientações práticas, o setor começa a sair do papel e avançar na inclusão cultural de forma mais concreta.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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