Turismo de base comunitária fortalece indígenas e preserva a floresta em Alter do Chão

Turismo de base comunitária transforma comunidades indígenas em Alter do Chão com renda, cultura e preservação da floresta. Conheça como funciona esse modelo.
Dórisson Borari e Maria Munduruku, fundadores da Pousada do Mingote, exemplo de turismo de base comunitária em Alter do Chão.
Dórisson Borari e Maria Munduruku transformaram a Pousada do Mingote em referência de turismo de base comunitária, unindo hospedagem, cultura indígena e preservação ambiental em Alter do Chão (PA). (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Famílias indígenas de Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), mostraram, na sexta-feira (03/07), como o turismo de base comunitária criou uma fonte permanente de renda sem abrir mão da proteção da floresta, da cultura tradicional e do modo de vida local.

A Pousada do Mingote, criada em 1997 por Dórisson Borari e Maria Munduruku, integra essa transformação ao receber visitantes interessados na cultura indígena. O município registrou 312 mil turistas em 2025, alta de 15% sobre o ano anterior.

A renda permanece nas comunidades, movimentando hospedagem, alimentação, transporte fluvial, trilhas e atividades culturais. O modelo também amplia oportunidades para moradores que decidiram permanecer no território.

A experiência mostra que conservar a floresta também produz desenvolvimento econômico, apoiado no conhecimento tradicional e na participação direta das comunidades na gestão do turismo.

Turismo de base comunitária transforma a floresta em fonte permanente de renda

Dórisson Borari e Maria Munduruku abriram a própria casa para compartilhar a história dos povos originários, reunindo objetos tradicionais e referências culturais como o Arco do Sairé, símbolo presente na celebração realizada todos os anos em setembro.

Para o casal, a identidade indígena tornou-se o principal patrimônio do empreendimento, dispensando intervenções que descaracterizem a arquitetura ou a memória da comunidade.

O modelo também fortalece a defesa do território. Dórisson participou da mobilização indígena que resultou na revogação do Decreto Federal nº 12.600/2025, após manifestações contrárias aos riscos ambientais associados à expansão da hidrovia do Tapajós.

Turismo sustentável na Amazônia amplia oportunidades para moradores

Na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta Nacional do Tapajós, Eltom John Vasconcelos iniciou um pequeno restaurante em 2018 para atender visitantes que chegavam à região.

O empreendimento evoluiu para hospedagem, passeios de lancha, trilhas e oficinas culturais, reunindo moradores em uma rede que distribui trabalho e receita entre diferentes famílias.

Segundo Eltom, a atividade mostrou que era possível construir qualidade de vida sem deixar a comunidade, substituindo o antigo projeto de migrar para um grande centro urbano.

Turismo de base comunitária: Alter do Chão turismo fortalece cultura e economia local

Joacy Rodrigues conduz visitantes pela floresta há duas décadas, apresentando usos medicinais, alimentícios e culturais de espécies amazônicas durante caminhadas guiadas.

O condutor de lancha Davi Sóstenes observa que o fluxo de turistas brasileiros aumentou após a pandemia, ampliando a procura pelos roteiros locais e fortalecendo serviços oferecidos pelos moradores.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) avalia que negócios comunitários mantêm os recursos financeiros circulando na própria região, criando um ciclo capaz de combinar geração de renda, valorização cultural e conservação ambiental.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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